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Momentos 09

momentos_01Continuando o tema do Momentos 08, sigo com o debate sobre os nomes de personagens.

Pelo que ouvi dizer há várias pessoas a quem acontece o mesmo que eu.

– Há personagens que quando surgem, já vêm com o nome escarrapachado na testa, já fazendo estes parte do que eles são, de quem são e do que viveram;
– Há outros em que tenho de andar meses e meses a pensar no nome mais adequado, um pouco porque não há pressa e por outro lado porque sei que mais tarde ou mais cedo o nome irá surgir, possivelmente do nada;
– E há outros ainda em que eu própria tomo a iniciativa de procurar os nomes certos para eles (através da pesquisa).

No primeiro caso, normalmente nem há muito a fazer. Se um personagem já traz o nome a reboque, por alguma razão é e certamente não vou encontrar nada mais certeiro. Estes são os melhores, claro! Mas também há excepções, em que certas personagens vêm com nomes, mas eu acho que não é bem aquilo que quero e lá procuro outra denominação. É muito raro, mas acontece, como é o caso da Lara (No limiar da vida), que no início era Clara. Só que eu, por uma qualquer razão desconhecida, irritava-me de cada vez que lia o nome no papel, então mudei e estou bem mais satisfeita com Lara. Não é muito distinto, mas a mim aliviou-me imenso.
Outra personagem a quem recentemente fiz o mesmo, foi à Cármen do Angel Gabriel. Pessoalmente nunca gostei muito do nome, mas foi preciso que alguém me dissesse que Cármen é nome sem graça, para eu me decidir a mudá-lo. passou a ser Sílvia, que acho que soa bem melhor.

No segundo caso costumo tentar não me preocupar demasiado. Quando surge, surge a valer, e normalmente não é difícil definir um nome certeiro para uma personagem. às vezes estou a ter uma conversa com alguém e lá aparece um nome certo, ou estou a ler um artigo qualquer e BINGO! Isto costuma acontecer mais com personagens secundárias, pois com as principais eu entro em stress e sinto-me na obrigação de definir logo à partida quem tem o nome de quê.

Já o  terceiro caso é mais complicado pois às vezes, mesmo depois de longas horas de pesquisa, ainda acho que não encontrei o nome certo e fico a matutar naquilo durante dias e dias a fio.
Como é o caso do Matheus (do PFA). Queria dar-lhe um nome algo vulgar, mas por mais que procurasse não encontrava nada que me agradasse. Acabei por escolher este nome, mas não duvido nada que daqui a uns tempos mude de ideias.
O PFA é aliás um dos projectos que me tem dado mais trabalho a nível de escolher nomes, seja porque tem muitas personagens (é uma saga), ou porque muitos deles são muito velhos (e por velhos digo séculos e milénios). Por exemplo, a Leoba (parceira do Matheus) nasceu em 782 d.c. e por isso andei eu a pesquisar nomes usados na época. Não foi nada fácil, garanto-vos. O que aparecia eram nomes de papas e santas e etc. Por fim lá me decidi por o nome da Santa Leoba que morreu mais ou menos na altura em que a Leoba nasceu.

Há vários sites com listas de nomes por sexo, país, origem, significado, etc. É uma questão de saber onde procurar e tentar que os nomes se enquadrem na história, Pois acho que não fazia muito sentido colocar uma Vatra numa história contemporânea passada numa qualquer aldeia interior de Portugal. Já estão a imaginar?
Mas também é certo que hoje em dia é cada vez mais fácil, graças à multiculturalidade, encontrar pessoas de diferentes ascendências em sociedade em que antigamente não se via um único estrangeiro ou estrangeirismo. Por isso numa fantasia urbana, por exemplo, não será de todo estranho que as personagens tenham nomes completamente dispares, e será até possivelmente divertido e aconselhável. Eu sei que conto a fazer o
máximo uso disso no PFA, porque faz sentido dentro da história.

