Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Onde dividir os capítulos? * Where to Break Chapters?

10 comentários

Semanário 156

Ao escrever o “Lobo & Dragão” uma velha dúvida surgiu: Onde partir a acção? Onde fechar um capítulo? Onde começar o novo capítulo? Como sabemos onde parar?
Será que devemos quebrar a acção de forma a deixar um enorme cliffhanger e obrigar o leitor a ler logo de seguida o capítulo seguinte, ou devemos fechar uma acção, finalizar uma cena, deixando alguma curiosidade mas não forçando o leitor a seguir logo de imediato com a leitura?

Confesso que enquanto leitora prefiro que cada capítulo feche uma cena. Isto porque normalmente pauso a leitura no fim de capítulos. Se um capítulo termina com cliffhanger eu vou querer continuar de imediato a leitura, uma e outra vez, sem nunca sentir que posso parar. Isto, por um lado, é óptimo porque mantêm o interesse, mas por outro é mau pois o leitor também precisa respirar para poder pensar no que lê. No entanto conheço muitas pessoas que preferem o oposto de mim, gostam de livros cujos finais de capítulos os mantêm sempre na expectativa, como um filme de acção.

No entanto tudo isto depende de muitos factores: tipo de história, passo narrativo, estilo do autor, etc.

Enquanto escritora tento que os meus capítulos não sejam nem demasiado curtos, nem demasiado compridos (mais que duas páginas e menos que dez, sempre que possível), no entanto já me aconteceu de ter um capítulo muito mais longo que todos os outros do mesmo livro e nesses casos a solução talvez seja mesmo cortar o capítulo algures, talvez até mesmo usando da acção para deixar o final na expectativa do que se segue.
Uma coisa que tento sempre fazer é manter os capítulos todos sensivelmente do mesmo tamanho e coerentes em termos de estrutura, mas isso faz parte do meu estilo.

Enquanto leitora o que não gosto mesmo é de capítulos demasiado pequenos (uma página ou menos, quando estes são muito frequentes) ou capítulos demasiado grandes (trinta ou mais páginas), por isso ao escrever e normal que evite ambos ao máximo. Claro que que o ocasional uso de um ou outro poderá não ser desfavorável, mas quando o padrão se repete pelo livro todo, julgo que a leitura se torna mais dispersa e até mesmo difícil.

Já no caso dos inícios de capítulos, tento sempre que a narrativa recomece em algo cujo interesse seja anda maior que no final do capítulo anterior, talvez até com algum mistério ou curiosidade. Mesmo quando um capítulo se inicia numa cena mais banal, tento que as primeiras sentenças captem novamente a atenção do leitor, não necessariamente através de jogos de palavra enganadores ou mesmo acções forçadas cujo único propósito é chamar a atenção, mas em coisas que façam a história avançar e mostrem progresso a nível das personagens. Escusado será dizer que é isto que gosto também de ler nos trabalhos dos outros.

Enquanto leitores, o que é que preferem? E enquanto escritores, que estratégia usam para terminar e iniciar capítulos?

Mas antes de terminar tenho de falar no que deveria ter (talvez?) dado início a este post: O meu relato da evolução semanal da escrita.
Como se devem lembrar, estou a fazer o ScriptFrenzy e estou a escrever o guião de banda desenhada para “Lobo & Dragão“, estando finalmente com uma boa contagem: 50 páginas! (que era exactamente  número de páginas que devia ter ontem e tinha). Por isso estou contente com o progresso e só espero conseguir manter o ritmo até ao final do mês.
Impressionantemente grande parte do que escrevi foi teclado no Sábado, ao fim da noite. Sentei-me na sala, só com a música a tocar e escrevi 19 páginas! Fiquei surpreendida, mas a história escorreu tão bem que tive dificuldade em parar. Julgo até que se não tivesse que me levantar cedo na manhã seguinte, teria escrito outras tantas (ou mais).

Mas o assunto no início deste post veio à baila por culpa do 1º capítulo do “Lobo & Dragão” que, imaginem bem, acabou com 41 páginas de BD e 50 de guião (não é pouco usual para mim que uma página de BD se traduza em duas de guião, já que gosto de ser descritiva). Isto significa que exagerei! E como tal vou ter de partir o capítulo a meio algures.
41 páginas de BD para um capítulo é muita coisa! Metade chega e sobra.
Como no Domingo não estive em casa, não tive tempo para solucionar isto, mas estará para breve.

