Semanário 56 Segunda-feira, Fev 8 2010 

Decidi entrar no desafio proposto pela Anna Raffaella (que mudou de casa): o FEdMO, que consiste em dedicar 75 horas à revisão de um manuscrito, no meu caso o “Angel Gabriel“.
Duvido que consiga as 75 horas, mas vou dar o meu melhor.
A semana que terminou, não correu nada mal, tendo eu alguns dias em que escrevi bastante e revi mais do que esperado. No total:

- Horas de revisão semana: 10
- Horas de revisão total: 10

- Palavras escritas na revisão: 7 322

O Angel Gabriel está a andar muito bem e estou confiante que se continuar com esta dedicação, vou poder terminá-lo, de vez (Aleluia!), até ao final de Fevereiro. Só espero conseguir isso, para depois poder dedicar-me ao V.I.D.A. e ao Através do vidro.
Acho mesmo que as mudanças que estou a introduzir, e as cenas que estou a adicionar, são tão necessárias que nem sei como não as coloquei na primeira versão. Mas bem, é para isso que servem as revisões, certo?

A semana passada na Floresta de Livros:
- Compras 09 & Ofertas 02;
- ::Filme:: Inkheart – Coração de tinta.

http://fastenyourfiction.blogspot.com/

Uma semana – excerto Domingo, Fev 7 2010 

Ela fechou a porta com mais força do que tencionava, e ouviu um grito vindo do interior da casa. O seu pai estava de mau humor. Muito mau humor!
Pressionou o botão para chamar o elevador e aguardou que este subisse, ouvido o ruído que os cabos faziam. Abriu a porta metálica e entrou, pressionando o botão do “R/C”.
De olhos fixos no espelho, ela afagou ao de leve a bochecha esquerda, vermelha e um pouco inchada. Ajeitou o cabelo, de forma a que ficasse a tapar a quase totalidade da pisadura. Não queria que ninguém a olhasse de canto quando fosse à rua.
O elevador apitou e ela saiu na entrada do prédio, passando por algumas plantas que pareciam implorar por um pouco de água. Lá fora chovia torrencialmente e ela abriu o pequeno guarda-chuva assim que saiu do prédio. Foi de imediato arrebatada pelo forte vento e lembrou-se que aquele provavelmente não era o melhor abrigo que tinha, pois parecia que se iria partir a qualquer segundo.
Ao atravessar o passadiço elevado acima da estrada, o vento tornou-se ainda mais forte e antes que pudesse ajustar-se, o guarda-chuva escorregou-lhe das mãos e saiu a voar ponte afora. Ela soltou um grito instintivo, como se isso fosse parar a fuga, enquanto o via a voar a alta velocidade.
O vento mudou de direcção e o objecto deu uma guinada para a direita, que a apanhou de surpresa. Atrás do guarda-chuva surgiu a figura de um homem escanzelado, e ela podia jurar que ele não estava ali dois segundos antes, mas apagou essa ideia da mente, pois não lhe parecia fazer sentido nenhum.
Parada, à chuva, ela viu-se incapaz de mover um pé na frente do outro. O homem aproximou-se dela e com uma expressão séria, apresentou-se. – “Chamo-me Daniel. É um prazer conhecer-te, Margarida.”
Ela ficou especada a olhar para ele, tentando perceber de onde o conhecia, pois tinha a ligeira impressão que não era a primeira vez que o via. Afinal, como poderia ele saber o seu nome? Mas não fazia sentido ele estar a dizer que era um prazer conhecê-la, pois não?
Novamente por instinto, ela aceitou o aperto de mão que ele lhe ofereceu, sem conseguir dizer uma palavra que fosse.
“Vamos sair desta chuva.”
Não lhe respondeu, mas seguiu-o quando ele puxou a sua mão e a levou dali para fora. Sentia-se segura com ele, sem saber muito bem porquê.

Este é o excerto de um conto que, possivelmente, fará parte de uma colectânea de contos, todos na mesma temática (que não vou divulgar já). Esta ideia já tem uns anos, mas no outro dia deu-me vontade de a desenvolver um pouco e o resultado foi este. Sei que não diz quase nada, mas a mim parece-me um começo promissor para o que tenho em mente.

