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Beijo Gay – a polémica

Vi hoje a “entrevista/confrontação” de Marília Gabriela, onde questionam a apresentadora sobre a fotografia tirada ao seu filho, Theodoro Wallace, no Carnaval: fotografia essa em que Theodoro beija um outro homem. Ora esta notícia relembrou-me uma ainda mais chocante, a meu ver, do início do mês, por causa da polémica causada pelo primeiro beijo gay transmitido numa telenovela angolana. Esta polémica em volta da telenovela “Jikulumessu” resultou na edição (leia-se corte) das cenas mais … chocantes.
Vejam a dita cena chocante:

E digam lá que não é uma parvoíce fazer alarido e dar razão a quem se manifesta contra uma coisa destas. O que é que há de chocante nisto? Pensava que eu que a sociedade estava mais evolúida que isso, mas parece que, em certa medida, estava enganada.
O primeiro beijo gay em telenovela brasileira, ao que apurei, foi entre lésbicas, num episódio de “Amor e Revoluçao”, em 2011. Por outro lado o primeiro beijo gay em telenovela portuguesa foi na Dancin’ Days, em 2013. Mas, tanto quanto percebi, já nos anos 90 no Brasil tinham tentado inserir uma cena em telenovela, que foi então rejeitada. Coisas recentes portanto.

Ora uma pessoa não tem que ser homossexual/lésbica para achar que a homossexualidade já não é tabu. Mas, por outro lado, compreendo que para muita gente isto ainda seja algo estranho. Isso, no entanto, não é razão para se censurar telenovelas, ou outro meio qualquer.

Beijo Gay - a polémicaJá na literatura, encontrar um livro com um protagonista homossexual/lésbico/bissexual começa a ser mais fácil mas ainda não está acessível a todos. No entanto cada vez mais existem personagens secundárias que o são.

Nas minhas histórias a maioria dos casais são heterossexuais, no entanto poderão ficar surpreendidos em saber que a protagonista do meu romance e BD Alma é bissexual.
– No conto “Segredos e Impulsos” Garnath envolve-se com uma mulher. Podem ler o conto na antologia “Um Toque de…“.
– No meu romance “Angel Gabriel – Pacto de Sangue“, Leyida, uma vampira, é lésbica. Podem ler o romane AQUI (vejam os distribuidores)
– Em “Através do Vidro“, na quarta parte existem vários casais homossexuais e alguns deles são estrelas principais desta parte narrativa (este trabalho ainda não está disponível para leitura).
– No “Água Mole em Pedra Dura” (romance em que estou a trabalhar) uma personagem é assumidamente bissexual, outra é homossexual e outra finge que não sabe que é (ou tenta negar-se).

E vocês o que pensam disto? Acham que estas são o tipo de cenas que devem ser censuradas? Questionadas em praça pública? Deixem os vosos comentários, leiam as histórias e digam-me o que acharam delas.

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Semanário 144 (Weekly 144)

*To read this post in English, please scroll down to the text in green.*

Eu falo, falo mas na verdade este ano começou muito aquém do que seria de esperar. Desde o fim do NaNoWriMo que sinto como se as minhas pilhas estivessem a precisar de ser carregadas. Sinceramente sinto-me num poço sem fundo.
Não é falta de ideias, nem vontade ou mesmo tempo. É algo mais que não sei explicar porque nem eu percebo e que ultrapassa o comum writers’ block.
O que acontece é que a semana passada foi quase nula em avanços literários e isto frustra-me imenso, especialmente porque sei que me estou a repetir.

Acabei por fazer outras coisas não relacionadas mas durante a semana percebi que o que me estava a incomodar no conto que estou a escrever para a antologia Lisboa ElectroPunk era a estrutura. Daí que tenha decidido voltar a focar-me no planeamento antes de prosseguir com a escrita do conto propriamente dita.

