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O fim de um ciclo

Passaram já três semanas desde o meu último post, e por essa razão tenho de pedir desculpas. Não costumo deixar o espaço tanto tempo sem uma actualização, por mais pequena que seja, porque não gosto de sentir que o abandonei.
Vários foram os factores que me mantiveram longe do blog este tempo todo, mas não vou agora alongar-me em desculpas que nada irão melhorar. Mas chegou o momento de fazer algo que já há muito estou a adiar: a partir deste momento o Semanário entrará em pausa, sem prospecções de regressar nos próximos tempos (ou de todo).
Muitas são as razões para esta minha decisão e quase todas já aqui falei anteriormente, mas uma nova se sobrepôs às restantes. Aliás, não é bem nova, pois já no início do ano tinha planos que tenho estado adiar, mas chegou o momento de agir, em vez de pensar tanto e fazer tão pouco.
Mas se me permitem um pouco de detalhes, aqui fica o que se passou nas últimas semanas.

Como sabem, eu comecei Agosto entrando no Camp NaNoWriMo, com intenões de escrever uma séries de contos (ao invés do habitual romance, como faço com o NaNoWriMo). Como brincadeira até intitulei a colectânea “The Fantastic Adventures of Ms. Anthol Ogies“.
E tudo começou muito bem.
No dia 1 de Agosto esforcei-me para conseguir terminar a tempo o conto para submeter a antologia Terrir Assassinos mas calculei mal o tempo e estava a dar meia-noite quando terminei o conto “A Heroína e o Guerreiro” e fui tentar submetê-lo (tive alguns problemas com o site da Editora Estronho, o que atrasou ainda mais a submissão). No entanto os resultados já saíram e sei que não fui uma das seleccionadas, com pena minha. “A Heroína e  Guerreiro” é um conto ilustrado que ficou com 2313 palavras e 8 ilustrações (7 páginas). Esta história é uma comédia de fantasia e, como tantos outros projectos meus, em tempos estava planeado ser uma banda desenhada e agora alterei-a para se adaptar a contos.

No dia 2 comecei a escrever outro conto, intitulado de “Pequenas Decisões“. na ausência de grande inspiração (mesmo com dezenas de ideias alinhadas), acabei por escolher uma zona de maior conforto: personagens que já conheço, escrevendo assim um conto com base no romance “Alma“, mas passado antes da história original, focando-se numa personagem que tem apenas um papel secundário no romance. antes do fim da noite escrevi 1584 palavras para este conto, sem contudo o finalizar.

E foi também nesse dia que tive uma conversa que me fez reacender velhas chamas. No início do ano eu mencionei que tinha algumas ideias de publicação que ainda não estavam inteiramente definidas (e, sinceramente, ainda não estão hoje), e foram essas ideias que ressurgiram em força. Isso e o facto de eu me ter inteirado de quão ridículo era eu estar a escrever mais  50000 palavras quando tenho quatro romances completos para rever/reescrever. Qual é o sentido nisso? Por isso, antes de sequer avançar para projectos de publicação, peguei no “Dragões e seus Sacrifícios” e terminei as revisões (ou pelo menos a primeira parte, pois ainda há muito trabalho a fazer). Assim que tirei esse peso de cima dos ombros, senti-me mais focada.

Tenho também de referir a ‘aventura’ que foi estar com os nanoninjas em Braga, nos dia 13 e 14. Não fazem ideia de como a confraternização me ajudou a elevar o humor e me auxiliou nas revisões, pois consegui, dias depois, terminá-las, para meu alívio (por agora). Vejam la´que até tivemos tempo para fazer uma reenactment de “Twilight”, em que descobri o meu meu inner-Edward. Se forem meus amigos no facebook, podem ver algumas fotos (embaraçosas) aqui.
E foi graças a isso que no dia 17 terminei as revisões primárias do “Dragões e seus Sacrifícios“, faltando agora o trabalho mais aprofundado que decidi deixar para mais tarde pois o que me incomodava já está feito.