Capas Quarta-feira, Fev 3 2010 

Hoje venho falar-vos de algo que me aflige cada vez mais: As CAPAS!
Sim, leram bem. As capas dos livros, que para muitos são a porta de entrada e o chamamento, mais do que a sinopse, mais do que o(a) autor(a), mais do que as críticas, a capa é o que convida muita gente a ler um livro. Dizer o contrário seria  estupidez.
Pessoalmente,  não julgo um livro pela capa, mas recentemente senti-me quase que repelida por uma série de capas que metem medo ao susto (como se costuma dizer). Muitos destes livros até me despertam interesse, seja pela sinopse, pelo(a) autor(a) ou pelas críticas, mas com capas daquelas, eu fico com medo de comprar porquede cada vez que pegar no livro, a primeira coisa que vou ver é a capa.

Querem exemplos?

Aqui ficam algumas das capas mais repelentes que já vi:

Ok! Talvez estas sejam bem piores (e melhor que tudo, são todas da mesma autora e da mesma editora):

Sinceramente, qual é o departamento gráfico que deixa coisas destas sairem para o mercado? Por favor! É ridículo!

Outras capas que eu não gosto mesmo nada, são as das “Crónicas vampíricas”, mas ao menos estas aguentam-se, a custo:

A “Fúria” e o “Conflito” ainda se safam, mas as duas acima são de gosto duvidável (a primeira porque fica com um olho na lombada).

Outra das recentes modas que não me afasta, mas me deixa curiosamente de pé atrás, é a seguinte:

Olhos azuis *check*
Rapariga bonita *check*
Flores no rosto *check*
Letra redondinha e outra letra mais “normal” *check*

Desculpem lá este post que parece não ter nada a ver com nada, mas há coisas que têm de ser ditas, mesmo que outras pessoas discordem do meu ponto de vista. Fica a nota que este post não fala da qualidade das obras exibidas, muito pelo contrário, estou a querer dizer que a capa pode muito bem degradar a imagem que se tem de uma leitura.
Se chegar a publicar um livro (e hei-de, um dia), vou ter de “pedir” que me deixem (aparentemente a maioria dos autores não tem voto em matéria de capas, pelo que dizem), pelo menos, dar uma opinião sobre a capa. É que seria um desgosto ter o meu livrinho com uma capa de levar as lágrimas aos olhos. Não acham?

Semanário 55 Segunda-feira, Fev 1 2010 

Finalmente tive uma semana bem produtiva para a minha segunda e mais exaustiva revisão do Angel Gabriel. Estava a ver que não avançava daquela parte da história, que me começava a enervar-me (não a história, mas sim o facto de eu não conseguir expressá-la convenientemente). Passei essa parte e preparo-me para escrever uma secção do livro que não estava incluída na 1ª versão, e que por isso vai ser bem mais exigente.
Ao menos, na parte anterior, consegui aproveitar grandes trechos do que tinha escrito anteriormente, que era algo que eu temia não fazer, por achar que tinha de reescrever tudo. Felizmente, a minha parte auto-crítica achou que vários textos eram dignos de passar ao 2º rascunho.

Esta semana pretendo continuar e, com sorte, terminar esta parte da história. Mas mais me vale estar calada porque sempre que digo algo deste género, acabo por não fazer nada do que queria.

De resto, não escrevi muito mais, apenas pequenos textos aleatórios, para obrigar-me a escrever, quando não me sentia com grande vontade de o fazer.

A semana passada na Floresta de Livros:
- Compras 8

Meme de Escrita (Writing Meme) 2 Segunda-feira, Fev 1 2010 

No seguimento do 1º Meme, aqui ficam mais algumas perguntas que encontrei noutros blogs, e que achei engraçado reponder.

28) Mostras o teu trabalho a outras pessoas? (Do you ever show people your work?)
Não costumava fazê-lo, mas agora mostro porque tenho um pouco mais de orgulho no que escrevo, embora só tenda a fazê-lo quando algo está terminado e nunca durante o processo de escrita criativa (à excepção de um ou outro excerto que coloco aqui no blog).

29) Já alguma vez escreveste um romance/novela? (Did you ever write a novel?)
É o que mais escrevo e onde melhor que consigo expressar.

30) Queres viver da escrita? (Do you want to write for a living?)
Eu quero muita coisa, mas a verdade é que vivo em Portugal e aqui só os Jet7, jornalistas e demais mediáticos é que conseguem viver da escrita. Embora escreva fantasia, não vivo em ilusões, por isso não acredito que tal seja algo fácil de fazer, embora não totalmente impossível. Contento-me se conseguir editar os meu(s) livro(s) e ter algum sucesso.

