Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

“Do cliché como pecado mortal da escrita” – um apontamento

2 comentários

Este mês, na revista Os Meus Livros, o Manuel Matos Monteiro escreveu um artigo (na última página) intitulado “Do cliché como pecado mortal da escrita“.
Depois de ler o artigo, posso dizer que concordo em grande parte, mas não totalmente, por uma razão muito simples: se de cada vez que um escritor quisesse dizer “ergueu o sobrolho” fosse pensar em diferentes formas de expressar tão simples acto em palavras não comummente usadas, mais tarde ou mais cedo iria acabar por escrever algo do género de “arqueou a zona capilar, geneticamente predisposta acima do olho”, o que seria, convenhamos, absolutamente ridículo (e nem vale a pena seguirmos por esta via, porque podia arranjar uma descrição igualmente ridículo só para definir o olho, qual palavra tão básica).

Isto claro, não quer dizer que o escritor não deva pensar em formas diferentes de se expressar, pois deve!, mas nem sempre tal será necessário. Por vezes usar expressões comuns é mesmo a melhor forma de não tornar a escrita maçuda e não deixar o leitor a “arquear a zona capilar, geneticamente predisposta acima do olho”.

É claro que tal se aplica a expressões que se usem apenas esporadicamente nos livros e não àquelas que aparecem página sim, página não. Aí o escritor tem a obrigação de não se deixar levar por facilitismos, sob risco de o leitor desistir da história, ainda ela vai a meio.

Dessa forma concordo com a cerne da questão colocada no artigo e acho com, que os autores devem tentar ser o mais únicos possíveis e dar à sua escrita algo que a distinga das restantes, mas com moderação (eruditismo a mais também pode ser prejudicial).

Leiam o artigo, que vale a pena.

Nota: Não sei até que ponto me é permitido aqui ter o scan do artigo. Caso isto seja abusivo, por favor indiquem-me, para que possa remové-lo prontamente.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

2 thoughts on ““Do cliché como pecado mortal da escrita” – um apontamento

  1. Well that gentleman needs to lay off the words and get it on with the story.

    Quer dizer. Estou-me pouco lixando para os “blocos inquebrantáveis” se foram a maneira mais fácil e clara de explicar o que se passa. Ninguém gosta de ter de reler a mesma frase três vezes só porque o autor usou uma expressão tão cara que é impossível percebê-la à primeira. Claramente, este artigo deixou-me a arquear a zona capilar, geneticamente predisposta acima do olho de modo ligeiro mas não abertamente confrontador, num gesto que espero que seja sem qualquer dúvida representativo do meu estado de alma algo perturbado e extremamente desiludido.

    Compreendo o objectivo dele, claro. Estamos todos fartos de ouvir falar de corpos esculturais e cabelos cor de mel, mas hey… se estes blocos resultam, resultam. Não é por isso que somos menos creativos. Decerto não querem que diga que a babe tinha um corpo geometricamente proporcional e cabelos cor de compota de pêssego.

    O que, de forma sincera, até nem soa assim tão mal. Whatevs.
    xx

  2. Realmente essa tua descrição até ficou bem curiosa. Copright it!
    Eu compreendo a questão ‘moral’ e artística levantada no artigo, mas o senhor exagerou um pouco. Embora, tal como disse, ache que um bom escritor não se pode dar a facilitismos exagerados e afinal de contas, mencionar compota de pêssego é bem capaz de clamar ao melhor que há nas bocas doces dos portugueses.😄

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