Depois, claro, há os nomes inventados pelos próprios autores. E, confesso, é algo que eu também gosto de fazer, mas tento usar o mínimo de vezes possível já que grande parte das minhas histórias são passadas nu futuro próximo.
Há excepções, como no caso do Alma, que poderia ser considerado fantasia urbana, mas em que todas as personagens têm nomes inventados por mim, há medida de cada personagem. Nomes como Garnath, Levian, Zanzan, Camill, Medina, Momutte, entre outros. Alguns destes nomes são até usuais mas outros não se vêem, que eu saiba, em lado algum.
Outro exemplo são os nomes de feiticeiros das personagens do Angel Gabriel. Aí deixei-me levar pela incoerência. Nomes como Catalysm, Müernica, Evaress e Ishvar, tem claras influências de outros nomes, mas penso que são originais (posso estar enganada que nestas coisas nunca se sabe), Neste caso diverti-me a inventar nomes algo estranhos, porque podia. São nomes de feitiçaria e por isso estão dentro da minha lógica mas fogem às lógicas normais, se é que me faço compreender.

Já agora, como é que vocês tendem a decidir os nomes das personagens? Elas vêm com os nomes às costas, ou vocês andam a bater com a cabeça para tentar chegar a algo semi-coerente?

Nota: Desculpem se me repeti em algum ponto.

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Momentos 08

momentos_01Se o tema hoje são os nomes, eu acho que devíamos começar por discutir os nossos.
Mas já fizemos isso antes. Não vale a pena continuar a bater no ceguinho. Afinal chegamos a um consenso.
Eu não cheguei a concordar muito, mas …
Cala-te Viríl!
É Viridis! (Quantas vezes tenho de repetir?)
Não te canses Virilha.
*Grrrrr*

Em intervalos regulares de tempo dou por mim a pensar nos nomes que dei às personagens. Alguns deles arrependo-me solenemente de ter nomeado, outros continuam certeiros e alguns ainda deixam-me na dúvida.
Nos meus trabalhos mais recentes tenho tido um cuidado especial com a escolha dos nomes. Por exemplo, no V.I.D.A. andei dias à procura de nomes bizarros (e potencialmente ancestrais) cujo significado fosse exactamente o que eu queria, por razões incutidas à história em si.
Já no Através do Vidro a escolha foi mais aleatória. Como tinha personagens oriundas de sítios distintos, escolhi nomes bem diferentes também, um pouco de todo o mundo.
O mesmo aconteceu com o PFA, que tem a maior disparidade de nacionalidades e ascendências possíveis, e por isso tenho nomes antigos e recentes. Alguns escolhidos a dedo, como Leoba, Nanael, Aldir e Zahra, mas estes tinham de ser porque são nomes mais antigos e com um significado intrínseco. Mas os restantes nomes foram um pouco à sorte, embora tenha tentado fazê-los coincidir com a personalidade das personagens.

Já o meu grande problema é com os projectos mais antigos, especialmente o Vermelho Sangue.
Na altura em que comecei este projecto estava numa fase manga (banda desenhada japonesa) e por isso não é de espantar que tenha dado a todos os personagens nomes japoneses, especialmente quando a história envolve ninjas.
Certo é que a história evoluiu (e muito) nos últimos anos, amadurecendo e perdendo as raízes tão nipónicas que me tinham feito dar nomes como Naru, Ken (não o da Barbie), Shinobu, Miya, Takezo, Jun, Yuuto e Arashi às minhas personagens. E agora que penso seriamente no assunto, tenho uma vontade enorme de lhes mudar os nomes, só que o problema é que para MIM eles já têm estes nomes. Pertence-lhes e não me parece que conseguiria distingui-los se fosse agora alterar isso.

Com o V.I.D.A. foi fácil alterar os nomes porque ainda não tinha entranhado completamente os nomes (embora de quando em vez ainda os chame pelos nomes antigos), mas com o Vermelho Sangue a história é outra.

Ao mudar-lhes os nomes tinha de ser agora,  numa altura em que ainda não comecei a escrever a história, mas sinto como se fosse mutilá-los.
São 9+ anos em que os tratei por estes nomes.
Os que seguiram a minha curta experiência pelo mundo dos webcomics, conhecem-nos por estes nomes e os que seguem a minha arte desde então também, porque costumo desenhá-los sempre que possível.
E ainda assim sinto que tenho de o fazer, pois embora todos estes nomes tenham um significado, são fruto de uma época em que não ponderava realmente o que fazia. Para manter estes nomes tinha de fazer com que todos fossem oriundos do oriente, e não é esse o caso, pois todos são oriundos de países distintos e imaginários. Poder-me-ia aproveitar disto, de serem imaginários, mas que sentido teria que todos tivessem nomes de origem igual?