Noutras vertentes, recebi a opinião de um beta-reader sobre o “Angel Gabriel” e julgo que na semana passada me esqueci de referir que tinha também recebido a opinião de um outro beta-reader em relação ao “Através do Vidro“. Ambos me fizeram repensar certas decisões narrativas e prevejo revisões para breve (vou apenas aguardar mais alguns comentários de outras pessoas). Muito obrigada às duas meninas que se ‘sujeitaram’ aos meus textos. 🙂

*English*

I keep talking and talking, but the truth is this year didn’t start as well as I hoped for. Ever since NaNoWriMo ended I feel like my batteries are in need of a recharge. Seriously it feels like I’m in a deep hole.
It’s not for lack of ideas, will or time. It’s something I can’t explain that surpasses the usual writers’ block.
What comes of that is that last week was almost non-existent in terms of writing and that frustrates me like hell. Especially because I realize I’m repeating myself.
I ended up doing other things not related to writing, but during the week I realized that what was bothering me in the short story I’m writing for the Lisbon Electropunk anthology was the structure. That’s why I decided to refocus on planning before moving forward with the writing.
On another note, I received an opinion on “Angel Gabriel” from a beta-reader and I believe I failed to say last week that I also received an opinion on “Through the Glass” from another beta-reader. Both made me rethink a few narrative decisions and thus revisions should come soon (I’l just wait for a few more opinions from different people). Thank you for the two lovely ladies who read my texts. 🙂

Nos meus outros blogs (On my other blogs):
Na Sombra do Amor (Lover Enshrined), de J.R. Ward;
Garnath webcomic 22, banda desenhada.

No exterior (On the Outside):
The First Four “Parts” to a Story, no ModernMyth Tools;
Prewriting, no ModernMyth Tools;
A Must-Know Tip for Writing Slam-Bang Finales, no WordPlay;
How to be a Confident Writer, no Creatspace;
But I Won’t Do That, no The Deadline Dames;
The problem with prologues, no blog de Patricia C. Wrede;
Writers: How to Avoid Stagnation, no Write to Done;
Boas Ideias, no Metamorfose Ambulante;
Behind the Scenes: Writer’s log 3, no Crónicas Obscuras;
Don’t Let Multiple-Character Scenes Run Away With You, no WordPlay;
Beginnings, no blog de Deva Fagan;
More on Prologues, no blog de Patricia C. Wrede.

Resoluções para 2012

Como tem acontecido nos anos anteriores, também para 2012 tenho alguns objectivos.

A listinha principal:
– Participar no SciptFrenzy (possivelmente para escrever o guião de “Lobo & Dragão“);
– Participar no NaNoWriMo em Novembro e possivelmente no Camp NaNoWriMo em Julho/Agosto (conforme a minha disponibilidade);
– Fazer revisão de dois romances (tenho quatro para rever, por isso quero finalizar no mínimo dois; (os em lista de espera são: “Através do Vidro“, “Alma“, “Dragões e seus Sacrifícios“, “Não Apodreças nos meus Braços“);
– Concorrer a antologias e concursos;
– Internacionalizar a minha ‘imagem’ como escritora, tornando a informação acessível a leitores não falantes de português (falarei mais disto ao longo do ano);
– Definir objectivos de publicação e agir em concordância (falarei mais disto ao longo do ano);

E mais uma vez, vou tentar escrever todos os dias, embora já tenha comprovado nos anos anteriores que tal é quase impossível (a vida mete-se sempre pelo meio).

E vocês, que resoluções literárias/artísticas têm para 2012?

Reflexões (Semanário 125)