Também devo referir que no Sábado tivemos mais uma reunião de escritores no Porto e parece que cada vez o grupo é maior. Yay!
Infelizmente tivemos um pequeno ‘contratempo’ no Guarany. Mais uma vez tiveram lá uma palestra qualquer e, mais uma vez, julgaram que estavam numa biblioteca e tiveram o desplante de nos ‘pedir’ para nos calarmos falarmos mais baixo. Pois o grupo abandonou o recinto e mudou de instalações. Fomos para o Farggi, que também tem um espaço bem acolhedor.
Gosto muito do Guarany (o pessoal é simpático, o ambiente é excelente e o local é central), mas cada vez mais somos chateados por estas pessoas que vão para um café fazerem palestras/apresentações morosas e pensam que os outros têm de estar calados. Um café é um lugar público!
Por isso foi já sugerido por alguns participantes destes encontros que agora passemos a marcar encontro no Farggi (ali bem pertinho). Vou ter saudades do Guarany, mas realmente já cansa o número de vezes que não podemos estar à vontade por causas alheias.😦
Bem, para quem estiver interessado, não se esqueçam que estes encontro acontecem todos os Segundos Sábados de cada mês, no Porto. Qualquer pessoa será bem acolhida (muito ou pouco produtiva, curiosa ou aficionada), por isso apareçam!

*ENGLISH*

Weekly 156

While writing “Wolf & Dragon” and old doubt arose: Where to break the action? Where to close a chapter? Where to start a new chapter? How do we know when to stop?
Should we break the action and leave a cliffhanger that will force the reader to get onto to the next chapter right away, or should we close a scene, leaving curiosity on the loose but not forcing the reader to immediately follow up on the read?

I admit that as a reader I prefer that each chapter closes a scene. This is because I usually pause the reading at the end of chapters. If a chapter ends with a cliffhanger I will want to read more immediately, again and again, without ever feeling like I can stop. On one hand this is good because it peaks the interest, but on the other hand it’s bad because it doesn’t give the reader time to breathe and think about what’s being read. Still, I know a lot of people who prefer the opposite of me, books whose chapter endings keep them on the edge, like an action movie.

Still, it all depends on a few factors, such as: story type, narrative passing, author style, etc.

As a writer I try to make my chapters not too short nor too big (more than two pages and less than ten, when possible), still it happens that sometimes a chapter is much longer than the others on the same book and in this case maybe the solution is to slice the chapter somewhere, maybe even using the action to make the reader expect something great o follow.
One thing I always try to do is keep the chapters more or less the same in size and structure, but that’s just my style.

As a reader what I really don’t like are chapters that are too short (one page or less, when these are the rule and not the exception) or chapters that are too big (thirty or more pages), so as I write it’s natural that I avoid both as much as possible.
Of course, occasionally, the use one or the other might not be unfavorable, but when the pattern keeps repeating itself for the whole book, I believe the reading experience becomes more diluted and even harder.

As for the beginnings of chapters, I try that the narrative restarts somewhere where the interest is even bigger than at the end of the previous chapter, maybe with some mystery or curiosity attached. Even when a chapter starts on a more mundane scene, I always try that the first phrases recapture the reader’s attention, not necessarily through a game of words or even forced action sequences whose sole purpose is to call to attention, but with things   that make the story move forward and that show a significant progress in characterization. Needless to say, this is also what I like most to read in other peoples’ works.

As reader, what do you prefer? And as writers, which strategy do you follow to end and begin a chapter?

But before finalizing this I have to talk about what (possibly) should’ve started this post: my report on this week’s written progress.
As you probably recall, I’m doing ScriptFrenzy and writing the comic script for “Wolf & Dragon”, finally having caught up with the page count: 50 pages! Which was exactly where I should’ve been yesterday (and I was). So, I’m happy with y progress and I only hope to keep up the rhythm till the end of the month.
Amazingly a great part of what I wrote was made on Saturday, at the end of the day, just with music playing in my ears and I wrote 19 pages! I was surprised but the story just flowed so well I had a hard time stopping. I think that if I hadn’t had to get up early the next morning, I would’ve kept going till sunrise.

But the topic that started this post came to be because of the first chapter of “Wolf & Dragon” which, imagine this, wound up with 41 comic pages and 50 script pages (it’s not unusual for a comic page to be represented in two script pages). This means I overdid it! And that I’ll have to break the chapter somewhere.
41 pages of comic for one chapter e a lot! Half will suffice.
Since on Sunday I wasn’t home, I didn’t have time to manage this, but I will soon.

I also want to talk about Saturday’s Writer’s Meeting in Oporto, where it looks like the group just keeps on growing. Yay!
Unfortunately we had a little ‘problem’ at Guarany’s. Once more there was a presentation of sorts and, once more, they thought they were at a library and had the ‘audacity’ to ask us to shut up lower our voices (like we were that loud). Well, the group left the premises and changed to Farggi, which is also very accommodating.
I really like Guarany (the staff is nice, the place is excellent and the location is central), but more and more we are bothered by these types of people who go to a coffee-shop, make looong presentations and expect every client in the premises to shut up and listen. That is a public place, not a library!
So it was suggested, by some members of the group, that these meeting start taking place at Farggi’s (close by). I’ll miss Guarany but seriously, it’s getting tiresome to not be able to speak freely, and the number of times we had to heed others requests.

