Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Feira do Livro de Barcelos (2)

2 comentários

Dia 13
22:00 horas, teve lugar uma tertúlia com a mediação de José Fanha e a participação de Nicolau Santos e Cristina Carvalho.
Infelizmente esta tertúlia começou tarde (mais de meia hora de atraso) e por isso acabou por não durar muito tempo (havia um concerto a seguir e o barulho impedia a continuação). Para além disto, tenho a dizer que não gostei da forma como a organização nem sequer pediu desculpas ao público pela alteração do programa. Em vez da Cristina Carvalho, o programa anunciava a Rita Ferro e não deram qualquer justificação ao público por esta troca. Não em interpretem mal! Gostei de conhecer e ouvir a autora Cristina Carvalho, mas um pedido de desculpas ou uma pequena justificação, teriam caído muito bem à organização da feira.
De volta à tertúlia, José Fanha começou por falar no facto de os Portugueses lerem pouco, e as razões porque ele achava que isto acontecia (piorou depois dos descobrimentos, a ditadura de Salazar não ajudou, etc.)

A primeira questão da noite foi: “Para escrever é preciso ler?”
Nicolau  Santos disse “Os livros ajudam a que nos descubramos a nós mesmos.”, porque a vida e os livros têm muitos pontos em comum. “A relação com os livros marca-nos.” Recomendou também a leitura da obra de Isabel Figueiredo.
Cristina Carvalho disse “Para mim é uma alegria escrever. Dá cabo da cabeça mas não é doloroso. É feliz!”, afirmando também que a escrita é um processo muito solitário e não há como desmentir isso. A autora deixou ainda uma dica para os que querem ser escritores: Escrever todos os dias um bocadinho. Qualquer coisa que seja, e depois rever no dia seguinte.
Foram lidos dois poemas, um de Daniel Pinto Rodrigues e outro de um(a) autor(a) que não captei, mas que se chamava “Lágrima de Preta”. Gostei de ambos, mas o segundo foi o que mais gostei.

Uma das perguntas do público foi: “Para quem e para quê escreve?”
Cristina Carvalho disse que tem necessidade de escrever para o público, para as pessoas. E não se vê a fazê-lo de outra maneira.

Nicolau Santos confessou gostar muito da experiência de ler poesia ao som de jazz.

José Fanha falou um pouco da poesia erótica, dizendo que pensa que as mulheres escrevem com mais facilidade neste género, do que os homens. Nicolau Santos discordou do mediador dizendo que os homens também escrevem muito boa poesia erótica, terminando com a leitura de um poema dentro do estilo, que se não me engano era do próprio José Fanha (não foi dito o nome do autor, mas foi dado a entender).

E assim terminou a tertúlia, que foi interessante, embora curta.

Dia 14

21:30 horas,deu-se a apresentação da “Antologia 7 Pecados“, uma iniciativa da Blogtok, com 130 poetas incluídos nas suas páginas. Estiveram presentes vários desses poetas,mas os que falaram para o público foram José Lourenço e Ibernise Maria (que veio directamente do Brasil).
Depois de  José Lourenço fazer uma apresentação bastante única (e emotiva) da antologia e de como chegaram a ela, mencionando que esta era dedicada a um amigo que faleceu), Ibernise Maria falou um pouco do estado da cultura no Brasil e como estavam a tentar cultivar as artes, criando a maior base de dados de artistas do mundo (objectivo). Falou também da Casa da Poesia de Indiara (casa da autora) que estabeleceu uma parceria com a Câmara Municipal de Barcelos, e por fim entregou umas menções honrosas e placas de embaixador da poesia ao José Lourenço.

22:30 horas, foi a vez da apresentação do livro “O chalé de Cork” de Quito Arantes, que infelizmente não correu como deveria porque lá fora estava um grupo de gente a fazer um barulho infernal (infelizmente foram os autoras da antologia que, lamento dizer, não tiveram qualquer respeito por este autor e a sua apresentadora ).
Ainda assim, a apresentadora (Alexandra Corte Real),  falou muito bem do primeiro livro do autor e da sua história. Algum do cutos deste livro reverte para a associação AMA (Autistas).

Dia 15
21:30 horas, cheguei um pouco tarde e por isso já apanhei a primeira apresentação a meio. (Nota: Esta apresentação estava marcada para as 18 horas mas foi adiada para a noite porque não havia espectadores de tarde).
Paulo Borges começou por falar de Portugal no mundo, com relação ao seu livro “Uma visão Armilar do mundo”, e o autor falou com muita convicção e conhecimento de causa.

