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Percurso na escrita de Guião para BD – Parte 2

A segunda parte de “Percurso na escrita de Guião para BD” debruça-se sobre a banda desenhada “Que Sorte a Minha“, que fiz em colaboração com a Natacha Salgueiro, e que foi publicada integralmente no Jornal Barcelos Popular, entre 2006 e 2007.
Este vídeo é longo! Depois não digam que não avisei. 🙂

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Percurso na escrita de Guião para BD – Parte 1

Se me costumam seguir nos outros blogs (Floresta de Livros e Asa da Mente) já devem saber que tenho produzido alguns vídeos. E, finalmente, decidi fazer um relacionado com a escrita. e que melhor maneira de começar que com a escrita para BD? Que foi onde dei muitos dos meus primeiros passos.

Espero que gostem e que não seja demasiado chata:

Deixem os vossos comentários! A segunda parte será publicada na próxima semana.

Extraterrestres (Semanário 105)

Conforme disse no post anterior, decidi começar o ScriptFrenzy, mesmo quando já estava perto do meio do mês.
No dia 13 escrevi logo 7 páginas, mas por variados motivos, no resto da semana não escrevi mais nada.
No entanto isso não significa que tenha desistido, bem longe disso, pois o meu único objectivo com esta participação, é escrever o argumento da BD que mais tarde vou usar para o 24 Hour Comics. Ou seja, só estou mesmo preocupada em escrever as 24 páginas e, de certa forma o ScriptFrenzy é apenas uma ‘desculpa’ para o fazer.

A história da BD, temporariamente chamada “Visitante Indesejado“, é um romance/comédia sobre duas raparigas em viagem, que encontram um extraterrestre, que terão de ajudar a regressar ao local de onde veio. A premissa não parece grande coisa, eu bem sei, mas a verdade é que as cenas que tenho planeadas prometem ser boas e tenho alguns planos para esta história, que não deverá ser muito longa, mas que certamente será divertida.

Mas, uma coisa curiosa, foi que logo nas primeiras vinhetas, reavivei a personalidade das personagens que criei há cerca de dez anos. É engraçado ver como, na única página de Bd que desenhei para esta história (na altura da ideia original), conseguiu dar a entender a personalidade e até um pouco do passado das personagens. Fez-me sorrir, muito sinceramente, e também me fez perceber como, por vezes, realmente uma imagem vale por mim palavras.

E, já quase me esquecia, no fim-de-semana (16 e 17 de Abril) fui ao Conversas Imaginárias, que foi bastante melhor do que estava à espera. Valeu a pena, e quem não foi, não sabe o que perdeu (mas em breve saberá, porque irão colocar vídeos de todas as ‘mesas’ na internet).

Para a semana espero ter mais para contar, entretanto, escrevam muito.

No Floresta de Livros:
Ficções, de Jorge Luís Borges;
Crónicas do novo mundo, de José Ilídio Torres e Silva Torres;
– Booking Through Thursday – Cereais & Visual;
– Compras e Ofertas – Março 2011;
Bang Bang – Ultimate 1, de Hugo Teixeira;
Bang 9, revista;
– Booking Through Thursday – Personalidade;
Classificações – uma decisão.

No exterior:
What was I thinking?, no Writer Unboxed;
Which Voice?, no Writer Unboxed;
3 Traits your hero and villan shoul share, no WordPlay;
Lessons of the first draft, no Writer Unboxed;
Launch Day, no Writer Unboxed;
Writing you fears, no Writer Unboxed;
The mess in the middle, no Writer Unboxed;
Are you dense?, no A Newbie’s guide to publishing;
90% Perspiration, no Writer Unboxed; (é como se tivesse sido eu a escrever isto. Certeiro!)
Os Desafios da Escrita, no Chocolate para a Alma;

Eu ou Ele/a (Semanário 98)

Comecei a semana com o terminar o guião para “Não alimentem a Caveira“, que pretendo também poder desenhar num futuro próximo (embora este vá ser bastante mais demorado que o “Quando chegas já é tarde“, não só por ter mais algumas páginas, como por eu ter pretensões de o fazer a cores).
Sem planear, acabei a começar a reler o “V.I.D.A.“, e mais tarde a rever um pouco do “Alma“. E para não perder o fio à meada, ainda escrevi mais para o “Sacrifício” e revi algumas partes que tinha escrito antes, mas nada de muito substancial.