Well, for those interested, don’t forget that these meetings take place every second Saturday of every month, in Oporto. Anyone is free to join in (productive or not, just curious or furious), so come by!

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

10 thoughts on “Onde dividir os capítulos? * Where to Break Chapters?

  1. É como dizes “depende de muitos factores: tipo de história, passo narrativo”.

    Como leitor, se a escrita não me entusiasmar ao ponto de ler furiosamente, prefiro capítulos pequenos.

    Como escritor, evito capítulos com menos de 4 páginas (embora, como é óbvio, não prolongue a acção apenas para satisfazer esse parâmetro). No que diz respeito a fechar a acção ou deixá-la com um bom cliffhanger, admito que sou fã do último, contudo, prefiro utilizá-lo nas partes em que a narrativa flui claramente de um capítulo para o outro, em vez de naquelas em que salto entre diferentes tipos de narrador.

  2. Bem, se eu gostava de ir! Mas não consigo ir e vir no mesmo dia ao Porto…

    Já não é a primeira vez que falas do que gostas enquanto leitora, e de que tentas escrever de acordo do que gostas enquanto leitora. Acho que todos procuramos isso, no fundo. Mas já me tem acontecido (muitas vezes) apetecer-me escrever algo que não gosto enquanto leitora. É como se fosse um desafio… Não quero escrever, mas a coisa cresce dentro de mim até que não posso mais. E depois da experiência, o que acaba por mudar é a minha perspectiva enquanto leitora.

  3. Olá! Há muito tempo que não passava por aqui.
    Pois bem… Como leitora, o tamanho dos capítulos depende do enredo da história e do seu conteúdo. Ou seja, se me atrai ou não. Se a escrita e a história em si forem aprazíveis, pouco me importo com o tamanho do capítulo, pois estou interessada e a única coisa que me importa é a obra. Contudo, se falar do segundo caso, prefiro capítulos mais curtos, para não me perder a meio do enredo, caso me aborreça, e para poder parar quando sentir uma vontade mínima de ler. Por outro lado, como aspirante a escritora, os meus capítulos chegam a ter, no máximo, dez páginas, não mais do que isso. Geralmente, têm, no máximo, sete ou seis. E como terminá-los? Não sei, nunca penso nisso, os cortes são automáticos e apenas paro quando tenho entendo que avancei o suficiente na história.
    Espero ter sido explicita, NamelessGirl

  4. Como leitor, gosto de capítulos não tão grandes mas pelo menos um punhado de páginas cada. Gosto de um bom cliffhanger mas já gostei mais, ultimamente tenho gostado mais quando se vai fechando a trama.

  5. Faz todo o sentido que assim seja. Deixar cliffhangers quando o capítulo seguinte é narrado por outra personagem pode ser ‘desafiante’ e se mal feito pode ter um resultado péssimo.

  6. Pelo que falo com outros escritores, julgo que seja natural usarmos aquilo que ‘gostamos’. Afinal temos de ter prazer no que fazemos, ou não vale a pena, não é?
    Mas compreendo perfeitamente o que queres dizer com experimentar fora da zona de confronto e também eu gosto de o fazer, especialmente em contos. E muitas vezes descobrimos coisas sobre a nossa prosa que nunca imaginamos.🙂

  7. É bom ter-te de volta!🙂
    Compreendo o que queres dizer com os cortes de capítulos serem automáticos, normalmente acontece-me o mesmo, mas depois durante as revisões, por vezes faço ajustes. Não sei se te acontece o mesmo.

  8. Percebo perfeitamente o que queres dizer. Acho que também um dantes gostava mais de cliffhangers, enquanto que agora já não. Também deve depender do espírito de cada leitor.

  9. Eu sou suspeita! Adoro capítulos pequenos: 1-2 páginas, mas costumo ser muito desorganizada nisso. Escrevo e quando acho que devo partir para outra mudo. depende também se queres dar uma lógica/ significado à divisão (existem muitos autores que colocam X números de capítulos, que no fim representam um número simbólico). Quanto aos cliffhangers, gosto de um ou dois por livro – mais e estou com bomba de asma e um AVC.

  10. A sério? Nunca me tinha dado conta que gostas de capítulos curtos. Que engraçado.😀
    Vai tudo de gostos, claro está.
    E percebo o que queres dizer. Às vezes a história já está delimitada e ‘parte-se’ sozinha.
    Não sabia dessa dos simbolismos, mas faz sentido.
    Hehe! Suspense a mais também cansa.

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