Não é como no caso do Lobo & Dragão em que a história se passa mesmo no Japão e por isso faz todo o sentido ter nomes como Rie, Unkei, Katsunosuke, etc. No Vermelho Sangue faria todo o sentido que, pelo menos alguns dos nomes fossem bem diferente.

Estou num dilema!

Sendo que a quatro personagens pertencem à mesma região, já cheguei a pensar mudar os nomes dos outros, o que me faria ter de mudar o nome das outras quatro personagens (há mais personagens, mas raramente as nomeio e por isso será mais fácil a transição). O problema é que os nomes a mudar, no caso de seguir esta táctica, são o da Naru, do Ken, da Jun e do Yuuto. Uma delas é protagonistas e as outras três são das mais importantes de toda a trama e possivelmente dos nomes mais anunciados do projecto.
Se por um lado sinto que novos nomes até seriam bons para eles (já estes são algo ridículos) continuo com uma sensação estranha de que, bem, eles já são os nomes e os nomes já fazem parte deles.

Não sei se estou para aqui a dizer barbaridades incoerentes, mas é o que sinto no momento.

Depois deste virá um outro Momento sobre as personagens, mas não sei se será esta semana ou só na próxima

Momentos 07

momentos_01Eu digo já que sou contra.
Contra o quê?
Contra tudo. Eu não gosto destas coisas.
Mas estás a falar chinês?
Querida, —
Querida? Estás com febre?
Como eu estava a dizer … Querida, eu sou contra os que são contra.
Ah?
Oh querida, você hoje está lenta.
Não. Tu é que estás parva e eu não consigo acompanhar o teu raciocínio.
Olha, até o viril está a ficar verde com esta conversa.
É Viridis e eu SOU verde.
Ah! Como é que nunca me dei conta?
Estavas demasiado focada no teu próprio umbigo.
Olha quem fala. Drama queen!
Não estamos a fugir ao tema, ladies?
E havia tema?
Boa pergunta.

Leio artigos e tento estar atenta ao mundo a literatura nacional e mundial e algo que me surpreende no nosso país )para além de muitas outras coisas) é o facto de, possivelmente, sermos dos países que mais publicam “blogs” em livro.
No estrangeiro ouvimos dizer que que escreve em blogs dificilmente verá o conteúdo desse mesmo blog em papel, pelo menos nas editoras (vanity press não conta), mas aqui em Portugal basta ar uma olhada pelas prateleiras ou uma pequena pesquisa na web e vemos que temos vários.
Nem sequer estamos a falar de blogs de contos ou afins, mas mais de blogs de sátira, opinião ou outros géneros mais “estranhos” (no bom ou mau sentido, conforme desejem).
Que figure aqui que não tenho nada contra isso, mas parece-me estranho. Muito estranho.
Outra coisa que recentemente me surpreendeu foi a publicação de uma obra que o próprio autor já tinha publicado independentemente e que agora foi “comprado” por uma “grande” editora, por assim se dizer.
Mais uma vez, não tenho nada contra. Mas andamos a contrariar as tendências. Será isso bom, ou mau?
Eu pessoalmente não sinto vontade de comprar nenhum destes livros que são blogs. Não é porque posso lê-los online, mas é exactamente porque nem online os leio. Não sinto “atracção” por eles e dessa forma não compro. Mas também não opinarei sobre eles. Deixarei ao critério de cada um.
Neste campo só poderei falar de boca cheia sobre uma destas publicações. O “Caderno de Saramago”. Desde o primeiro post que sigo o blog do vencedor do Nobel Português, e se ao principio pensava que valia a pena, à medida que o tempo foi passando fui lendo mais e mais posts sem interesse e que chegavam mesmo a “enervar-me” um pouco, no mau sentido. Neste caso posso dizer que não pagaria para ler, porque parece-me que o livro não seleccionou os textos e limitou-se a imprimir tudo. Se fossem só os de interesse cultural, talvez adquiri-se o volume, mas com as opiniões que em nada enaltecem a minha vida, não o farei. Já para não falar no absurdo do preço do livro. Eram 17 ou 19€? Fosse qual fosse é muito dinheiro para alguns textos curtos sobre coisas dispersas. Isso é tudo para pagar direitos de autor?
E nem vou por aí, se não ficava aqui a falar sobre os preços fora de órbita das edições portuguesas e que põe a minha carteira completamente “drogada”. Será que não se dão conta que se baixassem o preço dos livros vendiam muito mais?
Mas isto já é fugir ao tema.
Voltando ao caso que foi “republicado” por uma editora na sua terceira edição, louvo o acto, mas só poderei deixar uma nota digna de registo quando ler a obra. Desejo sorte ao autor.
Quem tiver lido os outros livros (mencionados acima), que deixe aqui a sua opinião. Vocês acham que as escolhas das editoras para este género de publicação são as mais acertadas?

