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Uma homenagem à Água

A água é um bem muito precioso e que devemos respeitar e do qual devemos cuidar constantemente, quer seja água doce ou salgada.
Trago-vos algumas ilustrações que fiz ao longo dos anos que ilustram ou se passam na água. Certas ilustrações estão relacionadas com projectos meus de escrita, outros não. Por favor notem que algumas já têm uns bons anos. 🙂
Podem vê-las todas AQUI. Espero que gostem! Fica só uma amostra:

Garnath a passear os cães na praia (romance
Garnath a passear os cães na praia (romance “Alma”).

Mas nem só nas ilustrações a água predomina, por isso convido-vos a ler “Miragem na Chuva“, um conto meu publicado na antologia “Tecendo Nós”, que podem ler gratuitamente AQUI.

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Como ondas

04_como-ondasEle conseguia sentir o vento forte a bater-lhe de encontro ao rosto. Os seus cabelos castanhos esvoaçavam livremente, assemelhando-se às ondas do mar que embatiam nos rochedos, muito abaixo de si.
Enquanto segurava a mão esquerda dela, fortemente entre os seus dedos fortes e grosseiros devido aos trabalhos esforçados que toda a vida tinha realizado, tentou recordar-se do que os levara até ali.
Tudo era tão vago …
Ao som das fortes ondas, o seu inconsciente parecia ter-se esvaído de qualquer pensamento. Nada o perturbava, nada o intimidava, nada o fazia mudar de ideias.
Ele não sabe quanto tempo passou até que decidiu olhar para o lado onde se encontrava a mulher que pretendia segui-lo até aos confins do mundo.
Eles tinham-se conhecido apenas alguns dias antes, por uma qualquer coincidência que nenhum deles conseguia explicar. A vida de ambos era insípida, cheia de frustrações e dissabores, uma vida de escravatura e para quê? De que lhes servia matarem-se, literalmente, dia após dia, trabalhando apenas porque tinham de fazer algo, sem nunca na verdade fazerem nada por si próprios, sem nunca conseguirem atingir algo que os completasse, que desse às suas vidas um qualquer mísero significado.
Encontrarem-se um ao outro foi o rebentamento de uma corda, já de si fraca de mais para sustentar o peso das suas vidas, mas foi também a criação de um pequeno cordão que uniu os dois. Algo muito frágil mas que na realidade não se quebraria nunca.
Pensavam da mesma forma, sentiam da mesma maneira, tinham os mesmos desejos. Sentiam-se quase felizes por se terem conhecido e essa réstia de felicidade levou-os a uma conclusão conjunta, ausente de palavras ou gestos, de amor ou de ódio. Uma conclusão que terminaria com um profundo alívio.

A força das ondas que rebentam contra a costa e aos poucos desgastam a dura pedra que cria um estonteante desfiladeiro. Nada lhes pareceu mais acolhedor.

Texto submetido ao desafio “Mar Nosso”  da Fábrica de Histórias.