Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

NaNoWriMo Semana 3 (Semanário 135)

4 comentários

(Estes post fala do meu avanço na escrita do romance temporariamente intitulado “Não Apodreças nos meus braços“.)

Como esperava, cheguei às 500000 palavras logo na segunda feira. Hurray! A partir daí, não tanto por ter menos vontade de escrever, mas sim porque estava a tirar mais tempo para planear bem o ‘fim’ da história, comecei a ter uma produção média de duas mil palavras e pouco passei disso (ao contrário das três mil em média que fiz na semana anterior). O que não é nada mau, diga-se (tendo em conta que trabalho). Foi uma semana gratificante em termos de execução, mas mais de estruturação. No entanto há algo que me incomoda. É que não estou totalmente satisfeita com o fim que decidi. Não lhe vejo outra possibilidade, mas de certa forma o final não está a fazer clique! Talvez quando o escrever fique com uma ideia diferente, mas para já ainda fica a sensação que falta algo.
Posso também dizer que, segundo as minhas contas, romance deverá terminar perto das oitenta mil palavras.

Outra coisa que tenho de falar em relação a esta semana e que não está directamente ligado com o NaNoWriMo, tem a ver com alguns concurso em que decidi participar este ano e cujos resultados saíram neste mês (só os vi este semana). Como é óbvio não ganhei nenhum (ou já tinha feio festa) e confesso que pelo menos num deles tinha esperança. Dois desses concursos eram para romances e um para contos.
O que me incomodou, confesso, não foi o não ter ganho (pois o meu talento ou falta dele, não podem ser seriamente apreciados por mim), mas foi antes ver que só homens venceram e só homens chegaram às semi-finais. Coincidência ou sexismo literário? Será que não há mulheres talentosas a concorrer? Estranhamente também notei que nos júris (dos concursos) é raro ver-se uma mulher. Posso estar a pensar demasiado nisto, mas que é estranho, é. E mais não digo.

Sem mais delongas, fica agora um pequeno resumo diário da semana que passou:

DIA 14:
Cerca de dez minutos antes da meia-noite cruzei meta inicial das cinquenta mil palavras e corri pela casa a contar a toda a gente (o meu irmão acha que eu sou maluca por escrever isto em menos de meio mês). Antes do relógio dar as doze badaladas, tinha conseguido chegar às 50214 palavras. No total, nesse dia escrevi 2003 palavras.
—– Velna e Morganda estiveram num frente a frente verbal que me divertiu imenso ao escrever. As duas mulheres espicaçavam-se como cobras e era ver quem cuspia mais veneno.

DIA 15:
Foi um dia em que passei muito tempo a pensar e a escrever ideias num caderno, para tentar perceber que cenas fazer a seguir, quais não fazer e decidir de uma vez qual o final. Foi-me difícil chegar a um consenso e nos intervalos continuava a cena que tinha começado no dia anterior, mas no fim da noite já tinha tudo +/- delineado. Durante o dia escrevi 2060 palavras, somando um total de 52274 palavras.
—–Algures no texto deste dia, escrevi uma frase da qual gostei muito. tanto que a destaquei no documento. Só não a coloco aqui porque tem um bocadinho de spoiler. Mas é engraçado que tenho pensado na frase de manhã e ela se tenha mantido intacta na minha cabeça até à noite (quando finalmente tive oportunidade de a escrever) e ainda assim gostei tanto dela. Não é que seja brilhante, mas acho que transmite na perfeição a personalidade do Jored (protagonista).
Em termos de enredo, pus o meu protagonista numa situação menos que desejável e o raio do DRAMA voltou em força. Mais para a frente na história devo regressar um pouco à comédia, mas estou numa parte da história e que é quase impossível não ser séria com as decisões que tomei. O que me deixa bastante triste e talvez seja por isso que não estou ainda totalmente satisfeita com o final (este sim, mais divertido, mas ainda assim com muito drama antes). Bem, vou deixar a história fluir e depois na revisão vejo se mudo ou deixo ficar (é para isso que servem as revisões, afinal).

DIA 16:
Um dia calmo, sem grandes percalços e que terminei com uma contagem total de 54311 palavras, ou seja, escrevi no dia todo 2037 novas palavras.
—–Velna confronta por instantes o homem responsável pela sua ‘condição’ e cheguei a escrever, sem contar, uma cena com uma nova personagem, que me pareceu … errada. É aquele tipo de cenas que eu acho que poderia ser interessante, mas que não é porque me parece uma espécie de repetição de outros temas que abordei noutros livros. Possivelmente será uma cena a eliminar no futuro. Lembrei-me também de criar um estranho meio de comunicação que acho tão contraditório quanto genial.