Esta não foi uma semana de deambulações, momentos ‘eureka’ ou grandes reflexões. Foi sim uma semana de dor. Dor de costas, mais propriamente.
Esta não foi, contudo, a principal razão porque nada fiz quanto às revisão de “Alma” ou porque “O Sangue das Rosas” ainda se mantém uma aberração narrativa. A verdade é que esta foi uma semana de reflexões, mais a nível pessoal do que profissional, mas não descurado esta vertente obrigatória da vida de uma pessoa civilizada.
Tenho andado estafada. Não tanto da vida, nem tão pouco do trabalho (que apesar de tudo foi bem puxado nesta semana), mas mais do estado das coisas. Não se preocupem que não vou falar de politiquices e muito menos de terrorismo. Na verdade não vou falar de nada, pois são coisas mais privadas do que me apraz falar aqui.
Tudo isto para dizer que nada fiz, além de reflectir sobre o rumo de algumas das minha histórias. Quero no entanto partilhar convosco algo que eu já há muito havia decidido, mas que penso nunca ter mencionado.
Lembram-se de há algum tempo vos ter falado num projecto, ao qual chamo ainda de “PFA“? Pois este “PFA” é uma mescla de vários mitos, religiões e até géneros literários. É de tal forma complexo e vai necessitar de tanta pesquisa, que não me atrevo sequer a imaginar quando poderei enveredar na sua produção (terá vários volumes, o que é ainda maior desafio). No entanto, a cerne da questão de hoje, é que quando imaginei o “PFA” comecei de imediato a construir a história de forma a que pudesse, de alguma forma, complementar outros projectos meus, em particular o “V.I.D.A.“, o “No Limiar da Vida” e até mesmo o “Alma“. Esta foi uma decisão ponderada, mas acho que a arquitectei de tal forma que estes três romances, que são tão díspares entre si, acabam por fazer sentido no mesmo universo que “PFA“.
Mas esta semana, estranhamente, dei-me conta que outras duas histórias minhas que, de forma inconsciente, se haviam formado num mesmo ‘mundo’. Refiro-me a “Dragões e seus sacrifícios” e a uma história ainda sem nome, mas que já aqui falei por ser a base de criação da curta BD que escrevi, chamada “Não Alimentem a Caveira“.
É estranho quando nos damos conta de que os pontos se unem de forma curiosa entre vários dos nossos trabalhos. Embora isto não aconteça com todos, é interessante ver alguns a interligarem-se de forma consciente ou não.

Se eu escreve-se apenas fantasia urbana, ou ficção baseada na realidade, então seriam normais as consistências e os entrelaçamentos, mas escrevo praticamente fantasia passada em mundos distintos, o que de certa forma sempre me levou a pensar que teria de usar um mundo diferente para cada história, até que percebi que não teria bem de ser esse o caso.
Com certeza que não forçarei uma história num determinado ‘mundo’, mas se tal ideia surgir, abraçá-la-ei com carinho, como faço a todas as outras. Mas ainda assim existem projectos independentes que, pelo menos para já, não pretendo reutilizar noutras histórias, como sendo o “Angel Gabriel“, o “Através do Vidro” ou o “Vermelho Sangue“, embora este último tenha potencial para ser palco de outras aventuras. Quem sabe? (só depois de escrever este, claro!)

Nos meus blogs Floresta de Livros e Asas da Mente:
24 Hour Comics 2011 (Proposta);
Página 5, da banda desenhada “Garnath e a Bola de Cristal”;
– Booking through Thursday – Em Fila;

No exterior:
Countdown to Outlining Your Novel: Map Your Way to Success!, no WordPlay;
Five ways to make your dialogue flow, no The Gatekeepers Post;
Ler ou Ouvir, no Crónicas Obscuras;
Inspiration, my ass!, no blog de Deanna Knippling;
Introducing the “mistorical,” and The Uses and Limits of History in Romance, no Dear Author;
The revision go round, no The League of Relunctant Adults;
Finding the beggining of your story, no blog de Deanna Knippling;
Should you outline?, no WordPlay;
Keeping the Plates Spinning, no Murderatti;
Behind the scenes: Tempo, no Crónicas Obscuras;
Why I puched my heroine off a cliff … almost, no Writer Unboxed;
Being “crazy good”, no Modern Author Showcase;
Behind the scenes: Baptismo IV, no Crónicas Obscuras;
Destaque para dois artigos sobre a influência mútua, no Efeitos Secundários;
Why Your Hero Absolutely Must Pet a Dog, no WordPlay;
Hookind the Reader, no blog the Patricia S. Wrede;

Depende da Perspectiva (Semanário 120)

Passei a semana toda a riscar de vermelho as páginas impressas do primeiro rascunho de “Alma” e a escrever coisas como «Esta cena está muito Bleh!» (não estou a brincar!) no canto das folhas, com chavetas e englobar capítulos inteiros.
Tinha ainda umas folha à parte onde resumi muito apressadamente certas cenas que precisaria de introduzir na história, ou relações que teria de aprofundar mais do que estavam, de forma a que a história tivesse mais sentimento. Isto incluía relacionamentos amorosos,amigáveis e familiares, etc.

