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Sobre Pontos de Vista

Lembro-me de já algumas vezes tocar nesta assunto aqui no blog: Pontos de Vista. Hoje vou falar de um caso específico e de como, com o tempo, as nossas certezas se podem transformar em incertezas.

Escrita Criativa - o Relatório

Quando comecei a escrever, cheia de imaturidade literária e narrativa, testei várias formas de narração através dos pontos de vista. Existem muitos tipos de pontos-de-vista mas os principais são: escrita na 1ª pessoa, na 2ª pessoa e na 3ª pessoa (estes subdividem-se, mas foquemo-nos no principal).

A 2ª pessoa nunca usei e, sinceramente, tenho receio de usar. Até hoje ainda não li um livro que o usasse bem, a não ser aqueles livros em que podes escolher o teu próprio final.

A 1ª pessoa foi, desde o início, aquele que me saiu mais fácil: Na altura diziam-me que só quem não sabia escrever é que usava a 1ª pessoa, que era de preguiçosos e Yada, yada, yada … Até hoje, discordo. Aliás, cada vez discordo mais. Acho que a 1ª pessoa é a mais difícil de escrever BEM. É, certamente, a mais fácil de escrever no início porque muitas vezes vivemos intensamente as histórias que criamos, mas para escrever BEM na 1ª pessoa, temos um grande desafio pela frente. Mesmo muito grande!
Cada vez mais percebo isto e cada vez tenho mais receio de escrever na 1ª pessoa, pois temos de conseguir dar uma voz muito única, muito reconhecível a todo o texto. Não podemos escrever como nós, senão todas histórias que escrevemos soam iguais e o POV da 1ª pessoa deixa de ter um propósito. Por exemplo, acho que funcionou bem no Electro-dependência, no Dispensáveis e no A Última Ceia.

A 3ª pessoa foi, para mim, a mais difícil de maturar. A princípio tudo o que escrevia neste ponto-de-vista me irritva. Havia uma separação entre mim e o que estava a escrever e não conseguiu atravessar a ponte. No entanto, quanto mais testava esta narrativa, mais percebia que funcionava, que era a que me permitia melhor expressar as personagens e que obrigava a menos diálogos internos, menos Blah blah, blah.

E então porque decidi falar nisto agora? Simples! É que estou a ler o “Alma“, a versão do 1ª rascunho, que escrevi no NaNoWriMo de 2010, e a odiar cada frase que escrevi na 1ª pessoa, e a amar quase tudo o que escrevi na 3ª pessoa.

a ler Alma - ana c nunes

No dia 8 de Novembro de 2010, conforme efusivamente contado AQUI, eu tomei a brilhante ideia de parar de escrever Alma na 3ª pessoa e passei para a 1ª pessoa.É irónico como a razão que eu apontei para justificar esta mudança, é na realidade a mesma porque hoje acho que esse foi o maior erro que cometi neste 1º rascunho da história:
– Humor: O humor subtil que consegui escrever na 3ª pessoa funciona! Enquanto que até agora tudo o que li na 1ª pessoa de Alma não me provoca qualquer reacção de riso ou sequer sorriso. O humor perdeu-se em introspecções aborrecidas e info-dumps.

Alma tem tantas personagens e uma trama tão rica quanto subtil, e a 1ª pessoa rouba-a de personalidade, de diversidade, de intensidade mais que tudo!
Sinceramente não consigo entender porque, enquanto escrevia, achava que estava a funcionar.

Estou apenas a ler o texto, nem sequer estou a apontar erros ou o que deve ser mudado, não só porque quero ler sem me preocupar com as correcções, mas porque a verdade é que tenho vontade de riscar tudo!
A única coisa que acho que poderei salvaguardar do que está escrito na 1ª pessoa são alguns diálogos e, claro, a história central que está sólida. O que não está bem é o texto. Vai tudo sumir! KAPUFF!

a ler Alma - ana c nunes 2

Nunca pensei dizer isto mas, cada vez adoro mais a escrita na 3ª pessoa, e temo a escrita na 1ª pessoa, excepto para a escrita de contos que se focam numa só personagem, ou outras histórias de premissa semelhante. No restante, a 3ª pessoa é, quase sempre, a melhor opção. Não estamos limitados à visão de uma só personalidade, nem aos seus pensamentos, nem às suas características. E por mais que isso possa e funcione a favor da história em certas premissas, em romances (livros) raramente tem  o efeito desejado. Mas, claro, excepções existem muitas e boas.

