Bucha e Estica

02_bucha-e-esticaAo colocar as compras no tapete da caixa do hipermercado, deu-se conta que, mais uma vez, tinha adquirido mais chocolates do que o que devia, mas isso não a fez arrepender-se.
Podia não ser viciada em tabaco, álcool ou drogas, mas tinha de admitir que o chocolate era o seu único vício.
A menina que se encontrava na caixa era sua conhecida. Uma rapariga franzina, com o cabelo liso e um pouco alourado. Sorriu-lhe e cumprimentou-a, antes de começar a passar as compras em frente ao leitor de códigos de barra.
– “Outra vez?”
A pergunta surpreendeu-a e ela olhou intensamente para a menina da caixa, com uma expressão interrogativa.
– “Levas outra vez mais bolinhas!”
Por bolinhas ela referia-se as ‘Pintarolas’, algo que, por acaso, ela nem comprava já há bastante tempo. – “Estás enganada. Eu não costumo levar estes. ”
– “Se não são esses são outras bolinhas de chocolate.” – “Olha que assim engordas muito. ”
Sorriu. Afinal que fazer quando mais uma vez a criticavam, directa ou indirectamente por ser obesa?
– “Queres um bocado?” – Perguntou sem qualquer intento sarcástico.
– “Não obrigada! Não quero engordar mais. As minhas calças já não me servem!”
Olhou-a com atenção. Onde estava essa dita gordura? A rapariga parecia quase uma anoréctica.
Decidiu não dar mais conversa para aquele tema. Pagou a conta e foi-se embora.
Mais tarde, naquele mesmo dia, viu a menina da caixa com umas calças de cetim preto que lhe caiam, literalmente, pelas pernas abaixo de tão largas que eram. E pensou uma vez mais: «Onde está essa dita gordura?»

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Semanário 01

semanario1Bem, este post devia ter saído na 2ª feira, mas a verdade é que fiquei sem internet alguns dias, o que impossibilitou tal feito.

O “Semanário” é um evento especial, que pretendo trazer-vos todas as semanas, durante um ano. Isto tudo, graças à proposta da Teresa Miller, que deu a ideia de fazermos uma espécie de NaNoWriMo, só que durante todo o ano.

Isto serve para nos incentivar a escrever e só temos que, todas as semanas, fazer um resumo do que se passou durante os últimos 7 dias.

Pois bem, a primeira semana depois do NaNoWriMo não foi muito produtiva, talvez porque senti a necessidade de fazer uma pausa (ou simplesmente por mera preguiça), no entanto o dia mais produtivo foi o dia 06 de Dezembro, em que escrevi cerca de 1 000 palavras (muito pouco).

Ao todo na 1ª semana não passei das +/- 2 000 palavras. Se continuar assim não vou poder acabar de escrever o 1º manuscrito de “Angel Gabriel” antes do fim do ano (acho mesmo mais realista confessar que tal é quase impossível)

Estou a chegar a uma parte muito importante da história, e, talvez por isso, sinta receio em escreve-la. O que se vai passar nos próximos capítulos vai mudar para sempre a vida da Angel, e por isso tem de ter um impacto especial.

Para semana trago mais novidades sobre este NaNoWriYe e já sabem, que se quiserem podem também juntar-se a nós.

Os Livros e a TV

Hoje fiquei surpreendida ao ver na televisão um spot publicitário a um livro. E que livro era esse?
Nenhum outro senão o tão falado “A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo” de Stieg Larsson (Edições Oceanos)

O trailer acima não é o mesmo que passou na televisão (em horário nobre), mas é um trailer do mesmo livro.
Fiquei surpreendida, mas na positiva. Deviam apostar mais nisso!
Já tinha visualizado trailers deste e de outros livros, mas no youtube, como uma nova forma (louvável) de propaganda na web.
Pode até ser que já não seja o primeiro na TV. Afinal eu não vejo quase televisão nenhuma, por isso não estou muito a par disso, mas para mim foi a primeira vez, e não na RTP2 (porque aí já não me admirava de ver), mas sim num outro canal generalista.

Os tempos mudam e assim, a publicidade tem de chegar ao maior número possível de pessoas. Apoiado!

NaNoWriMo 2008 – Depois do fim

O NaNoWriMo (National Novel Writing Month) terminou, oficialmente, ontem às 23:59h. Eu participei no desafio com o nick DreamGazer, propondo-me a escrever “Angel Gabriel“, uma história que já me preenchia o subconsciente desde 2005.
Photobucket
Tudo começou com o esboço de uma nova personagem, à qual rapidamente dei o nome de Angel. No mesmo dia esbocei outras duas personagens, Gabriel e Catalysm. A história tomou posse de mim e, antes mesmo de me aperceber, tinha desenhado outras tantas personagens e criado um mundo novo. Sonhei criar uma novela gráfica com essas ideias e cheguei até a escrever o guião para as primeiras páginas. Mas no final, dei-me conta de que a minha arte estava muito aquém do design que gostaria de dar à história, e decidi então adiar o projecto.
Vários anos se passaram e a ideia de escrever um livro com a história foi crescendo, até se tornar uma decisão.

