Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Dúvidas e Medos (Semanário 138)

9 comentários

Voltei a ter uma daquelas semanas em que duvidei de tudo o que fiz até aqui. Achei que tudo o que escrevi até hoje não tinha mérito, que devia desistir e começar de novo. Rasgar tudo e não fazer revisões de nada. Bem … foi uma semana de pessimismos e dúvidas. Pior é que acho que esse sentimento ainda não passou, mas consegui dissimulá-lo o suficiente para fazer algo de mais produtivo que odiar tudo o que criei. Aliás, fiz o oposto do que seria de esperar em tal situação: valorizei.

Decidi pegar nos contos que tinha sem ‘casa’ e tentar enviá-los para revistas, antologias e fanzines onde se enquadrassem. Infelizmente algumas das que eu tinha em mente não se adequavam aos contos que tinha disponíveis e ainda inéditos, por isso não tentei a minha sorte com todas as publicações que gostaria, mas pelo menos três seguiram caminho e é esperar para ver o resultado.
Antes de os enviar, reli-os e corrigi coisas mínimas. São contos que gosto particularmente mas que não sei se terão grande aceitação. Logo veremos.

Noutra nota, por causa do meu ‘pessimismo’ estive muito embrenhada em pensamentos sobre o “Angel Gabriel“. Não é segredo nenhum que há mais de um ano que sondo editoras na esperança de publicar o livro, mas a verdade é que as respostas têm sido quase inexistentes (o que não é surpresa nenhuma) ou então negativas. Não sei se é pior isso ou estar à espera de uma resposta há quase um ano e saber que essa resposta virá, quer seja positiva ou negativa, mas a espera é um suplício (É claro que é melhor saber que a resposta vem; Editores, respondam, nem que seja um breve “não estamos interessados”; Os autores merecem esse respeito.). Mas estaria a mentir se dissesse que estava com muitas esperanças.
Pois ao analisar isto, tomei uma decisão. Já tinha dito que não mexia mais no “Angel Gabriel” a menos que por pedido de uma editora, mas agora tenho uma perspectiva diferente. Ganhei a coragem e enviei o manuscrito para as duas maiores críticas que conheço (pessoas fabulosas, mas das quais nutro um medo respeitoso impressionante). Pressuponho levar uma tareia virtual (ou presencial, conforme a disponibilidade), mas talvez isso me espevite e me confirme certas dúvidas. Depois de receber o feedback das meninas, decido o que fazer e nessa altura revelarei mais sobre o que tenho em mente conseguir com o “Angel Gabriel“, quer para o bem, quer para o mal.

Na verdade durante a semana surgiu-me outro problema tão ou ainda mais preocupante e que não sei se está apenas relacionado com o meu ‘pessimismo’. No respeitante ao “Através do Vidro“, não é segredo que na altura fiquei muito satisfeita com o resultado e isso mantém-se, em relação às três primeiras partes do livro (este está dividido em 4). O problema é a quarta parte que em nada me satisfaz, mas que sinceramente não sei como resolver. E isso faz-me olhar para o livro como um todo e decidir que este não tem solução. Ridículo? Talvez. Mas durante a semana estive mesmo prestes a declarar o projecto como ‘para a gaveta’. Só não o fiz por causa das ditas três partes.
Não sei como salvar a última parte e sei que sem ela o “Através do Vidro” nada é. Acho que o que me está a moer o cérebro é a ‘construção’ do mundo. Não é que esteja mau nos primeiros três, mas está vago, exactamente como queria que estivesse. O problema reside no facto de eu ter a obrigatoriedade de no quarto explicar tudo o que não estava explicado nos primeiros três e exactamente por isso considero-o o mais fraco, o menos interessante. Pois enquanto as primeiras três partes eram focadas nas personagens e nos seus sentimentos/comportamentos, já o terceiro é focado no todo, destoando completamente do resto do livro.
Contudo, depois de muito matutar, acho que cheguei a uma decisão. Vou enviar o manuscrito para alguns leitores e ver quais as reacções. De acordo com isso decido que rumo dar ao livro como um todo.
Certamente não seria a primeira a descartar um manuscrito por completo, mas antes disso quero mesmo tentar perceber até que ponto os meus ‘medos’ são uma realidade ou apenas fruto das minhas dúvidas existências (passageiras ou não).

E é tudo o que tenho a dizer esta semana. Espero não ter aborrecido ninguém.