Cheguei ao fim com relativa facilidade, até porque como vou reescrever quase tudo, claramente não estive com muitos detalhes a mudar estruturas frásicas ou descrições, etc.
Apesar de, ao fazer esta leitura, me ter apercebido que o que escrevi tem bastante potencial, também foi ainda mais notório como não organizei o livro da melhor forma, nem fiz a melhor escolha com a POV na 1ª pessoa (Erro!).
Sinceramente nunca concordei com quem diz que o ponto de vista da 1ª pessoa é para os preguiçosos ou para os escritores novatos (não que eu não seja um). Aliás, de certa forma, acho até que este POV consegue ser mais exigente que o da 3ª. Senão vejamos: Temos  de ter um conhecimento intrínseco da personalidade da personagem, temos de gesticular a acção de forma a que a informação seja correctamente exposta, já que ao vermos pelos olhos de uma só personagem acabamos por não saber tudo sobre tudo, além de que quando temos vários POV na 1ª pessoa, temos de nos assegurar que cada um é único, com uma escrita distinta, e que todos são vitais para a história e não estão lá só para ‘encher chouriços’.
Claro que a perspectiva da 3ª pessoa tem também muito que se lhe diga (ou não fosse eu ter alguns percalços com esta perspectiva), mas o que quero dizer é que não acho que um seja menor que o outro. Nem sequer o POV na 2ª pessoa, que todos parecem odiar, pode ser considerado mau, já que se usado da forma correcta, acredito que possa ser uma experiência bem diferente (a Anna Raffaella parece estar a pensar fazer um nesta perspectiva, e não é segredo porque ela já o disse no blog).

Mas avancemos para outro tema, com o qual me deparei esta semana, enquanto revia os textos, e depois, quando comecei a tentar reorganizar a história da melhor maneira. Refiro-me às Outlines! (e o mais espantoso é que esta semana este parece ter sido um tema em voga, já que não fui a única a mencioná-lo; vejam o “No Exterior”, em baixo).
E que é isso da Outlines? Assim muito resumidamente, é quando um escritor decide organizar os acontecimentos da sua história, antes ou durante a escrita do mesmo (aconselha-se antes, mas cada um funciona de maneira diferente).
Eu nunca fui muito de fazer outlines, porque quando começo a escrever uma história, normalmente sei quais são os acontecimentos centrais e alguns de relevância um pouco menor. Conheço as personagens e sei, por norma, onde quero começar e terminar a história. Por isso, o que acontece comigo, é que tenho tudo na cabeça, e depois sento-me a escrever, sem passar as ideias centrais para o papel e tentar organizar-me. Isto correu-me bem com o “Angel Gabriel“, com o “Através do Vidro” e com o “Dragões e seus Sacrifícios“. Já no caso do “V.I.D.A.“, confesso ter feito um pequeno outline, não muito pormenorizado, por onde me guiei.
Contudo, e como já aqui referi, a falta de um outline não funcionou tão bem com o “Alma“. Embora não possa dizer que a experiência correu mal, a verdade é que teria corrido ainda melhor se eu tivesse organizado os meus pensamentos, e a história, antes de começar a escrever. As mais complexas, em especial, necessitam de um auxiliar, pois por mais que um autor ache que sabe tudo sobre a história, acaba sempre por se esquecer de algo (além das muitas coisas que surgem e com as quais não contamos).
Não me arrependo de o ter feito, mas agora que vou reescrever a história, sei que preciso de algo mais. Daí que, finalmente, decidi dar o uso aos meus quadros de cortiça e post-its coloridos. Em frente, Outline! (mais pormenores sobre isto na próxima semana)

E vocês, costumam fazer outlines ou deixam-se levar pela brisa (como pássaros livres)?