31) Alguma vez escreveste no formato guião cinema/teatro? (Ever written anything in script or play format?)
Cinema e teatro não, embora esteja seriamente a ponderar tentar (por divertimento), mas escrevi guiões para Banda Desenhada e Novelas Gráficas. Também conta, não é? Já escrevi “Que sorte a minha”, “Alma”, “Lobo & Dragão”. Vermelho Sangue”, “Heroína”, “Sons de Guerra”, mesmo “Angel Gabriel”, para além das curtas “Um dia alguém lhe disse …” e “Sonhos e Mudanças”. Acho que não me esqueci de nenhum.

32) Alguma vez escreveste algo baseado em ti mesmo ou nas tuas experiências? (Do you ever write based on yourself?)
Parece-me quase impossível não escrever sobre a influência do que se passa à minha volta. Não necessariamente comigo, mas aquilo que vejo, oiço, sinto, tudo me influencia. E sim, já baseie várias cenas em coisas que se passaram comigo e possivelmente passei algo de mim para as minhas personagens principais, mas não vou nunca dizer que alguma delas seja um alter-ego meu. A menos que estejamos a falar das minhas primeiras estória, que nem sequer podem ser chamads de originais. Aí a estória era outra, porque me sentia mais confortável a escrever estórias alternativas de mim mesma. Fases!

33) Das personagem que criaste, qual a mais parecida contigo? (What character have you created that is most like yourself?)
Como já disse, todas têm um pouco de mim, mas se tivesse de escolher, diria talvez a Rie, do “Lobo & Dragão” ou a Lara, do “No limiar da vida”.

34) Já te baseaste em arte que tenhas visto? (Have you ever written based on an artwork you’ve seen?)
A minha arte conta? Bem, não sei como responder a esta pergunta, porque acho que a arte me influencia constantemente, mas não de forma notória. Por exemplo, não posso apontar um quadro, desenho ou foto, específico, que me tenha inspirado em qualquer momento, mas sei que há várias, só que tudo se mistura e dissolve na altura de escrever.

35) Escreves como nas conversas de chat [dd tcls]? (Ever write anything in chatspeak [how r u?])
Muito raramente, e só em conversas online, mas tento sempre evitar, para não criar o hábito, e normalmente só em coisa muito simples, tipo substituir o “que” por um “k”.

36) Totalmente em L337? (Entirely in L337?)
Não, mas teve graça.

37) Esta última pergunta foi descabida e estranha? (Was that question appalling and unwriterly?)
Não. Fez-me lembrar um comic online que costumava ler (MiniTokyo, se não estou em erro).

As perguntas acima foram retiradas do blog Yogagumbo.

38)  Qual o teu estilo de escrita? (What’s Your Writing Style?)
Difícil!
Acho que pouco floreado, mas bastante extensivo. Dou muitas voltas às coisas, quando poderia simplificar tudo bastante mais. Às vezes acho que quem ler aquilo se vai perder, mas é o meu estilo e não sei se quero mudar. Teimosia, talvez. Não sou de falas poéticas e sou mais de narrativas que diálogos, não por não gostar deles, mas porque não me sinto tão à vontade, embora tenha tentado mudar isso nos últmos tempos. E acho que é o que posso dizer sobre o meu estilo.

39)  Fazes estudos detalhados dos teus personagens ou deixas-te levar pela escrita? (Detailed character sketches or “their character will be revealed to me as a I write”?)
Costumo fazer estudos detalhados, mas tudo depende. Para o “Angel Gabriel” fiz estudos minuciosos, mas já para o “Através do vidro” não fiz estudo nenhum, talvez por este ser composto de contos e não ser necessário um conhecimento mais aprofundado das personagens. Mas o mais engraçado é que com o “V.I.D.A” também não estive com estudos, mas talvez porque já tinha um conhecimento profundo das personagens e por isso me sentia à vontade para as escrever sem esse apoio complementar.

40) Sabes quais os conflitos, objectivos e motivações dos teus personagens, antes de começares a escrever, ou descobres apenas depois de começares? (Do you know your characters’ goals, motivations, and conflicts before you start writing or is that something else you discover only after you start writing?)
Isso eu sei antes de começar. Tenho de saber, pelo menos minimamente, embora com o desenrolar da estória as personagens me surpreendam, mas ao menos sei quem são, como tendem a agir e o que querem. Não conseguiria trabalhar de outra forma.

