Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Medicina (Semanário 103)

5 comentários

Esta semana não foi a segunda-feira, mas antes a terça-feira que se mostrou mais produtiva. Fiquei pasma com a contagem, e não são muitas as vezes que tal acontece, mas e não é que repeti a proeza na quarta-feira também?
Além do mais foi para escrever uma parte da história que é bastante importante e na qual ainda vou ter muito que limar, depois durante a revisão.

Foi também na semana que findou que me deparei com um dilema. A minha história é fantasia, mas passa-se numa época em tudo semelhante à nossa idade medieval. No entanto eu cheguei a uma espécie de entrave, onde a fidelidade histórica entra em conflito com algo que acho determinante para a história. Algo que não era comum naquele tempo, mas que, sendo este um mundo fantasia e não sendo o elemento muito estranho, talvez pudesse passar despercebido.
Será que por ser fantasia me posso dar a esse pequeno (e quase insignificante, mas ainda assim significante) ‘luxo’? Ou estaria a ser abusiva?
Refiro-me a duas situações:
1) A minha protagonista tratar o pai por “papá”, em vez de “senhor meu pai” ou coisa parecida. Não posso ter certezas, mas duvido que naquele tempo houvesse o tipo de familiaridade capaz de deixar uma filha tratar o pai por algo tão … ‘desrespeitoso’ (para a época, claro está). No entanto, a razão porque o queria fazer era porque os dois têm uma relação muito próxima e não me parece que tal proximidade conseguisse ser transmitida com palavras tão ‘impessoais’ como “senhor meu pai”. Que vos parece? Estou a pensar demasiado nisto? (eu tenho o hábito de entrar em stress pelas coisas mais insignificantes);
2) O poder curativo das plantas. Não tenho a certeza quando foi descoberto o poder curativo de algumas plantas, e tanto quanto percebi pela minha pesquisa sobre a medicina da altura, esta não era especialmente avançada, mas na minha história dei à minha protagonista alguns conhecimentos medicinais (tem lógica), mas que talvez ainda não fossem correntes na época. Pelo menos não no início da era medieval (talvez mais lá para o fim). Alguém sabe?
Fico na dúvida se devo dar a volta a estas situações, ou se mantenho, pelo bem da minha sanidade mental (mais o 2 que o 1, porque já procurei e sinceramente o sistema de cura deles era bastante rudimentar e poucos são os pormenores que nos são dados em relação às matérias que eles usavam naquele tempo).
Faz algum sentido eu estar a stressar tanto por causa dito? Às vezes parece-me que não, mas outras …

Enfim, esta semana foi boa na escrita, mas também na dose de dores de cabeça.

No Floresta de Livros:
3ª Convenção Nacional de BookCrossing;
– Booking Through Thursdays – Manchetes;
– “Na Sombra do Desejo“, de J.R. Ward;
Meme Literário.

Exterior:
The Turning Point, no Deadline Dames;
That Setting Thing …, no The League of Reluctant Adults;
What’s your story’s agenda?, no Writer Unboxed;
Critique and Beta Readers, no Deadline Dames;
Take a Break, no Writer Unboxed;
Comic: While you’re sleeping, no Writer Unboxed;
Why vague writing is weak writing, no Wordplay;

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

5 thoughts on “Medicina (Semanário 103)

  1. Espero poder ajudar-te com o ponto 2, via uma disciplina que tive na faculdade, História da Farmácia e Terapêutica.

    Pelo que sei, desde a Grécia Clássica que se publicaram compêndios em que eram incluidas plantas com algum tipo de actividade curativa (ex: Dioscórides com o “De materia medica”).

    Penso que o problema na Idade Média não era tanto a não existência de conhecimentos de farmacognosia (estudo de plantas como medicamentos), mas mais devido a tais conhecimentos estarem restritos a “centros de conhecimentos” como eram alguns mosteiros conceituados que vieram a ser os embriões das universidades.

    O povo comum era mantido fora desse tipo de coisa, mas é claro que haviam sempre mulheres sábias em algumas povoações, com alguns conhecimentos de medicina baseada nas plantas. Se bem que mais no fim da Idade Média se arriscavam a ir parar à fogueira como “bruxas”.

    The point is, espantar-te-ias com a quantidade de coisas que eles sabiam (mas também com as coisas que eles não sabiam xD). Penso que nos primeiros séculos da Idade Média em território europeu a medicina estava bastante atrasada em relação a, digamos, os territórios árabes, mas recuperaram perto da viragem do milénio.

    Por isso a resposta à tua pergunta é que sim, é perfeitamente possível a rapariga ter esse tipo de conhecimentos. Basta que tivesse um erudito ou uma mulher sábia na povoação onde vivia, ou algo do género.

    Quanto ao ponto 1, vou dar a minha opinião mais do que falar do que sei, porque não sei grande coisa sobre formas de tratamento na Idade Média.

    Além dessa opção de tratamento entre pai e filha, é possível tentar transmitir essa familiaridade através de acções e não palavras? Se bem que imagino que o tratamento familiar também pudesse variar com a classe e se a tua protagonista for de classe mais baixa esse tratamento for mais plausível. Mas again, não tenho qualquer tipo de conhecimento concreto quanto a isso.

  2. Obrigada p7. Já ajudaste. A minha protagonista faz parte do povo, mas tem acesso a mosteiros e conventos onde aprendeu várias coisas, por isso o conhecimento está explicado. Eu também tentei usar plantas comuns, como alho, limão e laranja, mas não sei até que ponto isso já era usado para tal fim naquela altura.
    Mas obrigada, a sério.

  3. Então faz sentido.😉

    Sobre o alho não sei muito, mas penso que o limão e a laranja mais “doce” só foram mais disseminados na Europa no contexto pós-Descobrimentos, Contudo, creio que na Idade Média já se conhecia um tipo de laranja mais ácido/amargo.

  4. Relativamente ao ponto 1, que tal optares apenas por “meu pai”? É carinhoso, não tão infantil como “papá” e não tão sério como “senhor meu pai”.
    “Meu pai” parece querido. Ou se calhar sou eu que sou demasiado fria e nunca tratei o meu pai por ‘papá’ xD

  5. Caramba! Como é que não pensei nisso? Tens razão, meu pai soa mais carinhoso mas ao mesmo tempo com respeito.
    Obrigada pela dica. Às vezes as coisas mais óbvias passam-nos despercebidas.

    E deixa lá, também nunca tratei o meu pai por “papá”.😀

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