Nos meus blogs Floresta de Livros e Asas da Mente:
Contributo na NanoZine nº3;
– Top Ten Tuesday – Trends You’d Like To See More of/Less of;
– Compras – Julho 2011;
– “Voyager nº 1“, fanzine de vários artistas;
– Booking through Thurday – Antecipação;

No exterior:
Mugging the Muse: Como Planear Histórias, 101, no Fasten your Fiction;
It’s Just Business, no Murder She Writes;
Finding yourself somewhere else, no blog de Deanna Kippling;
Let’s nix that “F” word form your book, Michelle, no The Innocent Flower;
Outlines, why did it have to be outlines?, no blog de Kate Noble;
10.000 words in one day? No way … Way!, no Murderati;
This is dedicated to the one I love, no All About Romance;
Getting it right, no Murder She Writes;
Editing, no Murder She Writes;
All About Amnesia, no Dear Author;
Didn’t expect that to happen, no ACME Authors Link
It’s all material, no blog de Patricia C. Wrede;
Why writers use a 1st person narrator, or not, no blog de Walt Shiel;
Maintaining Your Enthusiasm Until the Book Is Completed, no WordPlay;
Short story submission tips, no blog de Deanna Knippling;
7 Ways to Make Family and Pets Respect Your Writing Time, no WordPlay;
Rules, what rules, no blog de Patricia C. Wrede;
“My novel’s too ‘fringe’ – will any commercial publisher on the planet be interested?”, no Writer Unboxed;
Wake up your readers! How to thicken a plot, no blog de Alan Rinzler;
Behind the Scenes: Pesquisa, no Crónicas Obscuras;

Saltitar (Semanário 110)

No início da semana, terminei a revisão do “Através do Vidro” e fiquei satisfeita. Não sei se será realmente a última vez que mexo no manuscrito, mas para já estou contente com o resultado e sinto que a história cumpriu o seu objectivo. Entretanto nestas revisões finais acabei por cortar uma boa parte do que tinha escrito, especialmente um cena que me pareceu que não fazia avançar em nada a narrativa e que por isso pus de lado. na verdade a dita cena era até interessante do ponto de vista das personagens, mas ao mesmo tempo pareceu-me que o desenvolvimento teria o mesmo impacto sem a necessidade de ser tão exaustiva e assim decidi retirar. Estou convencida que foi a melhor escolha.

Mal terminei o projecto anterior, regressei de imediato ao “Dragões e seus Sacrifícios” (nome temporário). Foi bom voltar a escrever esta história, especialmente quando se aproxima a passos largos do final. Tive de reler as últimas páginas que tinha escrito, para me voltar a ambientar com o tom narrativo e com as personagens, pois por mais curta que tenha sido esta ‘intermitência’, a verdade é que entretanto envolvi-me na revisão de dois projectos muito distintos e era inevitável que eu acabasse por baralhar as vozes narrativas se não me tornasse a ambientar antes de começar (e só ao reler saberei se, mesmo com este cuidado, não cometi um qualquer erro de narração).
Acho que este é um dos vários ‘senãos’ de saltar de um projecto logo para o seguinte, mas tal é inevitável quando temos objectivos e já temos as ideias em ordem.

Se, por exemplo, eu terminasse um projecto e ainda não tivesse bem estruturado o próximo, iria então estar algum tempo ocupada com pesquisas, com encadeamento da acção, com conhecer melhor as personagens, decidir quais as cenas que são fulcrais, etc. Mas quando acabamos um, e o próximo já está pronto para ser iniciado, a coisa muda de figura. Ou parámos e não escrevemos durante uns tempos, ou então temos mesmo  de seguir em frente, deixar para trás o projecto finalizado e começar do zero (ou quase).

Normalmente tento sempre intercalar dois romances com alguns contos, que me dão mais ‘folga’ e permitem-me criar outro tipo de enredos e experimentar diferentes tipo de escrita, já para não falar que tendo a arriscar mais nos géneros em contos, do que propriamente em romances (não porque sinto que não o consiga fazer numa história mais longa, mas simplesmente porque as ideias que uso para contos, não poderiam ser ‘esticadas’ em romances, ou melhor, eu não sinto que elas dessem bons romances).