Momentos 06

momentos_01Hey! Este post não é sobre a escrita.
É mais sobre a literatura.
Batoteira!
De vez em quando também é bom mudar um pouco.
Não gosto é do nome …. sem tacto.
Realmente. Quem foi que teve a brilhante ideia?
Eu não fui.
Muito menos eu.
Mas as musas são sempre as culpadas.
Essa é uma lógica muito duvidosa.
Se pensasses o contrário é que eu estranhava.
Bem, podemos prosseguir.
Podemos prosseguir? Bah! És tão snob.
Desculpa?
Meninas, comportem-se.

No outro dia estava a vasculhar este artigo e o/a blog da Meg Cabot (Diário da Princessa, Mediadora) e num qualquer post ela mencionava o fenómeno da “trauma porn”.
E que raio é isto?
Pois “trauma porn” (não me perguntem porque é que tem o “porn” no meio) é o nome dado a livros para jovens e adolescentes, cujos temas são tudo menos alegres. Estamos a falar de suicídio, drogas, acidentes com resultados fatais e/ou permanentes, violência doméstica. e demais traumas. Ou seja, livros em que a personagem principal tem uma vida já de si horrível, ou que passa a ser horrível devido a algum acontecimento marcante.
Esse artigo fez-me logo lembrar do “Pérola nas Brumas”. O livro da V.C. Andrews que eu ando a ler já há mais de cinco meses e para no qual estou a fazer um esforço descomunal para tentar chegar ao fim.
Aparentemente o “trauma porn” não é um fenómeno recente (basta ver que a V.C. Andrews já morreu há uns bons anos) e sempre houve este tipo de literatura para quem dela gostasse. Só que parece que recentemente a procura por estes títulos aumentou.
Uns acham o fenómeno preocupante, enquanto outros acham normal.
Eu sou parte do segundo grupo. Senão vejamos:
– Todas as pessoas têm gostos diferente de leitura.
– Em certas alturas da vida eu gosto de ler coisas mais alegres, mas leves. Noutras coisas com mais acção. E noutras ainda gosto de coisas com mais drama, que me façam chorar.
Num mundo que parece tudo menos sorridente e em que a cada dia que passa surge uma nova ameaça, é normal que os jovens (e não só) sintam mais interesse nestas temáticas.

Eu confesso que nesta fase da minha vida não estou com pachorra para as tragédias da “Ruby” (V.C. Andrews), mas também sei que o primeiro livro da saga foi um dos meus predilectos, quando eu tinha para aí uns 14 anos. Ou seja, é de fases.
Será que nos devemos preocupar por os jovens (eu ainda sou jovem) lerem cada vez mais este tipo de literatura?
Eu acho que não.
De uma certa forma é bom que eles saibam. Afinal, normalmente estes livros tem uma certa lógica de eventos. Por exemplo: Um jovem conduz bêbedo, envolve-se num acidente e fica paraplégico para o resto da vida. Uma jovem que é vitima de bullying corta os pulsos por causa da pressão. Uma jovem inicia uma viagem pela anorexia depois de fazer uma aposta com uma amiga para ver quem conseguia ser mais magra.
Isto são tudo realidades e por isso acho até bom que os jovens leiam este tipos de coisas. Pode ser que tomem consciência.
Acho que desde que o propósito do livro seja mostrar que a vida segue sempre o seu caminho e que depois da tempestade vem a bonança (e não só que as tragédias acontecem umas atrás das outras sem cessar), então este parece-me um género com promessa.