No dia 26 e Outubro de 2007 vi uma mensagem do Livejournal, onde falavam do NaNoWriMo. Já tinha ouvido falar deste evento no ano de 2007, e tinha despertado o meu interesse, mas no ano transacto já tinha ido demasiado tarde para juntar-me à demanda.
Sem pensar muito nisso, no dia 28 de Outubro inscrevi-me no desafio. Tive dúvidas, preocupações e, acima de tudo, uma ideia fixa de que não iria nunca conseguir alcançar as 50 000 palavras até ao final do mês de Novembro. Mas, arrojada como sempre, decidi que não perdia nada em tentar e atirei-me de cabeça, esperando não parti-la no processo.

A primeira semana foi algo parecido a um suplício. Era o início, algo que sempre considerei como sendo uma das partes mais difíceis de escrever. Há que cativar o interesse nas primeiras páginas, há que decidir o momento certo para iniciar a história, há que introduzir as personagens e, mais importante de tudo, temos de nos adaptar a expressar essas personagens, que embora eu já conhecesse tão bem, nunca deixaram de me surpreender.

Na segunda semana, senti-me muito mais motivada, mas como a primeira semana não tinha corrido muito bem, tive que aumentar o número de palavras escritas diariamente para poder estar a par da contagem do NaNoWriMo. Novas personagens surgiram e o desenrolar foi mais intenso e interessante.

A terceira semana foi como se um vento forte me empurrasse para a frente. Foi a melhor semana, a que fluiu com mais intensidade, a que me deu mais prazer escrever. As personagens surpreendiam-me a cada capítulo, como se tivessem vida própria.

A quarta semana não desapontou e fluiu quase tão bem como a que a antecedeu. Alcancei as almejadas 50 000 palavras no dia 27 de Novembro, quinta-feira, três dias antes do final definitivo do desafio. “Angel Gabriel” estava ainda longe da sua conclusão, mas mais de metade da história estava agora exposta no ecrã e não somente no mais recôndito do meu cérebro. Foi uma alegria, uma vitória, uma lição de perseverança que decidi ensinar a mim mesma.

Nos dois dias seguintes não escrevi muitas mais palavras, mas tive sempre presente aquela necessidade de terminar o que tinha começado. Dezembro será um mês para continuar a escrever, além de outras coisas que deixei de lado, em prole do NaNoWriMo em Novembro.
Desejo mesmo terminar “Angel Gabriel” antes do final do ano, e, agora, depois de tudo isto, sinto que o posso fazer, se tiver a força de vontade necessária. Se o fizer, terei voltado a surpreender-me comigo mesma e será mais uma vitória, mais um acto que me fará sentir capaz.

Para mim, o NaNoWriMo, assim como outros desafios que aceitei e venci, foi uma lição de vida. Uma lição que me deu a entender que se me propuser a algo e se me dedicar e esforçar, posso atingir TUDO o que queira, sem excepções.

E porque sonhar é viver, continuarei a fazer estas, ditas, loucuras e a rejubilar com os resultados. Parar é morrer!

Aqui fica, para os interessados e/ou curiosos, um resumo do que é “Angel Gabriel“:

Num mundo dominado por vampiros, os humanos são escassos e vivem em colónias. Recorrendo à magia têm conseguido sobreviver nas últimas décadas, mas os vampiros estão cada vez mais desesperados, cada vez mais propensos a cometer loucuras e atacar em conjunto, algo que não fazem por hábito. No meio do caos, uma feiticeira sacrifica-se para que um dos primeiros vampiros fique impedido de se alimentar de humanos. Esse vampiro é Gabriel.
O feitiço permite-lhe somente uma excepção, a filha da própria feiticeira, Angel.
Gabriel tem no entanto de conter a sua fome pois se Angel morrer, a sua existência terminará também.
Os dois formam um pacto, para tentar encontrar uma feiticeira suficientemente poderosa para quebrar a maldição que afecta os dois.

Em breve devo colocar um ou outro excerto da história.