E vocês? Que costumam fazer entre a escrita de um romance e o início do seguinte? Começam logo o segundo, ou deixam passar algum tempo entre projectos?

No Floresta de Livros:
– Top Ten Tuesday – Minor Characters;
– Booking Through Thursday – Impróprio para a Idade.

No exterior:
Behind the book: Why write with a friend?, no Dear Author;
Character Motivation, no Murder she writes;
100,000 Reasons Why You Probably Can’t Banish Envy, no Writer Unboxed;
Non-White Heroes: The Kiss of Death in the Marketplace?, no Murderati;
What’s in a Name?, no The Deadline Dames;
Why You Should Spend More Time on Character Than Action, no WordPlay;
Wanted: Automatic Title Generator, no Murder She Writes;
Sintomatologia do Eterno Recomeço, no Blade Runner;
The Kung Fu Panda Guide to Writing Action Scenes, no WordPlay;

O Passado e o Presente (Semanário 109)

Na segunda-feira fiquei estranhamente feliz com uma coisa bastante simples que me aconteceu:
A minha mãe tinha sido operada no fim-de-semana, e infelizmente na 2ª feira estava a sentir-se mal, por isso fiquei em casa com ela. Nessa altura ela pediu-me para eu lhe ler um pouco da minha história “V.I.D.A.“, que ela já tinha lido na totalidade e tinha adorado (segundo a própria).
Agora não sei se sou só eu, ou se é algo que a maioria dos autores sente, mas eu não gosto de ler os meus escritos em voz alta. Por isso li, mas com alguma relutância. Achei que fui horrível (a sério que sim), mas quando terminei a minha mãe estava emocionada e disse que tinha adorado aquele ‘momento’.
Confesso, fiquei toda encavacada, especialmente porque me tinha custado imenso a ler em voz alta, e em contrapartida ela tinha gostado tanto daquilo. Às vezes são as pequenas coisas que têm o maior significado e o maior impacto.

Já a partir de terça-feira comecei a fazer uma outra revisão no “Através do Vidro“, e tenho confiança que vai ser a última revisão. Durante a semana trabalhei exclusivamente nisto, e já passei de metade do livro, por isso em breve devo terminar.
As coisas estão a correr bem, nesse panorama, embora esteja menos confiante neste livro do que no “V.I.D.A.” ou mesmo no “Angel Gabriel“. Não sei se é culpa do género (virado para a ficção científica) ou se é por causa do formato (quatro contos que formam um romance), mas apesar de sentir que está completo e bem estruturado, já não o acho tão bom como anteriormente.
Eu sei que isto acontece com tudo o que escrevo (e pelo que oiço dizer. o emsmo acontece com todos os leitores), e por um lado é bom porque significa que estamos cada vez mais exigentes com o nosso próprio trabalho, mas ao mesmo tempo é triste perder um pouco daquele fascínio original que tinhamos pelas nossas obras.
Não me interpretem mal! Continuo a gostar do que escrevi (caso contrário não o submeteria a editoras ou a concursos), mas há um certo afastamento emocional que vem com a dedicação a novos projectos.
É um pouco triste …

E vocês? Sentem este distanciamento das vossas obras passadas, e a crescente exigência, ou não?

No Floresta de Livros:
– “A Verdadeira Invasão dos Marcianos“, de João Barreiros;
– Top Ten Tuesday – Jerks in Literature;
– Booking Through Thursday – Apropriado à idade;
– “Dark Swan – Storm Born 1“, de Richelle Mead / Grant Alter / David Hamann.

No exterior:
Mothers in Fairy Tales, no The Enchanted Inkpot;
Do You Really Need an Author Blog if you’re on Facebook or Twitter?, no Writer Unboxed;
The art of Dreaming, no Writer Unboxed;
Does Your Story Maintain Consistency in the Details?, no WordlPlay;
Characterization: Controlled Hallucination or Craft?, no Murdererati;
Staying out of the story, no Writer Unboxed;
Owning your creative past, no Murdererati;
Switching teams, no Murderati;
The Secret Ingredient of Original Storeis, no WordPlay.