Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Projectos de Estimação

10 comentários

Antes de começa a escrever este post tinha em mente um certo número de assuntos, até que percebi que estava prestes a misturar alhos com bugalhos. Por isso ao invés de fazer um post enorme e com uma salada mista de tópicos, vou separar tudo em dois posts. O seguinte deve ser publicado nos próximos dias (sobre E-Publicação), enquanto neste vou falar apenas Escrita Criativa (para não variar, Hehe!).

Escrita Criativa - o Relatório

Gabriel, personagem do meu romance “Angel Gabriel – Pacto de Sangue”.

Projectos de Estimação

Quase todos os escritores (e artistas em geral) com quem já falei acabaram por, de uma forma ou de outra, mencionar um Projecto de Estimação (ou Pet Project como lhes chamam lá fora). e o que é isto de Projecto de Estimação? Em linha gerais é aquele projecto que o escritor/ artista tem especial apreço por. Aquele que nunca lhe sai da cabeça, que ele está constantemente a tentar melhorar e que, por isso mesmo, dificilmente alguma vez sente que o terminou. Ou seja, aquele que nunca está bem o suficiente.

E será surpresa para alguém que o meu Projecto de Estimação seja o “Angel Gabriel – Pacto de Sangue“? Possivelmente não.

Claro que eu escritor/artista pode ter mais que um projecto nesta categoria, e é bastante provável que tenha (“Alma“, estou a falar de ti!) mas há sempre um acima dos outros.
E a razão porque decidi falar disto é, como devem imaginar, porque tive uma experiência que se repete com frequência: Duvidar do que fiz!
Todo o escritor (ou quase todo) tem momentos em que acha que o que faz é uma porcaria (perdoem-me o termo) e isso é bom, se o soubermos canalizar para melhorar e não destruir o projecto em mãos, mas quando estes momentos de crueldade psicológica auto-proporcionada se tonam demasiado frequentes, é porque possivelmente temos em mãos um Projecto de Estimação.

Angel Gabriel – Pacto de Sangue” precisava de um novo início e foi isso que comecei a fazer, com gosto e dedicação. Estava confiante no que tinha para fazer e, mais que isso, estava inspirada, como há algum tempo já não ficava. Por isso foi com alguma surpresa que percebi, passados menos de 5 dias, que tinha escrito mais de 12.000 palavras novas. Doze Mil!
Pode dizer-se que fiquei com ‘cara de tacho’. E então veio o pânico.
Como é que podia justificar 12000 palavras num manuscrito que já tinha perto de 100.000. O que é que eu estava a fazer à minha história? Porque é que tinha de me lembrar de mudar outra vez o que já tinha dado como terminado?
Estas e outras perguntas surgiram assim que olhei para a contagem (impressionantemente até ali não tinha prestado atenção ao número de palavras que debitava no teclado, o que não é nada o meu estilo). Falei com um amigo, por alto, sobre o assunto e ele disse-me: “Isso soa-me a infodump.”
Pânico!
Uma parte de mim achava que não, que eu estava a usar o “Show, don’t tell” e que não tinha usado aquelas 12.000 palavras só para cuspir informação para o leitor. Mas a outra parte de mim dizia que eu estava a iludir-me e que aquilo era uma desgraça de proporções galácticas.
É isso mesmo, pessoal. Tornei-me uma Drama Queen!

Revisões e Opiniões

Não querendo perder-me em mais drama, fiz a única coisa que podia fazer: enviei os novos capítulos a duas pessoas que já tinham lido a versão anterior do “Angel Gabriel – Pacto de Sangue” e pedi-lhes a opinião.

Entretanto foquei-me nas revisões e, se as primeiras páginas me puseram os nervos à flor da pele porque queria reescrevê-las e sabia que não podia, à medida que ia avançando nos trabalhos percebi que, afinal aquilo não estava assim tão mau. Mas ler e rever um manuscrito com 280 páginas nunca foi fácil ou poderia ser rápido, por isso as datas que eu tinha definido para esta fase acabaram por ser ultrapassadas e ainda hoje estou a trabalhar nas revisões. Felizmente estão a correr bem e estou confiante que dentro de alguns dias esteja terminada a versão portuguesa e possa então focar-me na inglesa (a tradução vai demorar …).
Mas já dizia a minha mãe que “sem trabalho não se faz nada”.