Aqui fica uma lista de alguns dos best-sellers mais recentes do género:
– “Wintergirls” de Laurie Halse Anderson
– “Veronika decide morrer” de Paulo Coelho
– “Before I die” de Jenny Downham
– “If I stay” by Gayle Forman

Momentos 05

momentos_01E o que temos cá hoje?
Parece que é um tema algo sensível.
Racismo na Literatura.
Credo!
E Também há o facto de os escritores mostrarem mais do que querem.
Sr. Virilha. A culpa é sua.
Nós os musos não temos culpa. E é Viridis, por favor.
Se calhar fazem de propósito.
Não fazemos nada.
Então de quem é a culpa?
Dos autores, claro!
*Ahem*
-silêncio-
Acho que ouvi uma voz do além.
Não é do além. É ela! A lenda … A autora.
Aquela que não faz nada o dia todo?
*Ahem*
-silêncio-
É melhor ficarmos por aqui.
Sim é melhor.

Depois de ler esta entrevista ao autor China Miéville (cujo livro The City & The City eu tenho muita vontade de ler), lembrei-me de algo que sempre me intrigou na escrita fantástica (e não só). A questão do racismo e o facto de, muitas vezes sem nos darmos contas, transmitirmos para o papel as nossas crenças, dúvidas e pontos de vista (quer sejam bons ou maus).

O excerto seguinte foi o que despoletou esta questão:

«Yes, I heard about RaceFail ’09 some time after the event, and rather regret not having been there while it was going on. The category of Political Correctness is so nebulous that it’s rarely very helpful, particularly because it is often used disgracefully as a stick with which to beat anti-racists or progressives. In the broader sense, I absolutely do think that the implicit politics of our narratives, whether we are consciously “meaning” them or not, matter, and that therefore we should be as thoughtful about them as possible. That doesn’t mean we’ll always succeed in political perspicacity—which doesn’t mean the same thing as tiptoeing —but we should try. So for example: If you have a world in which Orcs are evil, and you depict them as evil, I don’t know how that maps onto the question of “political correctness.” However, the point is not that you’re misrepresenting Orcs (if you invented this world, that’s how Orcs are), but that you have replicated the logic of racism, which is that large groups of people are “defined” by an abstract supposedly essential element called “race,” whatever else you were doing or intended. And that’s not an innocent thing to do. Maybe you have a race of female vampires who destroy men’s strength. They really do operate like that in your world. But I think you’re kidding yourself if you think that that idea just appeared ex nihilo in your head and has nothing to do with the incredibly strong, and incredibly patriarchal, anxiety about the destructive power of women’s sexuality in our very real world. These things are not reducible to our “intent”—we all inherit all kinds of bits and pieces of cultural bumf, plenty of them racist and sexist and homophobic, because that’s how our world works, so how could you avoid it?»

Lembro-me de quando surgiu o filme do “Senhor dos anéis” eu ter dado por mim a pensar: Mas será que todos os Orcs são maus? Não tem lógica catalogarem uma espécie inteira como sendo maldosa.
Isto para mim nunca fez sentido pois não acho que a maldade, bondade ou espírito violento estejam de algum modo relacionados com a nossa cor de pele, lugar de nascença, ascendência, estatuto social, crença, ou outro factor semelhante.
Acontece o mesmo em algumas histórias de ficção científica, onde uma raça inteira alienígena não fazem mais do tentar exterminar a raça humana por razão nenhuma (ou porque querem tomar posse do nosso planeta).
O problema é o mesmo.
São todos os extraterrestres maus? Não há nem sequer uma pequena parte que se rebele e tente seguir outro caminho?
Claro está que também existem muitos livros (e filmes e outros) que exploram essa mesma vertente. O lado do bom versus maus dentro de uma outra raça/espécie que não a nossa. E esses livros podem chegar a ser muito bons. Mas os outros, fazem-me impressão.
Não há lógica! Não é realista dizer que uma espécie, uma comunidade, ou mesmo um grupo, tem pessoas que pensam todas exactamente da mesma forma, como autómatos programados só para aquilo e nada mais (a menos que a própria história estipule isto como sendo a realidade dos factos).
Como escritora (amadora), desde sempre, e inconscientemente, tentei evitar este caminho de generalização.
Porque não há só pessoas más ou boas. Há meios termos. Há pessoas que são boas mas também são capazes de cometer actos atrozes, assim como há gente de má índole capaz de um pouco de gentileza e até compaixão. Claro que também há extremos. Mas estes não estão delimitados numa cor de pele, numa espécie, num planeta, numa crença ou num ambiente.
Se duas pessoas nascerem e crescerem em ambientes exactamente idênticos, até ao mais ínfimo pormenor, elas ainda assim não pensarão da mesma forma, agirão da mesma maneira ou terão as mesmas reacções a situações semelhantes. Porque todos somos diferentes e porque todos temos a capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias, absorvermos informações de formas e modos diferentes de todos os que nos rodeiam.
Claro que neste ponto todos teremos ideais diferentes, porque todos somos diferentes, mas a mim parece-me algo inverosímil uma história (livro, filme) onde um grupo de pessoas, adjectivados pela sua raça, ideologia ou origem, sejam catalogadas como idênticas, sem algo que as torne únicas e capazes de pensamentos individuais e possivelmente conflituosos com os restantes, sem que isso pareça pouco natural.

