Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Epifania (Semanário 106)

6 comentários

É impressionante como por vezes temos as melhores ideias nos momentos mais estranhos.
Na segunda-feira, estava eu a preparar o jantar e a limpar carnes, quando dei por mim a pensar sobre a história central de Vermelho Sangue, mais propriamente nas personagens e na forma como elas surgem na história. A verdade é que nunca cheguei a consenso sobre quando e onde certas personagens deveriam aparecer, e todas as minhas tentativas anteriores (na BD e nos meus planos) saíram estranhas e algo forçadas. Nunca fiquei satisfeita com a minha ‘cronologia’ de aparição de personagens.
Mas estava eu a cozinhar e algo fez click na minha cabeça. O meu maior problema é que cinco das minhas personagens ‘quase’ principais são amigas, mas ontem apercebi-me de que, apesar de isso se manter, eles não têm necessariamente todos de aparecer ao mesmo tempo. E fez-se luz!
Depois, para surpresa das surpresas, finalmente consegui perceber que, sem me dar conta, tinha criado nesse ‘mundo’ uma hierarquia de tribos e quanto mais pensava nisso, mais sentido fazia. Assim agora está decidido que esse ‘mundo’ está dividido entre os ‘comuns’ e os ‘especiais’, este últimos normalmente afastam-se um pouco dos restantes para poderem sobreviver com os seus costumes e características.
O mais engraçado é que eu já tinha feito essa ‘divisão’, mas nunca tinha pensado nas coisas dessa forma, e ao fazê-lo, um novo mundo de oportunidades narrativas se abriu à minha frente.

Finalmente posso dizer que tenho consistência história no mundo que criei para esta história, e isso faz-me sentir bastante mais segura com toda a narrativa, abrindo caminhos para situações que nunca antes se tinham criado na minha mente.
O que não quer dizer que já tudo esteja definido, mas grande parte, sim.
Agora só me falta polir o vilão, pois este está ainda muito ‘fraquinho’ e eu não quero um vilão sem carisma, já que os heróis o têm para dar e vender. Acredito piamente que um vilão desenxabido pode estragar uma narrativa interessante e um role de personagens vivas, por isso não quero vilões pela metade.

E já agora, que comecei esta conversa sobre vilões, o que é que vocês acham imprescindível num verdadeiro vilão?

Agora quanto ao verdadeiro resumo da semana:
– 2ª feira – Escrevi 3 páginas para o guião de Visitante Indesejado;
– 3ª feira – Tomei vários apontamentos para Vermelho Sangue, corrigi três capítulos de Dragões e seus Sacrifícios, escrevi 3 páginas para o guião de Visitante Indesejado;
– domingo . Escrevi 10 páginas para o guião de Visitante Indesejado.
E sim, passei quase toda a semana sem fazer quase nada relacionado coma  escrita.

No Floresta de Livros:
Regresso dos Deuses: Rebelião – Divulgação;
– “Pela Sombra Morrerão“, de Carla Ribeiro;
– “Golfinho de Júpiter“, de Mary Rosenblum;
– Top Ten Tuesday – Rewind;
Fénix, nº 0;
– Booking through Thursday – Capa;
Zona Fantástica;
Dia Mundial do Livro 2011.

No exterior:
Slow and steady won’t win this race, no  Dirty Sexy Books;
Five things I’ve learned by e-publishing, no Writer Unboxed;
7 Query Lessons, no Writer Unboxed;
Do Editors edit anymore?, no Writer Unboxed;
How to Bring Your Writing to Life With the “Telling Detail”, no WordPlay;
What Is a 50-Page Edit… and Why Will It Rock Your Story?, no WordPlay;
Exposição Prolongada à Ficção Científica, no Efeitos Secundários

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

6 thoughts on “Epifania (Semanário 106)

  1. AH, this one’s right up my alley!

    Um vilão? Um vilão deve ser carismático. Não demasiado teatral, porque isso pode torná-lo cheesy. Se for teatral, deve ter consciência disso e fazê-lo de propósito, como parte de uma actuação. Meaning, não basta rir maquiavelicamente e desaparecer atrás de uma capa negra. Nope. Mas fazer um discurso do mal num teatro abandonado nunca fez mal a ninguém.🙂

    Um vilão deve ser… bem, mau. Ou pelo menos, deve fazer coisas más aos heróis. Ou pelo menos, deve fazer algo que vá contra aquilo que os heróis querem, mesmo que não seja valorativamente mau.

    Um vilão tem de ter motivações fortes e não apenas “MWHAHAHA WORLD DOMINATION JUST FOR CAKES”. Se o vilão é, na maioria das vezes, humano, deve agir como um, com qualidades e defeitos, e com objectivos e obstáculos.

    E… estou a escrever um discurso, pelo que acho que é isso!

    xx

  2. Concordo, Rafaela. Mas eu também sou das que acha imensa graça a um bom riso maquiavélico (mesmo teatral). Muahahahahaha!😄
    (o meu vilão não vai ter disso, que ele é mais cobra de se esconder e não de dar espectáculo.)

    P.S.: “WORLD DOMINATION JUST FOR CAKES” parece-me uma justificação mais que válida.😛

  3. «É impressionante como por vezes temos as melhores ideias nos momentos mais estranhos.»

    Não sei se alguma viste aquele episódio do Big Bang Theory (vês Big Bang Theory?) em que o Sheldon ia servir às mesas para imitar Einstein, que supostamente teve as suas melhores ideias enquanto fazia um trabalho aborrecido no registo de patentes. As melhores ideias surgem sempre quando se está a limpar o pó/cortar cebolas/cortar pontas espigadas (sim, eu faço isso, é um meio de procrastinação favorito)

  4. Rekoa Meton, onde tens andado rapariga? E que aconteceu ao teu blog? (eu tenho estado ausente, mas devo estar mesmo alheia para não reparar antes que tinha desaparecido)

    E sim, as melhores ideias surgem nessas alturas, ou então quando estamos a passear, longe de casa e longe de um papel e uma caneta.😦

  5. Diria que o mais importante para ter um bom vilão, assim como uma boa personagem, é uma motivação coerente. Concordo com a Ana Rafaela, um vilão que faz as coisas porque é “mau” soa a justificação barata a la George W. Bush.

    O único vilão que até agora vi bem construído sem querer propriamente nada a não ser criar o caos foi o Joker no The Dark Knight.

  6. Ah, o Joker, realmente é dos poucos que se safa com essa.
    E sim, tens razão, um vilão sem motivações, não é vilão a sério. Por isso mesmo é que ainda acho que tenho muito que trabalhar neste meu vilão, antes de o achar em condições de estar nas linhas de uma narrativa minha.🙂

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