Mudanças

01_mudancasO sol brilhava intensamente, quase cegando-a enquanto atravessava a passadeira para peões. Albergando-se sob a sombra de uma árvore, pousou os dois sacos, que trazia consigo, no chão.
Do bolso exterior da preta bolsa à volta dos seus ombros retirou um pequeno leitor de MP3 com auriculares, colocando-os na respectiva orelha.
Circulando a rotunda, apareceu um autocarro de cor branca, com riscas verdes em volta e com um pequeno, e, quase ilegível, papel colado ao vidro com o destino da carreira escrito.
Erguendo dois dedos à sua frente, fez paragem. O veículo parou e as portas abriram-se com dificuldade, ela apressou-se a subir o alto degrau e deslizou o passe no pequeno aparelho da companhia rodoviária. Rapidamente se dirigiu a um lugar vazio, mas não sem antes quase perder o equilíbrio quando o autocarro circundou uma outra rotunda.
Finalmente teve a oportunidade de ligar o pequeno leitor de música. O volume inicial estava em 10, mas rapidamente ela se apercebeu de que não só não percebia qual a música que estava a tocar, como mais parecia que nada estava a escutar.
O problema não estava no aparelho diminuto, mas sim no grande autocarro, cuja idade devia ultrapassar em muito os 25 anos, e que, como muitos outros naquelas localidades, já tinha vindo em segunda mão de outros países.
O barulho produzido era ensurdecedor. De cada vez que o motorista acelerava, o veiculo dava uma espécie de soluços bem audíveis.
A agora passageira, limitou-se a pensar se o autocarro chegaria inteiro ao destino. Aumentou o volume para 20, e mesmo assim podia dizer que não conseguia ouvir de feição toda a música.
Os outros dois únicos passageiros conversavam animadamente à sua frente:
– “Sabias que fulana fez isto, isto e isto?”
– “Não acredito! E ouviste falar daquele a quem aconteceu isto, aquilo e algo mais”
As conversas do costume…
Ao passarem por cima de uma ponte, o tema mudou, mas não deixou de ser o mesmo de sempre. “Pobre daquela senhora que se atirou daqui abaixo no outro dia.” – “Que Deus a perdoe.” – Aquela passagem por cima do rio tinha adquirido uma nova fama:
“Ponte de onde aquela senhora de idade se atirou” – Já ninguém sabia qual o nome da dita ponte.
Mas o surpreendente era porque ainda falavam desse tema. Era algo horrível sim, mas já tinha passado bem mais de um mês desde tal acontecimento. Será que ainda era considerado novidade. Será que naquela terriola não havia nada de mais novo interessante para discutir.
Uma vez mais a rapariga apercebeu-se de que vivia numa terra que, embora tivesse tudo para ser grande, parecia parada no tempo. Não evoluía, não mudava. Não nada! Era a mesma todos os dias…

Prólogo

nano_08_winner_smallTerminei agora mesmo de ultrapassar as 50 000 palavras no imenso desafio que é o NaNoWriMo (National Novel Writing Month). Com a história “Angel Gabriel”.

O desafio consistia em escrever um livro de 50 000 palavras em um mês (Novembro).

Senti que devia comemorar esta vitória da melhor maneira. E nada mais apropriado que começar aquela blog que tem preenchido o meu pensamento nos últimos meses. Esta blog!

O meu nome é Ana, mais vulgarmente conhecida por Ana C. Nunes. Sou uma escritora (muito) amadora, uma banda desenhista, ilustradora, pintora, escultora … enfim … adoro todas as formas de arte, mas ainda tenho muito caminho a percorrer em qualquer uma destas vertentes.

Recentemente apercebi-me de que aceitar desafios que me forcem a cumprir uma data e a atingir um objectivo preciso, é um excelente incentivo ao meu desenvolvimento em várias destas áreas.

Em Outubro, participei no 24 Hour Comics, um evento a nível mundial que desafiava os participantes a criarem uma banda desenhada de 24 páginas em 24 horas. O resultado chama-se “Much too late“, uma BD esperimental mas que, posso dizer, me ensinou muita coisa num curto espaço de tempo.

Depois disso, tomei conhecimento do NaNoWriMo e lá me atirei novamente de cabeça. Entrei, sem esperar realmente alcançar o objectivo final, mas desejando a todo custo testar a minha perseverança. Ainda bem que o fiz, pois agora posso dizer que tenho o primeiro esboço de um livro, praticamente escrito. Algo que eu já não conseguia fazer há mais de sete anos.

Nesta blog vou colocar algumas pequenas histórias. Situações ficcionais ou baseadas na vida real. Serão curtas e independentes. e terão como objectivo principal ‘forçar-me’ a escrever (no bom sentido). Quero desenvolver cada vez mais a minha literacia e a forma como exprimo as cenas que se desenrolam. Oportunamente, poderei também colocar excertos de histórias mais longas, mas não pretendo publicar nesta blog a integridade de uma história completa.
Eventualmente, poderei colocar fotos ou ilustrações (tudo da minha autoria) a acompanhar os textos. Para não ser tão literal e dar um pouco de vida à blog, sem nunca perturbar os textos.

Também farei críticas a livros que possa vir a ler, ou nos quais já tenha tido a oportunidade de embarcar.

Para já, comprometo-me apenas a um post por semana. Caso veja que tenho oportunidade de publicar mais, assim o farei.

É tudo o que eu queria dizer neste primeiro post.

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

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