O que pensam vocês?

Momentos 04

momentos_01Isto tem andado tão calmo.
O Virilha foi de férias.
É Viridis! E não fui de férias.
Mas não tens trabalhado como deve de ser.
Eu até já aumentei o número de “tea times” diários.
Há alturas assim. Até as musas precisam de pausas…
Kit-kat!
Para colocar as ideias em ordem. Dizia eu.
Quero ver isso.

E cá estamos nós, de volta a mais  um interlúdio. Desta feita o tema é a Invasão da mente. E não. Não me refiro a invasões extra-terrestres.

Algo que me acontece muitas vezes (e que imagino ser característico de grande parte dos escritores (amadores incluídos)) é o estar naquela fase do quase sono e ter uma ideia fantástica para uma cena fenomenal num novo projecto que me surgiu do nada.
O que acontece?

Levanto-me. Tropeço no baú e guincho porque sei que vou ter o joelho pisado no dia seguinte. Corro a alcançar um caderno e vasculho por uma caneta que está no seu sítio de sempre mas que eu falho em encontrar. Lembro-me finalmente de ligar a luz (visão iluminada esta, não).
Escrevinho no papel pautado ou liso (depende de qual me cair nas mãos primeiro), em letra ridiculamente ilegível e que provavelmente não entenderei na manhã seguinte.
Recordo-me que me esqueci de colocar os óculos quando dou por mim a colar o rosto à folha ao mesmo tempo que escrevo. Não me dou ao trabalho de os colocar, mas resmungo porque me doem as vistas. Termino.
Deixo o caderno aberto à frente do computador e a caneta a balouçar em cima dela, prestes a cair a qualquer instante.
Apago a luz e volto para a cama. Aconchego os lençóis. Fecho os olhos numa tentativa fútil de voltar ao estado pré-sono.
Passam-se minutos e eu finalmente consigo voltar ao ciclo que me permitirá dormir até de manhã.

Mais uma ideia!

Ergo-me com um salto. Quem sabe a ideia não foge antes de eu alcançar o papel?
Tropeço novamente no baú. Saltito até à mesa do computador, massajando o meu tornozelo. Desta vez lembro-me de ligar a luz e rapidamente escrevo o que está a ocupar-me a mente.
Sinto-me pronta para tudo. A vontade de ligar o computador e começar a teclar é enorme e nem as dores de cabeça, fruto da falta de óculos, me demove dessa ideia.
Olho para o relógio. São 2,30h da manhã. Acabo de expor as sequências no papel e volto para a cama. Esqueci-me de apagar a luz. Prontos! É desta que durmo!
Deitada de papo para cima, não tenho vontade de fechar os olhos e as imagens da minha história começam a passar à frente dos meus olhos, como uma autêntico filme numa sala de cinema, com sistema 3D incorporado e tudo.
Viro-me para a esquerda.
Rebolo para a direita.
Ajeito as calças do pijama que entretanto já estavam quase na parte contrária do meu corpo e a meio das pernas, sem que eu percebesse muito bem como isso se tinha passado.
Dou voltas e mais voltas até que, sem me dar conta, acabo por adormecer.

No dia seguinte olho para os papéis em que apontei as minha sonolentas novas ideias. Não entendo metade do que lá está escrito, mas felizmente ainda tudo está fresco na minha memória. Decido apontá-las digitalmente. E lá vou eu toda contente escrever no documento “Ideias”, a juntar à enorme pilha que lá se acumula de dia para dia.