E isto leva-nos, novamente, ao início deste post.
Não é novidade, para nenhum dos que seguem este blog, que há mais de dois anos que tento publicar um livro (dois aliás). Não bombardeei todas as editoras que existem (só as que trabalham no género dos livros que escrevo) e não aceitei propostas de pseudo-editoras (nada contra quem a elas recorre) que me pediam investimento (não disponho do dinheiro, mesmo que quisesse, e não quero). E chega um momento em que penso: Sou eu que escrevo mesmo muito mal?, ou, Isto é culpa da crise?, ou, O mundo está todo contra mim.
Quem sabe a resposta certa não seja a primeira. Quem sou eu para julgar o que escrevo como sendo merecedor de chegar ao público? Não sou ninguém e todos sabem que os autores conseguem ser muito vesgos em relação ao seu próprio trabalho. No entanto uma coisa é certa: Apesar de todas as dúvidas que constantemente me assolam, eu acredito no que faço, acredito que tenho potencial. Nem tudo o que escrevo é bom e algumas histórias tiveram e terão de ser reescritas uma e outra vez até estarem em condições, mas será que não há alternativa?

Há pelo menos três anos que sigo o panorama literário internacional com alguma atenção e por isso vi o Boom que os USA tiveram com os ebooks. No entanto nunca me iludi. Os residentes dos USA ou do UK tinham todas as vantagens da auto-publicação em ebook. Tinham percentagens de venda que me faziam tremer e um público imensamente mais vasto.
Ebooks, em Portugal? Que idiotice! Não faria nem um cêntimo. Esta crença tenho-a desde há uns tempos e, mesmo hoje, acredito que ainda seja muito verdade. Talvez conseguisse fazer meia-dúzia de euros, mas mais que isso? Duvidoso.

Sabem quando congeminam algo durante tanto tempo, ruminam de forma tão intensa, que duvidam que alguma vez possa funcionar? Pois eu sou assim. Estou constantemente a duvidar de mim própria, dos meus objectivos, das decisões que tenho de tomar para que algo aconteça.
Mas chega o momento em que tenho de pensar: Mas afinal o que é que perco em tentar?
Sinceramente! Ninguém me quer publicar um romance em Portugal, por isso o que eu decidi foi auto-publicar em ebook. Mas tendo plena consciência que o mercado de língua portuguesa é um pouco verde em matéria de ebooks (mesmo contando com o Brasil e outros países de língua portuguesa), acresci o trabalho de querer traduzir para inglês.

Estou a cometer um erro? Não faço ideia, mas hei-de o descobrir com a experiência. Se não tiver sucesso nenhum, perco talvez um livro (nunca o perco, ele é sempre meu, na realidade) que na verdade nenhuma editora portuguesa parece querer publicar, por isso na verdade não perco nada!

O livro que escolhi foi “Angel Gabriel“. Vou começar a trabalhar nas (últimas) revisões e depois vou traduzi-lo e tentar a minha sorte, como outros portugueses já tentaram, em auto-publicação ebook.
Sem custos e com grande parte do lucro a vir para mim (ocaso este exista).

Talvez muitos de vocês não concordem com este tipo de estratégia, mas eu estou disposta a arriscar. O que é que vocês acham?

E agora queria perguntar-vos algo e quero que sejam sinceros comigo, por favor, pois esta uma dúvida que me perturba de momento.
Sendo que vou entrar pelo mercado internacional adentro, tenho receio que o meu nome Ana C. Nunes não seja o mais adequado para os estrangeiros. (Será que algum deles sabe ler Nunes?). Como não queria ser alienada e correr o risco de perder leitores por causa disso (e acreditem que já ouvi histórias em que isto aconteceu), queria saber qual a vossa opinião.
Dos seguintes nomes, qual vos parece mais interessante e capaz de chamar a atenção a nível internacional (por favor deixem outras sugestões nos comentários, caso as tenham). Ou acham que devo manter o Ana C. Nunes já que os portugueses me conhecem por esse nome? Também não queria alienar as pessoas que já conhecem o meu trabalho.

E por hoje é tudo. Em vez dos usuais Semanários, vou mantendo posts aleatórios onde falarei do meu progresso nesta nova ‘aventura’ e talvez coloque uns contos, para avivar as coisas por aqui.
Mas queria desde já agradecer o apoio que sempre me mostraram. Este blog (e a minha escrita)não seria o mesmo sem vocês.

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A electricidade está no ar * The electricity is in the air

Para quem não viu o artigo anterior, começo por repetir a boa nova: O meu conto “Electro-Dependência” será publicado na antologia “Lisboa Electropunk” (coordenada pelo João Barreiros, a ser lançada pela Saída de Emergência no final de Novembro deste ano, no Fórum Fantástico (23 a 25 de Novembro).E por isso, como devem adivinhar estou felicíssima. Posso não ter publicado um romance, mas já vou poder dizer que tenho algo publicado (sem tirar mérito às fanzines nas quais participei, porque abençoadas sejam).
Infelizmente ainda não sei mais nada sobre a antologia “Erótica Fantástica” da Draco, mas assim que souber digo alguma coisinha.
E porque estamos a falar de antologias, eu continua a trabalhar no que espero venha a ser a minha submissão para antologia Dragões da Draco. Tive dois dias em que escrevi muito bem para o conto e por isso já está muito bem encaminhado, mas ainda não está terminado. escrever um conto com 5000 a 8000 palavras não é tão fácil quanto às vezes parece.