E vocês o que acham? Prefere ler/escrever na 1ª, 2ª ou 3ª pessoa?

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Vistas (Semanário 139)

Correndo o risco de me repetir, qual disco riscado, a semana que passou foi uma que me deixou muito irritada, em termos de escrita. Tudo isto porque me deparei com um problema recorrente, que me anda a dar cabo dos nervos e da paciência. Conseguem adivinhar qual? Pista: É referente ao “Alma“.
Pois, nem mais. Voltei ao dilema do P.O.V. (ponto-de-vista). Juro que já me irrito por andar irritada em não conseguir decidir afinal que POV usar. Como é possível? Eu nunca antes tive tanta dificuldade em chegar a um consenso. História houve que não foi À primeira que decidi, mas nunca estive tanto tempo indecisa. E pior! sempre a mudar de ideias. Sim, porque se bem se lembram, da última vez eu disse que já estava decidido, mas depois esta semana estava a pensar recomeçar a revisão e fui novamente assolada por dúvidas atrás de dúvidas.

Juro que ando tão zangada com a minha incapacidade de resolver este dilema, que cheguei ao cúmulo de pensar em desistir de vez do “Alma”. Mas depois lembrei-me de porque gosto tanto desta história e porque acho que tem potencial. Ainda assim, a ideia de o pôr de parte durante uns bons meses, ficou-me na mente e quem sabe se por causa disto não vou passar outras revisões para primeiro plano (coisa que não queria muito fazer mas que, dadas as circunstâncias, talvez seja a opção mais acertada).

Ainda por culpa de tudo isto, dei por mima a reescrever o início de “Alma” para tentar perceber na 1ª pessoa e se por um lado achei que funcionou, acho que a longo prazo (no resto do livro) isso não será uma vantagem. Já sei que o POV na 1ª pessoa de várias personagens não funciona e por isso pensei que fazer o POV na 1ª pessoa e cingir a perspectiva a 2 personagens (Garnath e Ellaine). Ao princípio isto pareceu-se lógico e a resposta certa ao meu sempre eterno dilema do POV nesta história (nunca tive tanta dificuldade em escolher), mas depois parei e raciocinei. Não é preciso pensar muito para perceber o padrão. Estou sempre a mudar! Nunca estou satisfeita e nenhum dos POV me parece o acertado. Isso poderia querer dizer que devia alternar entre 1ª pessoa e 3ª pessoa, mas se eu não gosto de ler isso no livro dos outros, muito menos irei gostar de o escrever. Por isso fica tudo em ‘águas de bacalhau’. Resisti à tentação de começar mais uma versão e dei tempo ao tempo, na esperança que isso me ajudasse, embora não tenha ajudado até agora.

Quero tanto reescrever a história, porque acho que tem mesmo potencial, mas sem decidir este (maldito) pormenor técnico não posso avançar nem uma linha. Já não sei mais que fazer, sinceramente. Por um lado acho que o melhor que tenho a fazer é dedicar-me a outro projecto (ou não tivesse eu quatro romances para rever), mas por outro lado sinto que este é o momento certo para me dedicar ao “Alma“. Sinceramente às vezes acho que a história não quer ser contada, ou que eu me estou a focar no que não interessa e a esquecer-me de algo muito mais importante.

Noutros assuntos, durante a semana transacta enviei novamente o “V.I.D.A.” para várias editoras com nova carta introdutória e sinopse revista. É cruzar os dedos e esperar pelo melhor.

Também foi uma semana para ‘espalhar a palavra’. Que é como quem diz, tenho dois contos meus espalhados pela web:
– no Conte Connosco, onde os contos sobem no ranking conforme os votos. “Rotina” está lá, por favor votem se gostarem do conto. AQUI;
– no A Viagem dos Argonautas, com o conto “Como Ondas“, sob pseudónimo Corvo Silva;

Um Feliz Natal para todos os que festejam. Para os restantes … um bom interlúdio antes do final do ano. 🙂

Nos meus outros blogs:
Incentivo 7, uma ilustração;
– Garnath e a Bola de Cristal – Página 18;
Blogues e Leitores – Convite;
Tertúlia “Blogue e Leitores” – um resumo;