DIA 17:
Escrevi, antes de me deitar, pouco mais de 500 palavras, para adiantar um pouco de serviço. De manhã não consegui escrever nada pois tentei descansar, por isso só voltei ao computador depois do jantar e foi teclar sem parar. pensei, verdadeiramente, que não ia conseguir escrever grande coisa, mas ainda juntei 2299 palavras às já existentes, dando um total de 56610 palavras.
—–Além de uma cena divertida em que pus o Jored a beber chá com uma solteirona e uma mulher liberal, foi também dia de mostrar um pouco do modo de vida de Velna, no Inferno (ou Tártaro). Fui definindo as regras do sítio aos poucos e gostei do resultado, embora mais tarde queira explorá-lo mais a fundo (para mim, não para a história) de forma a conhecer melhor este ‘mundo’ que criei. Há ainda muitas pontas soltas por atar e isso terá de ser feito na revisão (que promete ser das grandes!).

DIA 18:
Escrevi umas quinhentas palavras antes de me deitar, por forma a terminar uma cena que não queria deixar a meio. Já de dia, depois do trabalho, tive de fazer alguma pesquisa sobre divindades e raças mitológicas para uma cena não planeada. fiz apenas alguma pesquisa superficial com o material que tinha (livros e internet), mas mais tarde irei pesquisar um pouco mais a fundo este e outros temas que desde o início introduzi no livro sem estar muito o contar que tais factos entrassem na história.
Terminei o dia com uma contagem total de 58807 palavras, o que significa que escrevi 2197 palavras até à meia-noite.
—–Como já referi, em termos de enredo acabei por escrever uma cena não planeada que inclui uma ninfa. Também usei de algo que raramente utilizo: a descrição de um pesadelo. Não tenho nada contar sequências de sonho/pesadelo, mas é algo que muito raramente utilizo (nem me lembro quando foi a última vez que mantive uma na versão final de qualquer trabalho, embora me recorde que no primeiro rascunho de “Angel Gabriel” eu tinha uma cena assim, que mais tarde retirei por achar que não tinha grande propósito.

DIA 19:
Sábado, como se torna habitual em Novembro, foi dia de encontro de escritores do NaNoWriMo. Desta vez o local escolhido foi Braga (com uma mudança de localização, para o BragaParque, em cima da hora). Eu cheguei um pouco tarde mas enquanto conversávamos e comíamos e bebíamos, lá fui escrevendo algumas palavras. Depois fomos todos para a casa da Júlia e ficamos por lá a dormir. os pais dela tiveram uma grande paciência para aturar as nossas doidices.
Depois do jantar fomos escrevendo e rindo, sobrando ainda espaço para dois contra-relógio: 1º – 15 minutos – 617 palavras; 2º – 15 minutos – 587 palavras. Estava um pouco lenta, não por culpa do sono, mas porque não estava em sintonia com as cenas e isto propagou-se até à manhã seguinte.
Até à meia noite escrevi 2158 palavras, o que somou um total de 60965 palavras.
—–Apesar de me ter desassociado um pouco da história desde o início da semana, tive neste dia de escrever uma cena divertida em que a/o Caveira comia algo que não devia e isso teve resultados catastróficos.

DIA 20:
Só nos deitamos perto das 2 horas e ainda tivemos tempo para mais um contra relógio antes de dormir: 15 minutos – 570 palavras. na manhã seguinte, depois do pequeno-almoço, juntamo-nos todos na sala e teclamos bastante (acho que mais do que na noite anterior) e foi tempo de mais um contra-relógio: 15 minutos – 549 palavras.
De tarde separamo-nos. Eu fiquei em Braga a escrever mais um pouco até chegar uma amiga para irmos dar uma volta e nesse intervalo de tempo ainda escrevi muito. Isto porque decidi alterar uma cena que tinha escrito de manhã e ao fazê-lo senti-me um pouco mais ligada à história e, consequentemente, consegui que a escrita fluísse mais facilmente.
Como não voltei a escrever mais nada até ao fim do dia, por volta das 16 horas tinha já 5654 novas palavras, dando um total de 66619 palavras.
—–Escrevi uma cena que logo depois risquei por não achar que englobava bem o tom da trama. Como temia desde o início, a partir de um certo momento na história, o humor passou um pouco para segundo plano e o drama subiu ao palco. Isso estava a deixar-me um pouco ‘zangada’ com as minhas decisões, por isso parei e pensei em se havia alguma forma de tornar a cena que tinha acabado de escrever, um pouco mais engraçada, sem no entanto perder o seu simbolismo e significado. Felizmente consegui agilizar a situação e satisfazer a minha vontade. Ou seja, reescrevi uma cena completa (três, na verdade), com mais humor, mas sem prejudicar o drama.