As restantes antologias, infelizmente parece que vão ficar para trás, embora pretenda usar algumas das ideias que já tinha para escrever os contos em Agosto, durante o camp NaNoWriMo. Já estive a compilar uma lista de algumas (muitas) ideias que tenho para contos, de forma a quando a altura chegar, não me faltarem histórias para contar. A minha intenção é, não só escrever para antologias  futuras, mas também experimentar conceitos diferentes, histórias diferentes e escrever alguns contos para o blog, se tudo correr bem, pois já há muito tempo que não coloco nada de original aqui.
Para quem tiver curiosidade em ver o meu progresso em Agosto, fica aqui o meu perfil no Camp NaNoWriMo, embora possam contar, como sempre, com actualizações semanais aqui no blog.
E porque gosto sempre de terminar com uma questão, aqui fica a desta semana: Lêem muitas/algumas antologias? Porquê?
*English version will be available soon, and I apologise for the fact that the last few weeks this hasn’t been done. *

Fadas e Dragões * Fairies and Dragons

Semanário 169

Por vezes queremos inovar tanto que acabamos por nos desviar totalmente do caminho que originalmente traçamos.
Já vos aconteceu?

Com várias antologias a fecharem portas em breve, estive a organizar as ideias que tinha para contos e a tomar decisões sobre quais escrever e quais deixar para mais tarde. O que mais vontade me deu para escrever foi o para a Antologia Dragões, cuja data de submissão é até ao final do mês.
Pois acontece que eu queria uma história diferente, queria algo que fosse mais longe do que o normal e a ideia apareceu. Rendi-me a ela de imediato, mas assim que comecei a escrever surgiu um problema: Quis testar algo diferente e isso resultou em que já não sei se os meus dragões poderão vir a ser considerados não-dragões. É que, digamos que os meus dragões além de minúsculos e um pouco patéticos, também passam a maior parte do dia numa forma não muito … dragonesca.
Mas enfim, passado esse medo inicial e como até gostei da ideia, lá continuei a escrever e a coisa está a andar bem (embora eu quisesse escrever mais rápido).
Mas depois surgiu outro problema: Não me lembrava que pediam entre 5000 a 8000 palavras. Isso é muito para um conto! E agora estou na dúvida se tenho história para isso tudo. Ou melhor, história tenho, mas e o resto?

Outras ideias também se forma reformando para outras antologias, mas o meu medo é que, como deixei tudo para a última da hora (para não variar) talvez não consiga escrevê-los todos a tempo.
Pois bem, ao menos fico com várias ideias para o Camp NaNoWriMo em Agosto, que planeio ‘usar’ para escrever vários contos. Mais alguém vai participar?

Infelizmente tudo isto fez com que não tivesse muito tempo para revisões e o “Dragões e seus Sacrifícios” passou para segundo plano por uns dias. Espero regressar a ele em breve.

E por hoje é tudo o que tenho para contar. Deixem os vossos comentários e contem-me como estão a correr as vossas escritas.

Nota: A partir desta semana vou tentar trazer sempre uma nova imagem (foto ou desenho da minha autoria) juntamente com o “Semanário” que de alguma forma transmita algo sobre a escrita que fiz nessa semana.
Como esta semana escrevi algo sobre borboletas, achei que era uma boa altura para começar. Espero que vos agrade.

*English version will be available soon, and I apologise for the fact that the last few weeks this hasn’t been done. *

Nos meus outros blogs * On my other blogs:
-Compras e Ofertas – Junho 2012;
Passadeira solidária da Liga Portuguesa contra o Cancro;
– Wizard’s How to Draw: The Best of Basic Training Storytelling;
– “Habibi“, de Craig Thompson;

O calor amolece-me as ideias * The sun softens my ideas

Semanário 166

Regressa chuva! Ou pelo menos, Regressa tempo mais ameno!
Não me atirem pedras por favor. Posso bem ser das poucas pessoas que prefere a chuva ao sol, o Outono ao Verão, mas este calor mata-me!
Parece que me frita os pensamentos, quais ovos estrelados em frigideira escaldante.