No Exterior:
Behind the Scene: Condições Ideais III – Local, no Crónicas Obscuras;
How I Create my Heroes and Heroine, no blog de Kate Noble;
Increase Your Story’s Suspense With Breadcrumbs, no WordPlay;
Deciding on a voice, no The Book Designer;
How to keep dialogue lively, no The Writer Magazine;
Behind the Scene: Condições Ideais IV – Hora , no Crónicas Obscuras;
Recursos do Escritor: As funções do Diálogo, no blog de Sara Farinha;
Open to Interpretation, no Soul of a Word;
Recursos do Escritor: Regras para escrever bons diálogos, no blog de Sara Farinha;
Rewriting: the Genre Pass, no blog de Alexandra Sokoloff;
When they don’t wanna, no blog de Patricia C. Wrede;
How Do You Decide Which Story You Should Write?, no WordPlay;
Behind the Scene: Condições Ideais V – Música, no Crónicas Obscuras;

Eu ou Ele/a (Semanário 98)

Comecei a semana com o terminar o guião para “Não alimentem a Caveira“, que pretendo também poder desenhar num futuro próximo (embora este vá ser bastante mais demorado que o “Quando chegas já é tarde“, não só por ter mais algumas páginas, como por eu ter pretensões de o fazer a cores).
Sem planear, acabei a começar a reler o “V.I.D.A.“, e mais tarde a rever um pouco do “Alma“. E para não perder o fio à meada, ainda escrevi mais para o “Sacrifício” e revi algumas partes que tinha escrito antes, mas nada de muito substancial.

Durante o resto da semana, mantive-me ainda nos mundos de “Alma” e “Sacrifício“.
Percebi, para meu suplício, que vou ter muito trabalho a fazer na revisão do “Alma” e já estou a ficar com dores de cabeça só de pensar nisso. Para já estou apenas a corrigir erros ortográficos e a dar uma olhadela pelo manuscrito, enquanto tento detectar lacunas na história.
Para meu grande espanto, acabei por ocupar quase toda a semana com este leitura (sim, porque nunca tinha chegado a ler o que escrevi em Novembro passado) e pouco consegui fazer na matéria do “Sacrifício“, lacuna que pretendo preencher na próxima semana.

Um ‘problema’ recorrente que me surge quando estou a escrever um texto (seja conto ou romance), e que já aqui mencionei por várias vezes, é o ponto-de-vista. Sou adepta da 1ª pessoa, mas gosto de experimentar a 3ª pessoa (assim como mudar os tempos). Sei que há histórias que funcionam melhor de uma forma que de outra, e algumas nem sequer pondero escrevê-las de maneira diferente pois percebo que não iria funcionar, mas, no caso de “Alma” continuo indecisa.
Não sei se se recordam, mas em Novembro comecei a escrever esta história na 3ª pessoa, e quando já ia a um quarto da história, mudei de ideias. Na altura estava convencida que a vista da 3ª pessoa não estava a funcionar em prole da narrativa, e por isso saltei para a 1ª pessoa, consciente que mais tarde teria de reescrever tudo o que ficou para trás. O problema é que, agora, ao reler o texto, estou novamente num dilema. Parece-me, sem sombra de dúvida, que a 3ª pessoa – a minha primeira escolha – foi na verdade a mais adequada. E se há cenas que funcionam bem na 1ª pessoa, outras há que até me irritaram de tão insossas que soaram.
Ainda não decidi o que vou fazer, mas, seja qual for a minha decisão, o “Alma” vai praticamente ter de ser reescrito de raiz. Ai, mãezinha, que já fico doente só de pensar!

Já alguma vez vos aconteceu o mesmo, ou sou eu que penso demasiado sobre isto?

No Floresta de Livros:
– “A Raposa Azul“, de Sjón;
– Booking Through Thursdays – Ponto de Partida;
– “A Noite e o Sobressalto“, de Pedro Medina Ribeiro;

No exterior:
The 10 Essential Grammar Rules, no Wordplay;
What makes bad romance, no Dirty Sexy Books;
8 signs your writing is stuck in a rut, no Wordplay;
How a blogging platform can aid novelists, no Wordplay;
Revising that fight – Part 2, no Deadline Dames;
The Missing Link – NaNoEdMo, no Writer Unboxed;