Durante o resto da semana, mantive-me ainda nos mundos de “Alma” e “Sacrifício“.
Percebi, para meu suplício, que vou ter muito trabalho a fazer na revisão do “Alma” e já estou a ficar com dores de cabeça só de pensar nisso. Para já estou apenas a corrigir erros ortográficos e a dar uma olhadela pelo manuscrito, enquanto tento detectar lacunas na história.
Para meu grande espanto, acabei por ocupar quase toda a semana com este leitura (sim, porque nunca tinha chegado a ler o que escrevi em Novembro passado) e pouco consegui fazer na matéria do “Sacrifício“, lacuna que pretendo preencher na próxima semana.

Um ‘problema’ recorrente que me surge quando estou a escrever um texto (seja conto ou romance), e que já aqui mencionei por várias vezes, é o ponto-de-vista. Sou adepta da 1ª pessoa, mas gosto de experimentar a 3ª pessoa (assim como mudar os tempos). Sei que há histórias que funcionam melhor de uma forma que de outra, e algumas nem sequer pondero escrevê-las de maneira diferente pois percebo que não iria funcionar, mas, no caso de “Alma” continuo indecisa.
Não sei se se recordam, mas em Novembro comecei a escrever esta história na 3ª pessoa, e quando já ia a um quarto da história, mudei de ideias. Na altura estava convencida que a vista da 3ª pessoa não estava a funcionar em prole da narrativa, e por isso saltei para a 1ª pessoa, consciente que mais tarde teria de reescrever tudo o que ficou para trás. O problema é que, agora, ao reler o texto, estou novamente num dilema. Parece-me, sem sombra de dúvida, que a 3ª pessoa – a minha primeira escolha – foi na verdade a mais adequada. E se há cenas que funcionam bem na 1ª pessoa, outras há que até me irritaram de tão insossas que soaram.
Ainda não decidi o que vou fazer, mas, seja qual for a minha decisão, o “Alma” vai praticamente ter de ser reescrito de raiz. Ai, mãezinha, que já fico doente só de pensar!

Já alguma vez vos aconteceu o mesmo, ou sou eu que penso demasiado sobre isto?

No Floresta de Livros:
– “A Raposa Azul“, de Sjón;
– Booking Through Thursdays – Ponto de Partida;
– “A Noite e o Sobressalto“, de Pedro Medina Ribeiro;

No exterior:
The 10 Essential Grammar Rules, no Wordplay;
What makes bad romance, no Dirty Sexy Books;
8 signs your writing is stuck in a rut, no Wordplay;
How a blogging platform can aid novelists, no Wordplay;
Revising that fight – Part 2, no Deadline Dames;
The Missing Link – NaNoEdMo, no Writer Unboxed;

Originalidade (Semanário 97)

Comecei a semana a escrever o guião para uma pequena banda desenhada (somente quatro páginas de BD), que já tinha escrito em 2003 (tanto tempo …), mas que nunca cheguei a desenhar, porque na altura tinha pedido a uma conhecida para fazer os desenhos. Como isso nunca se concretizou, no fim-de-semana andava a vasculhar as minhas ideias antigas e vi aquela. Não é um mimo de originalidade, mas gosto do conceito e por isso decidi ser eu a desenhar esta curta. Devo começar a trabalhar nela em breve, agora que o guião está aprimorado. O título, para já, é “Quando chegas já é tarde“.

Ainda na segunda-feira, escrevi um pequeno conto intitulado “Um erro, várias culpas“, que mais tarde publiquei no blog AQUI. E ainda tive tempo para escrever bastante no “Sacrifício“, por isso posso dizer que foi um início de semana bem produtivo.

Também a terça-feira e a quarta-feira foram dias muito bons, que dediquei exclusivamente ao “Sacrifício“. os restantes dias foram mais pobres e na sexta-feira acabei por começar a escrever mais um guião de banda desenhada, já maior que o anteriormente mencionado, e cujo título(talvez provisório) é “Não alimentem a Caveira“. Que, como se imagina, é uma espécie de comédia de fantasia.

O fim-de-semana nada trouxe de novo no campo da escrita, porque me dediquei exclusivamente ao desenho, e a mudar o meu quarto (fiquei toda dorida).
E em termos de “diário”, é isto que tenho a dizer, agora passemos às filosofias, pouco filosofais.

