Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Depende da Perspectiva (Semanário 120)

3 Comentários

Passei a semana toda a riscar de vermelho as páginas impressas do primeiro rascunho de “Alma” e a escrever coisas como «Esta cena está muito Bleh!» (não estou a brincar!) no canto das folhas, com chavetas e englobar capítulos inteiros.
Tinha ainda umas folha à parte onde resumi muito apressadamente certas cenas que precisaria de introduzir na história, ou relações que teria de aprofundar mais do que estavam, de forma a que a história tivesse mais sentimento. Isto incluía relacionamentos amorosos,amigáveis e familiares, etc.

Cheguei ao fim com relativa facilidade, até porque como vou reescrever quase tudo, claramente não estive com muitos detalhes a mudar estruturas frásicas ou descrições, etc.
Apesar de, ao fazer esta leitura, me ter apercebido que o que escrevi tem bastante potencial, também foi ainda mais notório como não organizei o livro da melhor forma, nem fiz a melhor escolha com a POV na 1ª pessoa (Erro!).
Sinceramente nunca concordei com quem diz que o ponto de vista da 1ª pessoa é para os preguiçosos ou para os escritores novatos (não que eu não seja um). Aliás, de certa forma, acho até que este POV consegue ser mais exigente que o da 3ª. Senão vejamos: Temos  de ter um conhecimento intrínseco da personalidade da personagem, temos de gesticular a acção de forma a que a informação seja correctamente exposta, já que ao vermos pelos olhos de uma só personagem acabamos por não saber tudo sobre tudo, além de que quando temos vários POV na 1ª pessoa, temos de nos assegurar que cada um é único, com uma escrita distinta, e que todos são vitais para a história e não estão lá só para ‘encher chouriços’.
Claro que a perspectiva da 3ª pessoa tem também muito que se lhe diga (ou não fosse eu ter alguns percalços com esta perspectiva), mas o que quero dizer é que não acho que um seja menor que o outro. Nem sequer o POV na 2ª pessoa, que todos parecem odiar, pode ser considerado mau, já que se usado da forma correcta, acredito que possa ser uma experiência bem diferente (a Anna Raffaella parece estar a pensar fazer um nesta perspectiva, e não é segredo porque ela já o disse no blog).

Mas avancemos para outro tema, com o qual me deparei esta semana, enquanto revia os textos, e depois, quando comecei a tentar reorganizar a história da melhor maneira. Refiro-me às Outlines! (e o mais espantoso é que esta semana este parece ter sido um tema em voga, já que não fui a única a mencioná-lo; vejam o “No Exterior”, em baixo).
E que é isso da Outlines? Assim muito resumidamente, é quando um escritor decide organizar os acontecimentos da sua história, antes ou durante a escrita do mesmo (aconselha-se antes, mas cada um funciona de maneira diferente).
Eu nunca fui muito de fazer outlines, porque quando começo a escrever uma história, normalmente sei quais são os acontecimentos centrais e alguns de relevância um pouco menor. Conheço as personagens e sei, por norma, onde quero começar e terminar a história. Por isso, o que acontece comigo, é que tenho tudo na cabeça, e depois sento-me a escrever, sem passar as ideias centrais para o papel e tentar organizar-me. Isto correu-me bem com o “Angel Gabriel“, com o “Através do Vidro” e com o “Dragões e seus Sacrifícios“. Já no caso do “V.I.D.A.“, confesso ter feito um pequeno outline, não muito pormenorizado, por onde me guiei.
Contudo, e como já aqui referi, a falta de um outline não funcionou tão bem com o “Alma“. Embora não possa dizer que a experiência correu mal, a verdade é que teria corrido ainda melhor se eu tivesse organizado os meus pensamentos, e a história, antes de começar a escrever. As mais complexas, em especial, necessitam de um auxiliar, pois por mais que um autor ache que sabe tudo sobre a história, acaba sempre por se esquecer de algo (além das muitas coisas que surgem e com as quais não contamos).
Não me arrependo de o ter feito, mas agora que vou reescrever a história, sei que preciso de algo mais. Daí que, finalmente, decidi dar o uso aos meus quadros de cortiça e post-its coloridos. Em frente, Outline! (mais pormenores sobre isto na próxima semana)

E vocês, costumam fazer outlines ou deixam-se levar pela brisa (como pássaros livres)?

Nos meus blogs Floresta de Livros e Asas da Mente:
Contributo na NanoZine nº3;
– Top Ten Tuesday – Trends You’d Like To See More of/Less of;
– Compras – Julho 2011;
– “Voyager nº 1“, fanzine de vários artistas;
– Booking through Thurday – Antecipação;

No exterior:
Mugging the Muse: Como Planear Histórias, 101, no Fasten your Fiction;
It’s Just Business, no Murder She Writes;
Finding yourself somewhere else, no blog de Deanna Kippling;
Let’s nix that “F” word form your book, Michelle, no The Innocent Flower;
- Outlines, why did it have to be outlines?, no blog de Kate Noble;
10.000 words in one day? No way … Way!, no Murderati;
This is dedicated to the one I love, no All About Romance;
Getting it right, no Murder She Writes;
Editing, no Murder She Writes;
All About Amnesia, no Dear Author;
Didn’t expect that to happen, no ACME Authors Link
It’s all material, no blog de Patricia C. Wrede;
Why writers use a 1st person narrator, or not, no blog de Walt Shiel;
Maintaining Your Enthusiasm Until the Book Is Completed, no WordPlay;
Short story submission tips, no blog de Deanna Knippling;
7 Ways to Make Family and Pets Respect Your Writing Time, no WordPlay;
Rules, what rules, no blog de Patricia C. Wrede;
“My novel’s too ‘fringe’ – will any commercial publisher on the planet be interested?”, no Writer Unboxed;
Wake up your readers! How to thicken a plot, no blog de Alan Rinzler;
Behind the Scenes: Pesquisa, no Crónicas Obscuras;

Author: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

3 thoughts on “Depende da Perspectiva (Semanário 120)

  1. LOL, a minha revisão é exactamente assim, com comentários tipo “WHAT THE HELL WAS THAT?” e “por amor de Deus, Chloe, impõe-te!”. Espero que a tua corra da melhor forma possível.

    Also, POVs. Acho que já é sabido que sou extremamente liberal no que toca a eles. Sinto-me mais confortável em primeira pessoa presente, mas porque tende a ser tido como “estranho” por quem lê, refugio-me na primeira pessoa passado. Claro, Fallen foi em terceira pessoa, mas teve de ser – ou ia ter séries dificuldades a ocultar os planos do Raphael, se o escrevesse em primeira pessoa. Pois, e agora ando a brincar com a segunda. Acho que é linda. ^_^

    Oh, e agora estou ansiosa por ver os resultados desse outline! :D

    xx

  2. É mesmo isso! XD Comentários de autor são mesmo bárbaros (às vezes).

    E a minha outline não será nada de especial (imagino), a não ser pelas cores. Muita cor! Mas para a semana vou tirar uma foto para mostrar como fica.

    E boa sorte com o POV na 2ª pessoa. Estou curiosa por ver o resultado.

  3. “E vocês, costumam fazer outlines ou deixam-se levar pela brisa (como pássaros livres)?” Outlines, alguns mais elaborados que outros, é verdade…

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