Será que algum dia poderei escrever tudo aquilo de forma satisfatória?
Talvez!
Mas é provável que não. Quando chegar a altura de isso acontecer, é fácil de imaginar que ache as ideias já caducadas ou que tenha outras mais recentes, mas aliciantes, mais imediatas.
Devo então ter pena das pobres ideias que nunca sairão da gaveta (hardrive)?
Não!
Devo limitar-me a fazer o melhor que posso e dedicar-me ao que me parece mais promissor, ou que simplesmente me puxa mais naquele momento. Haverá um tempo em que abrirei esses velhos ficheiros, esboçarei um sorriso e direi “Lá ideias nunca me faltaram!”.

Por isso armazeno, na esperança de poder desenvolver todos esses pensamentos, todos esses conceitos, todas essas cenas, personagens, situações, sentimentos, essas histórias que me invadem na calada da noite e perduram por muitos anos.
Quando não mais delas me lembrar, abro os ficheiros ou as capas e releio. É como se estivesse a ser invadida novamente.
Porque a musa nunca esquece. E o Viridis é nocturno e gosta de me manter acordada a noite toda.

Viríl, que andas a fazer com a nossa Ana?
Senhor Virilha. Como pôde.
Pude o quê?
Sabes muito bem o quê. Nunca pensei…
Estou chocadíssima.
Nós não estamos todos em sintonia, pois não?

Deixa lá Viridis. Só se é jovem uma vez! E eu não me importo de ter um muso que só trabalha à noite.

Momentos 03

momentos_01Oho! hoje somos os protagonistas.
Eu não gosto de ser o centro das atenções.
Quem falou de ti? Estava a referir-me a mim e ao … qual é mesmo o nome dele?
Pergunta-lhe!
Acho que o vou apadrinhar de Black.
Não era mais fácil perguntar-lhe?
Para quê? Ele nunca diz nada!
Isso não é bem verdade.
Claro que é! Observa.
Yo, Black, afinal qual é o teu nome?

Vês? Eu bem te disse.
Acho que ele está zangado.
Não está nada! Lá estás tu a fazer filmes …
Mas ele tem uma estranha aura vermelha à sua volta. Olha!

Aquilo é um efeito todo catita. Nada que o Photoshop não consiga fazer.
Acho que vejo umas veias a saltar-lhe da testa …
Não sejas parva. O Black é a calmaria em pessoa. Nada no mundo o deixaria irritado. Não é Black?
O meu nome é Bond, James Bond Viridis.
VÍRIL?
Vi-ri-dis. É verde em latim.
Víril … Oho … as possibilidades …
Já disse que é Viridis!
Não vale a pena, virilha ...
VIRIDIS!
Ou isso!

E aqui termina a auto-introdução do trio maravilha. Purpurissum, Caeruleume Viridis, as duas ajudantes de musas  e o MUSO (o verdadeiro e único) do meu subconsciente. Chamemos-lhes apenas Pu, Ca e Vi, sim?

Nem pensar!

Donde saiu uma ideia tão estúpida?
Não.

Realmente … Pu soa mesmo mal e Ca parece um local, já para não falar que Vi parece nome de rapariga. Vamos ficar por P, C e V. Está bem assim? (Se fosse PVC …)

Que é essa merda? ‘Tás-te a passar?
Não sei que diga, mas é ridículo sugerires isso.
V de Vendetta … não parece muito mal!
Cala-te Víril!
É Viridis!
Ainda agora era Vendetta. Em que ficamos?
Ok! V talvez não seja a melhor escolha…
Bem me parecia.

Prontos, está bem! Já aceitam se for Purp, Caer e Viri?

Assim está melhor! Caer, tem estilo!
Purp soa um pouco estranho, mas prontos …
Não sei.
Víril! Estás condenado!
Já disse que é Viridis.
Não vale a pena Virilha.
Viridis!

Bem, agora que já calamos ultrapassamos este problema, vamos à descrição destes peculiares ajudantes à criatividade.
Purp e Caer são gémeas. Cópias autênticas uma da outra, que por sua vez são uma versão chibi (super-deformed, cartoon) de mim mesma.
As características que as distinguem são, para além da óbvia forma de dialoguar, o facto de que ambas têm um corno no centro da testa, mas no caso da Purp é um vermelho e na Caer é um azul.
Ambas têm também duas asas no lugar das orelhas. Uma preta do lado direito e uma branca do lado esquerdo. Isto significa equilíbrio entre o bem e o mal.