41) Livros sobre como escrever – Úteis ou uma perda de tempo? (Books on plotting – useful or harmful?)
Li dois: O “Escrever” do Stephen King e o “No plot, no Problem” do Chris Batty, que não é bem um livro sobre como escrever, mas antes de como sobreviver ao NaNoWriMo. A verdade é que achei ambas leituras interessantes, mas nenhuma me deu nada de marcante em troca. Talvez não tenha começado pelo sítio certo, ou talvez este tipo de leitura não me cative, mas também não me arrependo de os ler.

42) És um proscratinador nato ou estás sempre à espera do momento em que te podes sentar e escrever sem distracções? (Are you a procrastinator or does the itch to write keep at you until you sit down and work?)
Gostava de o negar, mas sou daquelas que, quando sabe que tem de escrever (ou pelo menos deve) vai para o computador e se perde a fazer tudo o que não interessa, quase como desculpa para não escrever, por mais vontade que tenha de o fazer. É estranho, mas verdade!
Por isso é que tenho o meu portátil, sem net, que ligo sempre que quero escrever e me mantém afastada da maioria das distracções. Mesmo assim, desculpas há muitas, depois o peso na consciencia é que doí que se farta, mas olhem … a culpa é só minha!

43)  Escreves em pequenos intervalos de criatividade, ou podes sentar-te e escrever horas a fio? (Do you write in short bursts of creative energy, or can you sit down and write for hours at a time?)
Consigo trabalhar das duas formas. Tudo depende dos dias e da minha vontade e disponibilidade, embora prefira sentar-me uma ou duas horas e escrever seguido, mas normalmente não tenho oportunidade para tal e acabo por escrever por tempos.

44) És um escritor(a) matinal ou escreves mais à tarde? (Are you a morning or afternoon writer?)
Eu sou dos madrugadores! E não quero com isto dizer que acordo cedo. Não! O que eu quero dizer é que à uma da manhã, estou eu a sentar-me ao computador para começar a escrever e quando dou por ela já são três ou quatro horas e eu ainda não fui dormir.  Pois é! Eu bem tento mudar este meu hábito, mas é mais forte que eu. Em toda a sinceridade, não sou dos que consegue acordar e começar logo a escrever. Eu bem queria …

45) Escreves acompanhado(a) de música, o barulho de crianças ou num café público, ou por outro lado precisas do total silêncio para te concentrares? (Do you write with music/the noise of children/in a cafe or other public setting, or do you need complete silence to concentrate?)
Barulho não! A não ser que esteja num daqueles dias em que nada me incomoda. Mas música sim. Aliás, acho que não consigo escrever nada de jeito sem a banda sonora apropriada.

46) Já sabes o fim antes de começares a escrever o primeiro capítulo? (Do you know the ending before you type Chapter One?)
Sempre! Eu tenho sempre de saber, pelo menos, o princípio e o fim, senão não consigo começar a escrever. E normalmente também sei todas as cenas fulcrais que vão acontecer no meio da narrativa, senão sinto-me à deriva.

47) És influenciado(a) pelo que está a vender no mercado literário? (Does what’s selling in the market influence how and what you write?)
Não! Definitivamente, não! Eu escrevo o que gosto, o que me vem à cabeça.
É pura coincidência que eu esteja a escrever uma estória de vampiros, e o mercado esteja numa onda de vampirismo como há muito não se via. E posso dizer isto de boca cheia porque tive a ideia para o “Angel Gabriel” em 2005, que é muito antes de tudo isto começar.

48) Revisões – Amas ou odeias? (Editing – love it or hate it?)
Não sei. Uns dias odeio, outros amo. Deve ser uma daquelas relações amor-ódio que ninguém compreende, nem mesmo eu.

As perguntas acima foram retiradas do blog Scandal & Hysteria

Estejam à vontade para usar estas perguntas também. Quero ver o que têm a dizer.

Pela manhã Domingo, Jan 31 2010 

As coisas que dizíamos, as coisas que fazíamos, não tinham sentido, nem lógica, nem razão. Estávamos ambos envoltos numa loucura cega, que nos levava a agir por instinto e não nos deixava parar para pensar.
Se ao menos tudo fosse mais simples, se não tivesse de olhar para trás e tentar justificar tudo o que fiz, então tudo seria menos penoso e eu poderia desfrutar daqueles momentos, daquela insanidade. Mas a nossa embriaguez não alcoolicamente induzida, cedo chegaria ao fim, e com ela a culpa, o desprezo, a revolta e a repulsa.
Não queria acordar no dia seguinte, com nojo de mim mesma, e acima de tudo, não queria ver o asco nos olhos dele, quando me visse pelo que realmente sou e eu olhasse para o mais fundo da sua alma.
Estávamos presos numa infinita encruzilhada, num labirinto sem fim e cujo porta de entrada se havia fechado assim que entráramos nele.
Queria perder-me com ele. Ai se queria!
Deixá-lo tocar-me, amar-me, seduzir-me, fazer-me derreter debaixo dele, perder-me na loucura, mas nenhum dos dois tinha a força para dar o primeiro passo. O passo decisivo! Pois ambos receávamos o final.
Abraça-me!
Beija-me!
Mais não me odeias pela manhã.
Só que um não vem sem o outro, pois não?