E porque o calor só agora chegou (e este também faz falta), começo por anunciar o vencedor do passatempo Zona Nippon 1: Vitor Frazão. Parabéns mais uma vez, Vitor. E correndo o risco de me tornar monótona, volto a agradecer a participação de todos. Bem gostava de poder oferecer um volume a cada um, mas tal não me é possível.
Fica no entanto aqui um ‘apelo’ para quem leu ou vai ler a Zona Nippon 1: Adoraria saber a vossa opinião sobre o “Não Alimentem a Caveira“.

Mas porque não é só de passatempos que vive uma escritora rapariga que escreve por gosto, há que informar que as revisões prosseguem a passo lento (ao menos evolui de caracol para lento, acho que já é algo, não?). Muitas correcções, algumas ideais a serem implementadas ao longo da narrativa, muitos auto-conselhos que se resumem a um simples “Show, don’t tell” e vários cortes sangrentos (não fossem estes feitos a vermelho). Fico com dores de cabeça só em pensar no trabalho que isto ainda vai dar. E andava eu a propagandar que ia querer terminar isto antes do fim de Junho. Quem queria eu enganar?

Com tudo o isto o que resta é uma saudade de escrever, porque isto de fazer revisões não equivale a escrita criativa, pelo menos para mim não. Daí que esteja a considerar fazer o Camp NaNoWriMo em Agosto, não para escrever um romance (que isso acho que não devo nem consigo nesta altura), mas para escrever vários contos. Assim posso sempre intercalar com a revisão. Mas, eu ainda conoto terminar a revisão do “Dragões e seus Sacrifícios” antes de Agosto.
Consigo? Claro que sim. Só depende da minha dedicação e … vejamos … uma recompensa ao fim do prazo.
Aceitam-se sugestões de auto-prémios (nada de dispendiosos que estou em contenções), mas gostava de saber se vocês se premeiam quando chegam ao fim de um objectivo (literário ou não) e sim, que tipo de recompensa oferecem a vocês mesmos? Um tablete de chocolate? Uma massagem? Um dia num local especial? Um jantar fora? Um livro novo? Ou uma simples soneca?
Deixem os vossos comentários, por favor.

*ENGLISH*

Weekly 166

Come back, rain! Ora t least, come back amiable weather
Don’t throw rocks at me, please. I may be one of the few people who actually prefer the rain to the sun, Autumn to Summer, but this heat’s killing me!
It feels like it’s frying my thoughts, like eggs on a scorching frying pan.

And because the heat has only now arrived (and we need it), I’ll start by announcing the winner for Zona Nippon 1: Vitor Frazão. Congratulations once more, Vitor. And taking the chance of sounding monotonous, I’d like to, once more, thank everyone’s participation. I’d really like to offer you all a volume, but that’s not possible at the moment.
Still, I’d like to ask those who’ve read or are going to read Zona Nippon 1 to tell me their opinions on “Don’t Feed the Skull”.

But because the life of a writer girl who loves to write isn’t just about contests, I have to report that the revisions are proceeding at a slow rate (better than the super-slow rate from the last weeks). Lots of corrections, some ideas to be implemented along the narrative, lots of written self-advices that can be summed up in a simple “Show, don’t tell” and several bleeding cuts (they’re in red and all). I get headaches just by thinking the work this is still going to entail. And here I was saying that I was going to finish this by the end of June. Who was I kidding?

And with all this what’s left is a sort of longing for some writing sessions, because this revision-thing does not equate writing, at least not for me. And that’s why I’m considering doing Camp NaNoWriMo in August, not to write a novel (which I don’t believe I can or should do at this time) but to write several short-stories. This way I can always do both tasks: revision and writing. Yet I’m still hoping to finish “Dragon’s and their Sacrifices” before August comes up.
Can I do it? Of course I can. It’s only dependent on my resolve and … well … some reward at the end of the deadline.
So I’m taking suggestions on self-rewards (nothing expensive at this time), and I’«d like to know if you reward yourselves when you reach an objective (literary or otherwise) and if so what kind of prize do you give yourselves? A chocolate bar? A day on a special place? A night out? A new book? Or a simple nap?
Leave your comments, please.

Nos meus outros blogs * On my other blogs:
Convite para lançamento de “Soberba Tentação”;
3º Encontro do Clube de Leitura de Braga;
– “Como Não Escrever um Romance“, de Howard Mittelmark e Sandra Newman;
Vermelho Sangue – Screenshot?, uma ilustração