A partir de um certo momento tornar-se mais difícil dar pormenores sobre o desenrolar da trama em “Não Apodreças nos meus braços“. sem falar de mais, mas vou tentar contornar isso no próximo semanário.

 Nos meus blogs Floresta de Livros e Asas da Mente:
– “I Love Him to Pieces“, de Evonne Tsang e Janina Görrissen;
– Garnath e a Bola de Cristal – Página 15;
– “The Walking Dead – Volume 8” de Robert Kirkman e Charlie Adlard;
– Booking Through Thursday – Categoria/Género;
– “O Fantasma de Canterville“, de Oscar Wilde;

No exterior:
Dr. Peeler’s Five Laws of Nanowrimo!, no The League of Reluctant Adults;
NaNoWriMo Week 3: Doubt, no blog de Deanna Knippling;
NaNoWriMo: Lessons Learned, no Writer Unboxed;
Writing a Digital Multimedia Comic, no Writer Unboxed;
The #1 Factor to Consider When Choosing POV Characters, no WordPlay;
Fear, no blog de Patricia C. Wrede;
What Kind of Author Do You Want to Be?, no Modern Myth Tools;
4 Reasons to Mimic the Masters—and 3 Reasons Not to, no WordPlay;
Discussion: What if authors get it wrong?, no Bookworm Blues;

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

4 thoughts on “NaNoWriMo Semana 3 (Semanário 135)

  1. Não sei se esse concurso de contos que falas é o do Fantasporto, mas estava no Fórum Fantástico quando os resultados foram divulgados, e penso que o Rogério Ribeiro mencionou que tinham recebido cerca de 20-30 submissões de mulheres, muitas delas com qualidade. Achei de fraca consolação depois de ver que o vencedor e as menções honrosas eram homens, mas enfim… Até entre os contos convidados só há quatro mulheres. É pena que os géneros F&FC estejam tão dominados pelos homens, especialmente em Portugal.😐

    Falando de outras coisas, parabéns por ultrapassares o objectivo das 50000 palavras do NaNoWriMo.😉 Acho espantoso que se consiga escrever tanto em tão pouco tempo (2 semanas não é?), por isso muitos parabéns. Espero que esteja a correr bem.🙂

  2. p7,
    O de contos que referia era mesmo o do FantasPorto e também foi um dos que me fez levantar a questão, mas a verdade é que nos outros dois concursos aconteceu exactamente o mesmo, e não eram cingidos à fantasia nem a FC, por isso acho que é mesmo intrínseco à cultura literária portuguesa, ou será que as mulheres não escrevem (nada de jeito)?

    Obrigada pelo apoio. Foi preciso dedicação para escrever tanto em tão pouco tempo, mas acho que compensa e este desafio do NaNoWriMo é algo que me dá muito gosto fazer todos os anos, mesmo pensando que depois tenho muitos meses de revisão pela frente.🙂

  3. Acho que as mulheres têm jeito, mas a cultura e a sociedade não ajudam a que se distingam novas escritoras. Ainda até há pouco tempo em Portugal as mulheres estavam restritas a cuidar da casa e da família, e mesmo hoje em dia passam mais tempo com tarefas da casa do que um homem. Imagino que isso roube muito tempo da escrita e dificulte a que uma mulher se distinga na mesma. E quanto menos mulheres se conseguem distinguir, mais difícil é mudar essa situação e essa percepção, penso eu.

    Imagino que seja mesmo preciso dedicação e força de vontade!😉 E mesmo com todas as revisões que hão de vir, já tens o “corpo” de uma história bem preenchido, só faltam, digamos, “os órgãos internos”. Suponho que sentir a “pressão” do desafio ajuda na motivação para escrever, não?

  4. Isso da posição das mulheres na sociedade ainda continua a ser a norma, mas felizmente julgo que está a mudar e esperemos que isso também se reflicta a nível literário. Lá fora há tantas mulheres no top como homens. Aqui não tanto (a menos que a mulher seja jet7). Enfim, esperemos que isso mude também e que as mulheres mostrem que são capazes disso e de muito mais.

    Embora eu trabalhe sempre por objectivos, é verdade que o desafio em si me estimula. Mas o que verdadeiro me faz seguir em frente em Novembro, é ver todas as outras pessoas, espalhadas pelo mundo fora, focadas no mesmo objectivo. Acho isso fantástico e sinto que não me (os) quero desiludir por isso mesmo.
    Nesse aspecto acho que o NaNoWriMo é uma experiência única todos os anos.

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