Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Promiscuidade (Semanário 92)

6 comentários

Estou a escrever uma história que se passa numa época algo medieval. Toda ao enredo se passa dentro e nos arredores de um pequeno vilarejo que fica situado bem no meio do território de um Dragão.

Mas esta vila não é conhecida por causa desse ente, mas antes pela promiscuidade dos seus habitantes. Ou pelo menos é isso que diz o meu narrador,o qual descobri recentemente e que tem uma língua bem afiada.
Confesso, estava receosa em começar esta noveleta, pois temia que a voz narrativa fosse muito semelhante às anteriores histórias que escrevi, mas, se se mantiver assim, vai ser bem diferente.

E por falar em vozes narrativas, acho que estas nascem por si só. Ou seja, é quase como se não tivesse grande controlo sobre isso, na medida em que quando começo a escrever algo, a história já vem com a sua “voz”. Não sei se isto acontece a toda a gente, e talvez seja falta de prática da minha parte (ou não), mas a verdade é que sou eu que me adapto a ela e não o contrário.
Claro, isto é maneira de falar, pois sei que vem tudo da minha cabeça, e não do exterior. Gosto de acreditar nas musas, e quem sabe(?) elas até não dão uma mãozinha, mas na verdade é o autor que controla a história, deixando-se ser controlado por esta.
Estranho?
Talvez, mas adoro quando escrevo alguma coisa que não estava a espera, ou uma personagem revela algum segredo que nem eu conhecia. São epifanias do momento, mas eu, enquanto escritora, sou várias vezes apanhada de surpresa, e acredito que o mesmo aconteça aos outros, mas corrijam-me se estou enganada.

Enfim, como seria de esperar, a semana passada foi parca em escritas (por causa das festas), mas gosto de pensar que comecei bem o ano, pois escrevi nos dois dias que já passaram, e só no dia de ontem (dia 2) escrevi mais de 1600 palavras (para a noveleta acima mencionada, de nome (provisório) Sacrifício).
A verdade é que como me “comprometi” a fazer muita coisa em termos de escrita, este ano, estou a tentar começar cedo e adiantar logo à partida, enquanto estou “com a pica toda”. Só espero que esta “decisão” não se perca cedo e eu me deixe levar pelas distracções.

E vocês? Como começaram o ano (não me refiro só em termos de escrita, mas no geral)?

 

Na Floresta de Livros:
Grimm Fairy Tales, Volume 4;
Segunda página, 1 ano depois;
Conversas Imaginárias 2011;
Compras e Ofertas, Dezembro 2010;
Livros Lidos em 2010;
Relatório 2010;
Objectivos 2011.

No exterior:
Fábrica de Livros, um post sobre as “pseudo-editoras”.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

6 thoughts on “Promiscuidade (Semanário 92)

  1. Actually… noto que perdi essa capacidade.

    Antes, cada cena saía-me na voz exacta do personagem que a estava a descrever.

    Agora, parecem-me todas iguais. Tipo, é só uma longa longa enumeração de acções que X ou Y fazem e que Z está a descrever. Está a ser uma tortura autêntica escrever para Castles Of Cards exactamente por isso, chego ao ponto de me esquecer do POV em que estou porque são todos tão impessoais.

    Acho que vai ser uma longa, longa revisão… LOL

  2. Isso também me aconteceu muito nas personagens, mas neste caso referia-me a um narrador externo à história. De qualquer forma, é muito chato quando nos parece que as personagens não têm voz ou personalidade próprias. Quando isso me acontece, fico super-irritada a pensar que o defeito é meu. Claro que, com um pouco de trabalho, e à medida que vamos conhecendo melhor as personagens, isto tende a desaparecer (acho eu) mas depois as revisões são uma dor-de-cabeça.😦
    Boa sorte com o Castles of Cards.

  3. Nuh-huh, refiro-me mesmo à voz narrativa!

    Tipo, se estiver a contar a história em 3rd person da perspectiva do Skye é igual a contá-la da perspectiva do Lyle, porque são ambos idiotas que não vêem mais nada além do seu próprio umbigo. Sad but true. É exactamente o mesmo problema que tinha com o POV do Raphael!

    xx

  4. Rafaela,
    Não se se percebi mal, mas parece-me que quando escreves na terceira pessoa é impossível as coisas não soarem semelhantes, pois tem “uma” única voz narrativa que vai descrevendo os movimentos de todas personagens. Essa “terceira pessoa” é que é o narrador. Só no caso de narração em primeira pessoa é que as “vozes” teriam obrigatoriamente de ser distintas. Agora se estivermos a falar de terceira pessoa com proximidade, ou seja, um narrador (quase omnisciente) que se “afunda” nos sentimentos das personagens, então terá de ter uma certa distinção, mas não em demasia, porque a terceira pessoa, por si só, já representa um distanciamento das personagens da acção.

    Não sei se me expliquei bem, e posso estar para aqui a falar chinês, mas para mim é isso que significa os diferentes POVs. Afinal, não podemos estar a tentar criar o mesmo tipo de ambiente quando estamos a escrever através dos olhos de uma personagem (como se fossemos nós), e quando estamos a escrever através de um único narrador, alheio à acção (ou que pouco entra nela).

  5. Não concordo, sabes? Acho que é perfeitamente possível – se não até desejável – escrever um POV em terceira pessoa com total proximidade ao personagem. Gosto de imaginar que o personagem se está a narrar a si mesmo em terceira pessoa. Ou que sei exactamente o que ele pensa e que por isso estou a contar a sua história da forma mais próxima possível à que ele usaria, vocabulário e tudo. Afinal, se estou a dizer “o Bob sentia-se tão deprimido que ia atirar-se de um prédio”, estou dentro da cabeça do Bob.

    É a minha escolha default, I guess, porque o omnisciente é um nojo e a primeira pessoa é para mim muito difícil de acertar. Só o consegui uma vez.🙂

    xx

  6. Tens razão, tens razão. Se calhar precipitei-me um pouco nas palavras, mas ainda assim acho que a terceira pessoa nunca consegue ser tão próxima como a primeira. Pode ser extremamente próxima, mas não de forma tão “intima”, compreendes?
    De qualquer forma, entendo perfeitamente onde queres chegar, e vou ser sincera, essa é uma das razões porque não sou grande adepta da escrita na terceira pessoa. Não sei … acho que é-me mais fácil transmitir as personagens na 1ª pessoa, mesmo quando esta é mais limitativa.

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