Semanário 54 Segunda-feira, Jan 25 2010 

A revisão esta semana não correu muito mal, mas só mesmo nos últimos dias é que me senti mais impelida a dedicar-me ao Angel Gabriel. Espero que o impulso tenha vindo para ficar, porque bem preciso.

Na sexta-feira comecei a escrita de um conto (mais longo do que os meus habituais) de terror, algo que nunca experimentei. O título temporário é “Campo de Rosas” e se ficar bem, talvez tenha um destino mais grandioso que os meus outros contos. Digo-vos mais quando o terminar.

No sábado, à tarde, fui à apresentação da revista Dagon, conforme tinha anunciado já na semana passada. Foi a primeira vez que assisti a algo assim e posso dizer que não foi uma perda de tempo, embora talvez as pessoas que lá estiveram, achassem que o eu e o meu grupo não tinhamos respeito nenhum pelos que estavam na mesa redonda, já que falavamos imenso nas filas de trás. Garanto que não foi desrespeito, pelo menos da minha parte, foi mais impulso conversativo, e talvez um pouco de receio de levar a conversa para as mesas redondas. Mas falo por mim, claro está.
Estiveram presentes várias pessoas cujo nome já vi várias vezes pela internet fora, e outros autores dos quais já li algumas obras, e outros que não. A Carla Ribeiro esteve presente, tendo um dos seus contos incluídos na revista. O João Barreiros e o Luís Filipe Silva (da antologia Brinca Comigo!) também lá estiveram, num outra mesa redonda, com as suas opiniões muito próprias e definidas. Não digo que concordo com tudo o que foi dito, mas também não discordo. E já agora, agradeço a simpatia de ambos, especialmente do Luís Filipe Silva, que estranhamente me reconheceu como a dona do Floresta de livros. Não sei como conseguiu, mas fiquei surpreendida. E também agradeço a disponibilidade de ambos em autografar a minha cópia da antologia (podem ler a minha opiniãos aqui). Outra pessoa que reconheci foi a Inês Botelho (autora da trilogia “O Ceptro de Aerzis“), que não esteve nas mesas redondas, mas que participou activamente enquanto membro da plateia (ao contrário de mim).
Claro que estiveram lá outras pessoas, mas como não as conheço tão bem, não posso dizer mais nada.

Em suma, foi agradável e só gostava de poder ir a mais eventos destes, mas como moro numa terriola onde não se passa que se assemelhe a isto, fico só pelo desejo de ir.

Posts na Floresta de Livros:

- “Os jogos da fome” de Suzanne Collins;
- Compras 05;
- Compras 06;
- “Storm Front” de Jim Butcher;
- “Brinca Comigo!” antologia;
- Compras 07.