Em seguida foi lido um excerto do livro “Bússula”, de Flávio Lopes da Silva, o primeiro livro (de poesia) do autor que foi longamente e extraordinariamente elogiado pelo Paulo Borges (diria mesmo, elogiado de forma extenuante). O autor do outro livro falou da poesia  e por momentos esqueci-me que estava a falar do livro do outro autor, pois ele falava de forma tão convicta que mais parecia estar ele a escrever um livro de poesia sobre o livro de poesia em questão.😄
No fim foi a vez do próprio autor (Flávio Lopes da Silva) que depois de uma introdução mais tímida (compreensível) relaxou perante o público e os amigos.

22:30 horas, foi altura para a apresentação do livro”Crónicas do Novo Mundo”, uma edição de autor deste escritor já publicado anteriormente, mas que queria, neste livro particular, ter a liberdade de escolher o design , o tamanho e tipo de letra, assim como de fazer os textos serem acompanhados por ilustrações do seu irmão.
O escritor é José Ilídio Torres, e o ilustrador é Silva Torres.
Apresentado pelo Xavier Zarco (editor do autor na Temas & Debates), que foi apanhado desprevenido pois o autor pregou-lhe uma partida de forma a que fosse ele a apresentar.😄 Falou dos trabalhos anteriores do autor e um pouco desta colectânea de 13 crónicas que José Ilídio Torres escreveu em 13 dias, num estilo e género que nunca antes havia explorado. Elogiou grandemente a escrita e a forma como costuma retratar as mulheres e fazer uso de finais surpreendentes.

O autor seguiu-se, falando com muito à vontade. Elogiou o irmão pelo trabalho nas ilustrações e design. E logo passou a palavra ao irmão que foi muito sucinto mas que, embora dissesse o contrário, parecia estar bem à vontade também.

Dia 17
21:30 horas, Mário Vale Lima começou esta tertúlia falando um pouco da Pedopsiquiatria e dos temas que tentariam abordar nessa noite (pedofilia(especialmente homossexual), adopção por parte dos casais homossexuais, violência das crianças para com os pais e adultos, assim como o bullying e o abandono escolar).
Logo de seguida passou a palavra ao Pedro Strech que começou por falar um pouco de estatísticas e como, por exemplo, na Finlândia as crianças passam menos tempo na escola e ainda assim conseguem ter dos valores mais altos de sucesso escolar.
Em termos de adopção por parte de casais homossexuais, e de forma ponderada, afirmou que era contra pois acha que nestes casos os direitos das crianças se devem sobrepor aos direitos dos adultos e que as crianças têm direito a ter um pai e uma mãe.
O psiquiatra deu o exemplo de um caso em que um casal com um/a filho/a que se separou e o pai juntou-se a um homem e a mãe a uma mulher. Isto afectou muito a criança que teve dificuldade em aceitar a situação.
Noutros temas, mas ainda sobre crianças e adolescentes, o Pedro Strech deu vários exemplos com os que se havia cruzado e cada um era mais caricato que o outro. Nu debate com o público surgiu o tema de, agora, os pais estarem a tentar ser “amigos” dos filhos ao invés de serem “pais”, pois as responsabilidades de serem “amigos” são menores e não têm de arcar com todos os problemas de serem “pais”.
Em suma, foi uma tertúlia bem passada, que se mostrou curta. Infelizmente a Susana Baptista não chegou a falar durante a tertúlia.

E isto finaliza o que tive oportunidade de assistir durante a 28º Feira do Livro de Barcelos, e estou bastante contente em ter assistido a tudo isto, embora gostasse que a Câmara convidasse também outro tipo de escritores (fantasia?), ao invés de se focar quase totalmente nos poetas.
Ainda assim é de louvar a forma como apoiaram os autores Barcelenses, permitindo que os barcelenses incautos e distraídos (como eu) tomassem conhecimento de vários autores do concelho.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

2 thoughts on “Feira do Livro de Barcelos (2)

  1. Só o facto das pessoas se moverem em função da literatura está justificado o motivo por que lemos e daí nos colocamos a escrever e nem sempre composições para o encantamento alheio, mas pelo prazer manifesto em palavras.
    Todos estão de parabéns. Adiante.

  2. Os nossos agradecimentos pela exposição. Quanto ao “desrespeito” aceitamos a critica mas foi de todo inevitável. A organização deveria ter organizado de outra maneira. As nossas desculpas ao autor.

    Para os nossos amigos deixamos o recado:

    http://Www.antibp.blogtok.com

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