O Viri deve ter uma vertente emo. Passa a vida enfiado nos cantos, coberto pela escuridão e quando surge vem sempre com cara de poucos amigos. Não cortas os pulsos pois não?

Não.

Ainda bem!
Passando à frente. Como dá para perceber, o Viri é o mediador do grupo. Sempre calmo e composto, é ele quem põe um ponto final nas constantes disputas das outras duas. Prefere manter-se à margem das coisas, apenas interrompendo quando acha absolutamente necessário. Não é lá muito falador. Coitado … deve-se ver às aranhas com estas duas.

Hey! Estás a falar de mim?
Não sejas má!
Não sejas é parva! Quem é que é difícil de aturar?
Comecemos por ti e acabemos contigo, está bem?
Estás a falar comigo, sua amostra gratuita de musa?
De quem mais poderia estar a  falar?
Do teu reflexo no espelho, minha anormalidade genética!
Que falta de educação! Eu conheço-te de algum lado, sua aprendiz de musa?
Como é que é? Repete lá isso!

Vá meninas, acalmem-se lá de uma vez. Estamos a fugir ao tópico.
CALA-TE!
*POW*
*POW*

Onde é que estávamos?

Muito obrigada, meu querido Viri. És um negociador nato!
Continuando …
A Caeré, claramente, uma mal educada de todo o tamanho. Diz tudo o que lhe vai na mente mas normalmente é muito positiva e é a que mais me incentiva a prosseguir. Mas claro, sempre com uma linguagem muito própria pelo meio. é ela que me impede de fazer um livro onde toda a gente morre (uma ideia constante na minha mente e na do Viri).
Já a delicadaPurp, bem … ela é uma snob! Sempre de nariz empinado, tem a mania que sabe tudo e está sempre do contra. Mas sempre mesmo! É ela que me impede de fazer um livro todo primaveril, cheio de felicidade e Mary-Sus.

Como podem ver, os três complementam-se. e em conjunto dão-me ideias fenomenais para o enredo, as personagens e os diálogos.

Personagens …
Olha que ainda não percebi como pudeste abandonar assim o Gabriel.
Ai o Gabriel …
Aquele GATO!
Ai, ai …
Não sei porque é que vocês se babam para ele. Nem sequer é perfeito.
Quem quer perfeição quando se tem um gajo daqueles nos braços?
A perfeição não existe, virilha!
Viridis!
Ou isso. A perfeição é só uma palavra bonita que define algo de intangível. Assim como o infinito!
Lá está ela com as suas filosofias …

E ficaram agora a saber que as duas meninas da claque adoram de morte o Gabriel (Angel Gabriel).
Viri isso é tudo ciúmes?

Eu não tenho ciúmes de uma personagem ficcional.
Bah! Fala o MUSO!
Ao menos eu penso por mim próprio.
Olha o que te vale é que tens um corpinho jeitoso, senão eu e a P já te tinhamos posto daqui p’ra fora. Não é P?
Purpurissum, por ser para ti.
Cala-te snob de uma figa!
Snob? Isso é um ultraje!
Ultraje? Quem é que usa essa palavra, hoje em dia? SNOB!
Meninas, acalmem-se!
CALA-TE!
Não querem ir parar novamente à enfermaria, pois não, meninas?
Não stresses, Víril!
Viridis!
Sr. Virilha, faça o favor de não se exaltar. Nós somos duas ladies. Bem … pelo menos eu sou.
Lady! Não me faças rir!
Meninas …
Sim senhor V.

E hoje ficamos por aqui. Já sabem mais um pouco sobre o trio. Cada um mais doido que outro. Espero que esta pequena viagem pelos meandros da minha mente não tenha sido muita chata. Mais virá numa próxima sessão exclusiva com os três (talvez).

Foi um prazer conhecerem-me, não foi?
Para a próxima tens que combinar estas coisas com mais antecedência. Eu tenho uma agenda muito preenchida.

P.S.: Purpurissum, e Caeruleum são palavras em latim que significam Vermelho e Azul, respectivamente. Muito imaginativo, certo?