Nos meus outros blogs:
– “The Walking Dead 9“, de Robert Kirkman;
-“iZombie 1“, de Chris Roberson;
– “Percepção – uma estranha Realidade” – Divulgação;
– “Ai Kora” – manga de Kazurou Inoue;
– “Countdown“, conto de Jonathan Maberry;
– “Get Love“, manga de Go Ikeyamada;

No Exterior:
Are Your Flashbacks Flashy or Flabby?, no WordPlay;
Killing Characters, no Murder She Writes;
Nanowrimo Now What?, no blog de Alexandra Sokoloff;
How to Use Uncertainty to Fuel Your Writing, no Writer Unboxed;
Too many, too much, no blog de Patrici C. Wrede;
Behind the Scenes: Back in the game , no Crónicas Obscuras;
But Why Would You… Insult Writers Like This?, no blog de Dean Weasley Smith;
Behind the Scene: Condições Ideais I, no Crónicas Obscuras;
How Much Should You Explain in a Story’s Beginning?, no Wordplay;
Nanowrimo Now What? – Rewriting, no blog de Alexandra Sokoloff;
As personagens (não) são pessoas normais, no Folhas em Branco;
Behind the Scene: Condições Ideais II – Suporte, no Crónicas Obscuras;
Creating: The Real Rules of Fiction Writing, no Modern Myth Tools;
Decisios, decisions, no blog de Patricia C. Wrede;

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

9 thoughts on “Dúvidas e Medos (Semanário 138)

  1. Dúvidas e medos são a minha “expertise”… Pessimista por natureza, acho que não sou a pessoa ideal para dar conselhos nessa área. Mas… deixo-te a minha forma de lidar com os momentos em que parece que nada é possível e tudo falhará: fechar os olhos, lembrar o prazer proporcionado pela escrita de um (ou vários!) projectos e encontrar aquilo que de bom eles significam. Não resolve os problemas “práticos” (a longa espera, os silêncios eternos da outra parte…), mas sempre ajuda a acalmar aquela vontade de fazer uma fogueirinha com todo o trabalho feito.😉

  2. Haha! Carla, realmente a fogueira até dava jeito para aquecer os pés nestas noites frias.🙂
    Obrigada pelo conselho. Eu bem sei que são fases, mas quando estamos no meio delas, parece que vão durar para sempre.

  3. Olá…

    Entendo bem essas dúvidas e medos, então quando leio críticas acerca de textos ou obras sobre o temas que escrevo, sinto o estômago às voltas, porque sinto que tudo o que escrevi não presta e que ninguém vai gostar.
    Mas tempos depois, nunca definidos, as dúvidas passam-se e acredito que nada é assim tão mau, por isso, peço sempre uma opinião construtiva por quem sabe criticar.
    Não tenhas muitos receios, arrisca sempre, nunca se sabe o que é que o futuro nos espera. E depois, já li tanto sobre as obras que aqui são apresentadas que gostaria de ver uma delas publicada.
    Beijos e boa sorte.
    Cabeça sempre erguida e sem desistências…

    Sorte nº17, NamelessGirl

  4. nao tive oportunidade de dedicar muito tempo a projectos e ao expor-los apenas receber um silencio, por isso a minha opinião nao deve ser tomada muita em conta.
    Penso que faz parte do processo, tentamos deixar a marca pessoal mas tambem aprende-se muito de si proprio e do trabalho realizado. O trabalho enriquece-nos como pessoas e partilhamos experiências e aprendizagens com outros.
    até deves inspirar a quem passa por aqui a aventurar-se na escrita😉
    há que arriscar, prosseguir e aguardar por dias mais felizes
    por isso na minha opinião acho que estás a lidar de uma maneira correcta: valorizar o que ja fizeste.

  5. NamelessGirl, obrigada pelo apoio. Gosto muito do teu blog.🙂

  6. Obrigada Rui. Boa sorte nas tuas ‘aventuras’ literárias também.

  7. As editoras são muito chatas com uma coisa: “o nome” tem de já ser conhecido… é como ser obrigado a apresentar experiência profissional quando ninguém nos deu hipótese de trabalhar.

    Em último caso, faz uma auto-publicação!

  8. Olinda, é verdade que se não formos já ‘conhecidos’ no mercado ou não tivermos cunha, é muito difícil sermos publicados, mas não é impossível.
    Para mim a auto-publicação está fora de questão, pelos menos com as chamadas vanity-press (que te pedem dinheiro para publicar). Isso nunca farei, mas já estou a ponderar lançar-me em ebook ou numa print-on-demand (que não pedem dinheiro), embora só o faça em último caso. Não estou assim tão ‘desesperada’ para ser publicada que vá pagar para ter os meus livros em papel. Isso não faço!
    Nada contra quem o faz, mas eu não o farei. Prefiro esgotar todas as minhas outra alternativas primeiro e só depois pensar em fazer isto a solo (mas, repito, nunca a pagar para publicar).

  9. Pagar nunca! Concordo plenamente contigo

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