Mentiras Domingo, Jan 24 2010 

Ele correu até ela, arfando e usando de todas as suas forças para que as suas pernas se movessem mais rápido. Ela não teve tempo de se esquivar e soltou todo o ar que tinha preso nos pulmões, no momento em que ele embateu no seu corpo. Os dois caíram desamparados no chão, mas ele ainda foi a tempo de colocar uma das suas massivas mãos por baixo do rosto dela, assegurando-se que ela não ficaria com queimaduras de alcatrão, como ele ficou, nas mãos e braços despidos que ficaram em carne viva com o embate. Ele tentou não gritar, e quase conseguiu, mas acabou por soltar um leve gemido que a alertou.
“Estás bem?”
“Sim. “ – Mentiras. – “Não te preocupes.” – Ele só dizia mentiras.
O som que se seguiu ao estalo, deixou um zumbido estranho a soar nas orelhas dele. Com os olhos esbugalhados, incapaz de voltar a colocar o rosto na sua posição inicial, ele não conseguiu zangar-se com ela, pois sabia que o estalo era merecido, mas a surpresa era inevitável.
“Quando é que vais parar de disparar falsidade por essa boca imunda?” – As lágrimas já rolavam pelo seu rosto, incólumes. – “Diz-me a verdade, por uma vez na tua vida!”
Ele queria. Oh, se queria! Mas era já automático, era uma reacção impulsiva, que ele não controlava em absoluto e o peito ardia-lhe pois sabia que estava a magoá-la com cada mentira que proferia.
“Posso fazer isso.” – Mas o que ele realmente queria dizer, o que tinha de dizer, era que não podia fazê-lo. Mas será que ela não via isso? Não percebia que ele dizia sempre o oposto do que sentia, do que acreditava? Ele não tinha culpa, porque tinha sido programado para isso.
“Podes, se quiseres. Mas não queres, pois não?”
“Posso, mas não quero.”
Ela virou o rosto para o pavimento e empurrou-o para longe de si, incapaz de sentir o corpo dele, quente, mas tão gelado como o árctico. Não conseguia compreendê-lo e isso irritava-a, porque não se conseguia esconder que, apesar de todas as barbaridades que ele dizia, as suas acções mostravam outro tipo de atitude. Se ao menos ele não falasse e deixasse as acções falarem por si, tudo seria mais simples e ela saberia no que acreditar.
Com os olhos enxutos, voltou a fitá-lo e o que viu foi a mais pura preocupação.
Não podia odiá-lo. Não podia desprezá-lo. Afinal, não tinha ele salvado a sua vida inúmeras vezes?
“Vamos para casa.”
“Não quero.”
“Eu sei que queres.”
Erguendo-se vagarosamente, sentiu-o fazer o mesmo atrás de si. Sem uma outra palavra que fosse, começou a caminhar na direcção do seu carro, decidida a não o forçar a dizer mais nada, pois se o fizesse, sabia que acabaria por chorar novamente, por duvidar uma vez mais, e as dúvidas levavam à traição, e traição era algo que ela não podia aceitar. Nunca!

Semanário 53 Segunda-feira, Jan 18 2010 

Um suplício!
É a melhor forma de definir o tempo de escrita da semana passada.
Chegava a não ter vontade nenhuma de teclar. Nada! Mas depois lembrava-me que só eu é que ficaria a perder com isso, e então punha a música a tocar, posicionava os dedos por cima do teclado, e escrevia a primeira coisa que me vinha à cabeça. E foi assim que consegui escrever diariamente, embora não tenha saído nada digno de registo.
Não escrevi para o Angel Gabriel, por falta de inspiração, mas esta semana devo voltar à carga. A verdade é que estou numa daquelas fases em que tenho medo de reler o que escrevi, porque tenho a sensação que vou odiar tudo e decidir arrumar de vez o projecto. E isso, não pode ser!

Posts na Floresta de Livros:

- Desafio 2010 – Thriller & Suspense;
- “A luz” de Stephen King;
- “Onde vivem os monstros” de Maurice Sendak;
- “Sherlock Holmes” o filme;
- “Coraline” o filme;
- Compras 4;

No próximo sábado, dia 23, vou à apresentação da revista DAGON, no Porto. Mais alguém alinha?

Abutres Domingo, Jan 17 2010 

E ali estavam eles, como abutres sobre os moribundos, aguardando que eu caísse e deixasse de me mexer, para depois se poderem deliciar na minha carcaça. Com os seus olhos vidrados focados em mim, quase os podia imaginar interiormente rezando para que eu desfalecesse rapidamente como um cântico de terror.
Continuei a andar, sempre olhando para trás, esperando acima de todas as coisas que eles já não me estivessem a seguir, mas esse era um desejo absurdo e eles teimavam em acompanhar o meu passo lento e doloroso, quase como se gozassem com a minha situação.
À minha volta tudo parecia envolto numa extensa neblina. Tropecei no passeio e caí desamparada no chão. Ouvi os rugidos deles, como leões prestes a atacar, mas assim que viram que ainda me mexia, e eu tive que usar todas as minhas forças para isso, eles cessaram os seus ruídos. Quando olhei para trás novamente, vi que eles estavam ainda mais próximos e agradeci aos céus ter tido a força de vontade para me voltar a erguer. Se não o tivesse feito, eles ter-me-iam estraçalhado em segundos.

Nota: Quase me esqueci de fazer um post esta semana. aqui fica algo que escrevi esta semana. Não sei de onde veio, mas a verdade é que deslizou pelos meus dedos. Sei que é curto, mas para a semana há mais.

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