Entretanto já recebi a opinião de uma das minhas maravilhosas beta-reader (e escritora), das que leu os novos capítulos, e consegui ficar um bocadinho mais descansada. Falta-me uma opinião de outra fabulosa beta-reader (e escritora) para que a Drama-Queen adormeça profundamente (ou acorde de vez).

E não posso finalizar sem agradecer às fabulosas pessoas que e ajudaram até aqui, às que ainda me ajudam e claro, a todos os que seguem e comentam neste blog. Vocês são fantásticos porque aturam os meus devaneios. Obrigada!
Quando o ebook for lançado eu compenso-vos. Prometo!

E para terminar duas perguntas:
Aos escritores: Qual é o vosso Projecto de Estimação? (se tiverem um)
Aos leitores: Quando é que sentem que um livro é demasiado grande?

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

10 thoughts on “Projectos de Estimação

  1. Ah, projectos de estimação… Demasiados dos meus projectos são projectos de estimação, daqueles que têm tanto de mim que quase dói e que me fazem desesperar quando bloqueio, quando faço coisas más às personagens, quando os vejo mor…aaaah…. dormir na gaveta… Acho que me ligo demasiado às minhas histórias para o meu próprio bem.
    Mas quanto a projectos de estimação mais recentes… Tenho o romance que estou a escrever, que é uma experiência diferente em muitos aspectos e que está a criar dificuldades (mas gosto tanto dele), tenho o romance terminado que está em espera por respostas e tenho um conto que excedeu seriamente o limite de palavras que era suposto ter… e que também está à espera de resposta. (Oh, bem, eu passo a vida à espera…).

  2. Carla, é a sina dos escritores; esperar e desesperar.🙂
    E sei bem como é quando um conto cresce mais do que contamos, mas desde que seja para o bem da história, então fizeste bem.
    É terrível ter projectos, que nos orgulhamos de ter escrito, a ganhar pó, ou como disseste a morrer.
    Espero que encontres uma casa para todos esses ‘inquilinos’.😀

    P.S: Vais ao EuoSteamCon? Se fores de calhar ainda nos vemos por lá.

  3. Ainda não sei. Estou a mobilizar recursos, porque queria mesmo ir, mas o orçamento é muito, muito curto. Mas vou tentar.🙂

  4. felizmente andaste inspirada, eu é que não posso dizer o mesmo😛
    como leitor, sinto que um livro é demasiado grande quando a história anda a ser enrolada. Posso sentir isso até com um livro fininho. Mas quando é entusiasmante não sinto que seja um livro grande, até fico contente que seja volumoso🙂

  5. Rui, a inspiração vem em ciclos e Às vezes nós é que temos que a instigar. Vai tudo de começares a trabalhar. Depois o resto em por acréscimo.
    Obrigada pela resposta. Eu sinto o mesmo, enquanto leitora, mas há pessoas que fogem dos livros mais grossos.🙂

  6. Espero que possas ir pelo menos num dos dias.🙂

  7. obrigado pelo conselho, farei de imediato.

  8. Projecto de estimação tenho o meu principal, que é o mais antigo e o único que terminei para já. Tudo o resto está em lista de espera, com diferentes graus de entusiasmo que vão variando de cada vez que olho para eles.🙂 Mas concordo plenamente, e acho que o Pet Project muda por vezes, focando-se principalmente naquilo em que estamos a trabalhar no momento.

    Quanto à tua pergunta sobre o tamanho de um livro, concordo completamente com o ruialex. e não o poria de melhor forma do que ele. Livros grandes não assustam, se forem bons, se a história assim o justificar. Pelo contrário, conseguimos chegar ao final de um livro enorme e ficar com pena que não exista uma sequela. lol Por isso, se os novos capítulos forem interessantes e enriquecerem a história, não vejo motivo para serem prejudiciais. O tamanho não reflecte o conteúdo.

  9. Verbosecreto, E já não tens maus a medir com esse teu projecto.🙂

    Obrigada pelo comentário.

  10. O meu projeto “Sudoeste” foi durante mt tempo de ódio e amor. Eu queria terminar, nunca estava como queria, e acabei por me distanciar mt do texto. Por fim estava a sentir que estava a escrever uma coisa que já não era minha. Mas já está terminado e não tenho que pensar mais nisso!

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