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Dose diária 20

O 20º dia do NaNoWriMo começou bem. De manhã lá consegui espremer 1910 palavras em menos de uma hora e meia. Deve ser um recorde para mim (excepto durante as NaNo-meets, que tendem a ser bem produtivas).
E por falar em NaNo-meet, amanhã há mais uma. A minha carteira chora com todas estas viagens para o Porto, mas o convívio compensa.

Na hora do meu intervalo, lá escrevi mais 766 palavras. Nada mau para 30 minutos (ainda tive que ir comer qualquer coisa, se não caía para o lado).

E à noite consegui desencantar mais 1 885 palavras em 1 hora, sei lá como. Novo recorde! (caso não se tenham dado conta, eu faço este post por partes, por isso hoje bati o meu próprio recorde duas vezes.)

Gah! Quase … foi quase … podia ter chegado às 5 000. Por um bocadinho assim …
Bem … fica para outro dia.

Contagem “Através do vidro”:  10 363 palavras.
Contagem total: 33 768 palavras.

P.S.: Alguém devia fazer um estudo sobre “Porque é que as pessoas, leia-se portugueses, sabendo que uma determinada instituição pública está aberta das 9h às 21h, se lembram de ir lá às 21:05, de sexta-feira?” Especilamente quando ainda vão a correr atrás da empregada (não me pronuncio), dizendo que é urgente e que têm de entregar uma coisa que está numa PEN, tendo a dita funcionária de abrir a porta, ligar o computador, copiar os ficheiros para o computador e voltar a fechar tudo. Sinceramente … é que não é uma, nem duas vezes. São todas as sextas-feiras. pensam que eu não tenho mais que fazer?
Desculpem lá o desabafo, mas tinha de ser. Por favor … poupem-me!

Semanário 07

semanario1 Verdade seja dita, nas semana passada estive mais preocupada em arranjar emprego do que em escrever.

Mas, boas notícias! Eu e a Anna Raffaella (fasten your fiction) desafiamos-nos mutuamente a escrever, no mínimo, 1000 palavras por dia em Fevereiro. Como não quero ficar para trás, é muito provável que Fevereiro seja bastante produtivo em termos de escrita. Está certo que não tanto como Novembro (NaNoWriMo), mas bem melhor do que foi Janeiro. Afinal, tenho mesmo de andar para a frente com o “Angel Gabriel“, senão vou me arrepender muito.

Agora, na semana que passou, limitei-me a escrever um pouco para os meus pequenos contos. Nada realmente digno de registo. Preguiçosa!