Durante a semana, dei comigo a pensar, até que ponto podemos deixar a nossa escrita, e também as nossas ideias, serem influenciadas pelo que nos rodeia. Pelo que lemos, pelo que vemos, pelo que ouvimos.
Já por várias vezes o disse: «Acho que nada, hoje em dia, é realmente original». Podemos tentar ser o mais originais possível, e certamente não devemos levar isto como uma ‘permissão’ para plagiarmos o que quer que seja, mas olho para os meus mais recentes trabalhos (especialmente desde Dezembro passado) e sei-vos dizer exactamente porque tive aquela ideia ou a outra. É estranho, e deixa-me insegura. Não é que eu esteja a copiar (propositada ou inadvertidamente), mas a influência está lá. Totalmente visível para mim, e até acredito que poucas outras pessoas percebam de onde ela vem, mas a mim incomoda-me um pouco.
Também sei que são fases, porque já noutras alturas tive estas mesmas dúvidas, apenas para as ver esfumarem-se pouco depois. Mas entretanto, sinto-me fraquejar.

Já vos aconteceu isto?

No Floresta de Livros:
– “The Alibi“, de Sandra Brown;
– “Voodoo Girl“, de Eva Dias Costa;
– Compras e Ofertas – Janeiro 2011;
– Booking through Thusrday – Vida Real;
– “Goose Chase“, de Patrice Kindl;
Correntes d’Escrita 2011, programa do evento.

No exterior:
A very brave thing, no The Deadline Dames;
The 4 most common mistakes Fiction Editors see, no Wordplay;
Howard Jacobson gives his top writing tips, no BBC (Gostei mesmo muito, especialmente da forma como o autor fala. Vejam!);
Revising that fight – Part 1, no The Deadline Dames;
Are you confusing readers with poor cause and effect?, no Wordplay (está aqui uma coisa na qual nunca tinha pensado. Acho que não o faço muitas vezes, mas acredito que de vez em quando aconteça. Agora se é mau ou bom, isso já é outra história);

Dose Diária (SF) 06

Durante o dia 6 consegui escrevr 4 páginas para o 5º capítulo, de nome “O Lobisomem”.

Não há muito que possa dizer, além de que escrevi mais acção (pois claro) e comédia, como não podia deixar de ser.
Aqui está uma história que não tem romance, embora a Heroína tenha uma paixoneta pelo desaparecido Herói e a Princesa esteja eternamente à espera do seu Príncipe. Mas isso não conta, pois não?

Excerto:

A figura aventura-se para a luz e vê-se um enorme lobo de dentes arregaçados, a babar-se, pronto a atacar (SFX: GGGRRRRRRRRRAA).

A Heroína continua na defensiva, de espada no ar. O Mascote perde a cor e todo o seu pêlo está eriçado.

HEROÍNA
Cão lindo. Cão lindo. Cão …

O lobo lança-se na direcção dos dois, de boca aberta e furioso (SFX: GRAAAAUUUUU GRAAAAUU).

HEROÍNA
… LINDO!

Contagem: 19 páginas

Dose Diária (SF) 05

No quinto dia terminei o quarto capítulo. A Princesa regressou ao palácio e todos viveram felizes para sempre (ou não).

Pensava escrever mais, mas saí para aproveitar o dia de sol, já para não falar que tive de trabalhar (estive sozinha, porque infelizmente uns têm mais sorte que outros).

Voltando ao que interessa, o Mascote quase foi beijado, a Princesa bem que podia ter caído da torre abaixo, e a Heroína continua a sonhar em tornar-se Princesa. Sonha, sonha …

Aqui fica o excerto:

HEROÍNA
Não havia uma lenda qualquer em que a Princesa beijava o sapo e este se transformava num Príncipe?

PRINCESA
Essa lenda é de outro reino. Aqui o Príncipe tem que chegar ao cimo da torre, beijar-me e depois levar-me para o castelo, onde todos despertarão do seu sono profundo.

HEROÍNA
Mas nesse caso não era suposto também a Princesa estar a dormir?

A Princesa cora e vira o rosto para fora, de olhos fechados, demasiado embaraçada para encarar os seus visitantes.

PRINCESA
Já me começavam a doer as costas de tanto estar na mesma posição, por isso agora durmo só de noite. Não quero arruinar a minha coluna com sono a mais.

Contagem: 15 páginas