Desabafos de uma inconformada

06_desabafosFazia parte da sua rotina diária visitar os sites de ofertas de emprego e concorrer aos anúncios para os quais era qualificada e que ficavam na sua zona e arredores. Aquele dia foi como outro qualquer e ela respondeu a três anúncios, o que era mais do que o normal, já que não costumavam haver muitas ofertas de emprego para aquela zona do país. Um desses anúncios não especificava email ou morada, apenas exibia um número de telefone para contacto. Prontificou-se a marcar o número e foi rapidamente atendida. Deu-se conta que se tratava de uma agência de emprego, na qual ela até já estava inscrita, fizeram-lhe perguntas quanto aos seus conhecimentos de línguas e outras aptidões que estavam descritas também no site do anúncio. Ela sabia ter todas as qualificações e até mais do que era pedido, por isso não houve problemas. Uma entrevista ficou marcada para o dia seguinte às 10h30m, numa cidade vizinha daquela onde residia.
No dia seguinte levantou-se mais cedo do que o que estava habituada. Estar em casa, desempregada, há cinco meses tinha dessas coisas.
Chovia com intensidade e ela ficou encharcada só de ir até à paragem de autocarro. Como já era hábito, o transporte público em questão chegou atrasado, em parte devido a ser dia de feira e ao consequente aumento de trânsito no centro da cidade. O preço da viagem foi de 2,30€, dinheiro que ela pensou ser bem gasto para a possibilidade de um bom emprego na sua área de formação.
A viagem foi longa, mas nada aborrecida. Uma senhora de idade sentou-se ao seu lado e predispôs-se a contar-lhe toda a sua vida, sem que ela percebesse muito bem porquê ou o que tinha iniciado tal desabafo.
Quando o autocarro atracou na central de camionagem, ela desceu rapidamente e atravessou a rua. O escritório que procurava era mesmo ali.
Deu com o nariz na porta! Que é como quem diz que descobriu que os empregados não abrem a loja a horas, já que o papel afixado estipulava que a loja devia ter aberto cinco minutos antes.
Decidiu ir a um café ali mesmo ao lado e tomar qualquer coisa para aquecer. Tinha os pés encharcados e estava a sentir-se um pouco tonta, por alguma razão que não entendia. Aproveitou para saciar o seu vício de chocolate e comprou uma saqueta de M&M, que reparou ser bem mais barata que na máquina de venda automática que havia na central de camionagem do outro lado da rua. O empregado do café foi extremamente simpático e conseguiu pô-la bem disposta naquele dia chuvoso.
Minutos depois voltou à loja da agência. Já estava aberta! Abriu a porta que estava encostada e entrou. Ao princípio pareceu-lhe não estar lá ninguém, mais uma vez percebeu que precisava substituir as lentes dos óculos, já que sob olhar mais atento viu uma senhora ao fundo da sala. Foi com alguma surpresa, no entanto, que ouviu a voz de outra mulher, vinda de trás de um biombo vermelho com vidro opaco e que quase não deixava antever a secretária por detrás.
“Aguarde um momento.”
“Com certeza!” – Ficou de pé e a mulher em questão não tardou a aproximar-se da mesa da recepção.
“Sim?” – Foi directa ao assunto, quase como se estivesse incomodada pela presença à sua frente.
“Eu liguei ontem por causa de um anúncio no site de emprego. Pediram-me para vir cá hoje a uma entrevista. Para a vaga de Assistente Administrativa.”
A funcionária da agência sentou-se em frente ao monitor. Não a convidou a sentar-se e isso deu-lhe logo a sensação que algo não estava bem ali. – “Quais são as suas habilitações literárias?”
“12º ano.” – Sem ter tempo de especificar mais, ouviu a resposta azeda da funcionária.
“Pois, mas o cliente quer alguém com formação.”
Por momentos ela ficou sem palavras. Sabia exactamente o que a funcionária estava a sugerir, mas não se daria por vencida. – “Mas eu tenho formação para administrativa, nível 3.”
“Não chega! O cliente quer alguém com formação superior.”
“Mas no anúncio não especificava nada disso e eu ontem liguei para cá e não me falaram nisso.”
“Pois, ao princípio o cliente não especificou, mas ontem enviamos-lhe alguns currículos e ele decidiu que queria alguém com mais estudos.”
Queriam alguém com formação superior para Assistente Administrativa? Ao que o mundo tinha chegado. Se ela, que tinha um curso de nível 3 tinha todas as capacidades para exercer a função de Administrativa e já pediam pessoas com cursos superiores para assistentes que iriam ganhar o salário mínimo, o mundo estava mesmo perdido. Ao que tínhamos chegado!
Ela ficou mais uns segundos a olhar para a funcionária, pensando seriamente em erguer a mão e plantar-lhe um estalo naquele rosto nada apologético. Podiam ao menos ter o bom senso e a educação de lhe pedir desculpas por a terem feito vir até ali perder o seu tempo e gastar o seu dinheiro para nada. Mas não! Ainda por cima mostrava-se arrogante, como se não fosse nada com ela. Precisou de todas as suas forças para não perder a racionalidade.
“Não tem mais propostas de emprego na área?”
“Neste momento não!”
Relutante, virou costas, despedindo-se com o máximo de educação que conseguia usar naquele momento, e caminhou para fora da loja. Quando chegou ao exterior, suspirou e o seu rosto deve ter-se contorcido de raiva, já que um senhor que por ali passava a olhou com surpresa. Teve uma vontade enorme de esmurrar alguém e sai para a chuva, sem saber muito bem o que devia fazer a seguir.
Sentia-se completamente ultrajada! Tinha gasto o dinheiro que não tinha para ir àquela “entrevista”, com um pouco de esperança que aquele pudesse ser o seu passaporte para o mercado de trabalho uma vez mais. Para quê? Para ter uma surpresa daquelas?
Um pedido de desculpas … algo tão simples teria chegado para ela não se sentir tão mal. Mas com a falta de trabalho que havia e a quantidade de pessoas desesperadas por um miserável salário mínimo, não era de estranhar que os patronos se dessem ao luxo de negar a candidatura a pessoas com a formação e a experiência. Sentiu-se horrível por o fazer, mas desejou de todo o coração que quem quer que o patrão fosse, tivesse muito azar com a pessoa que escolhesse.