Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Feira do Livro de Barcelos (1)

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Vou falar aqui um pouco das minhas desventuras aventuras pela Feira do Livro de Barcelos. Espero que não seja demasiado maçador.

Dia 9

17 horas, estava eu à espera de um discurso de inauguração e uma consequente visita pelos altos-estandartes à feira. Pois bem que fiquei à espera! Eram 17:30h e ninguém “importante” aparecia. Pouco depois lá surgiram, mas discursos … nem vê-los ouvi-los. Os importantes trocaram palavras entre si e começaram logo a ronda pela feira, nem “bem-vindos à feira do livro” nem coisa nenhuma.

Como tinha uma consulta dali a nada, não pude ir a uma apresentação de livro que foi anunciada nos altifalantes, mas que, espantosamente ou não, não estava mencionada no programa. Não sei quem era o autor, nem qual o livro.

Como podem notar, em apenas uma hora notou-se uma desorganização incomodativa. Felizmente não há só coisas más a dizer. A Feira do Livro este ano está num local de muito maior exposição ao público, e consequente movimento das massas. Os stands também estão melhor organizados e, para minha grande felicidade, este ano têm melhores descontos. Só é pena, como sempre, não terem muitos títulos. Eu já por várias vezes andei À procura de títulos que não encontro em lado nenhum. E são recentes!

Tinha intenções de ainda voltar lá de noite, para a apresentação do livro do vencedor do Prémio Literário de Barcelos (Sérgio Costa), mas não tive oportunidade.

Dia 10

17 horas,lá fui eu toda pronta, de bloco de desenho atrás, convencida que iria tirar o maior proveito do atelier de ilustração da Rachel Caiano. Só que mal cheguei lá (ainda estavam a abrir as barracas) percebi o meu erro: aquele evento era para os mais novos (assim como todos os de arte que vão acontecer durante a feira. INJUSTIÇA!). Claro que não tive lata para me sentar nas cadeirinhas e fazer perguntas à ilustradora, então fui fazer a ronda à feira.

Uma coisa que notei logo foi o facto de este ano haverem muitos mais alfarrabistas. O que é bom para quem tem pouco dinheiro (aqui como eu).

21:30 horas, Gonçalo M. Tavares esteve à conversa com a jornalista Sónia Sousa.
O auto mostrou algumas reticências na conversa (o que não é de estranhar) tendo optado por não falar de coisas privadas (mais do que compreensivo). Começou por mencionar que nascera em Luanda mas que nada recordava pois veio para Portugal muito novo. Entre os 18 e os 20 anos o autor confessou ter uma disciplina obsessiva quanto a tudo na vida, especialmente na escrita (a que horas dormir, a  que horas escrever, comer, etc.)
Publicou o primeiro livro aos 31 anos, embora tivesse muitos livros já escritos nos anos anteriores. Apesar disso, uma das suas dicas para os novos escritores, foi que não publicassem antes dos 30, pois segundo o autor, ainda não têm maturidade e conhecimento suficiente para publicarem livro.
Uma curiosidade sobre o autor é que este lê muitos livros ao mesmo tempo (de 5 para cima) e vai parando a leitura quando o livro o começa a aborrecer, para só voltar a pegar nele quando se sente preparado. Contou que uma vez chegou a ter 80 livros na mesa de cabeceira. O.o
O autor disse que o mais difícil para um escritor era o “sentar-se para escrever”, pois depois de estar sentado as palavras começavam a fluir, O difícil era mesmo começar.
Embora “escritor” não seja a sua única profissão, o autor escreve cerca de 5 horas por dia, sempre de manhã e diz que não consegue passar mais que uns poucos dias sem escrever.
Durante o serão o autor mencionou várias obras, entre as quais “Cartas a Lucílio” de Séneca e a obra de Agustina Bessa Luís, entre outros.

Foi um serão bem interessante e como nunca li nada do autor, fiquei ainda mais curiosa.

22:30 horas Ouve um espectáculo musical de Samuel Úria, que eu infelizmente não pude ouvir até ao fim, mas que tinha uma batida bem conseguida. Gostei especialmente da voz potente do vocalista.

Dia 1222 horas, teve início a tertúlia “Letras da Galiza” que contou com a participação dos autores Marta DaCosta, Francisco Castro e Carlos Quiroga, com moderação de Vergílio Alberto Vieira.
O que mais gostei nesta tertúlia foi a interacção entre os três escritores e o moderador, que pareciam ter todos um à vontade que deu um ambiente muito descontraído a todo o serão. Depois falaram de muito mais que a sua literatura, e até mesmo mais do que a literatura da Galiza, explicando ao público incauto muitas das dificuldades que os autores da Galiza tinham em se afirmar, por questões políticas e logísticas.

Quem falou primeiro foi a escritora Marta DaCosta que afirmou que no mundo literário, as mulheres tinham-se de escrever no feminino e afirmar o seu sexo, pois de outra forma não conseguiam vingar no mercado. Mais tarde esta mesma escritora contou que adora ler clássicos e que foi assim que se formou na própria língua. Confessou que o primeiro autor português que leu foi Fernando Pessoa e que muitas vezes vinha a Portugal de propósito para comprar livros. Sugeriu também aos presentes que lessem Ana Luísa Amaral, com quem a autora se identifica muito a nível de escrita.

Francisco Castro pareceu ser o mais “tímido” dos três, mas mesmo assim não teve problemas em falar para o público afirmando convictamente que os escritores da Galiza não são apreciados pelo seu próprio “povo”. Achei muita graça quando o autor disse que um dos seus temas que primeiro escreveu foi o amor, e depois prosseguiu dizendo que isso era por ter sido um adolescente muito necessitado.😄
Alguns dos seus autores favoritos são Philip Roth, Paul Auster e o falecido José Saramago, por quem o autor parecia ter grande apreço.

Carlos Quiroga, esteve muito à vontade e de vez em quando lá lançava umas piadas que punham o público a rir. É muito expressivo e não guarda opiniões, mostrando tudo o que pensa sem contenções.
Contou, mais tarde, que vem de uma família mais rural e que por isso não teve muito contacto com os livros na infância. Elogio muito a literatura portuguesa, e disse mesmo que pensava que os melhores poetas do mundo estavam em Portugal. Por outro lado também afirmou que os maiores e mais conhecidos escritores portugueses estão sobrestimados.

No final da noite cada um leu um excerto de um trabalho seu. Marta DaCosta leu um poema inédito, Francisco Castro leu a 1ª página do livro “O Segredo de Marco Polo” e Carlos Quiroga leu a 1ª página do seu livro “Inchalá”.

Posso dizer que gostei muito desta tertúlia, tanto por me dar a conhecer estes três escritores, como por me permitir saber um pouco do que se passa na Galiza, que se sente oprimida pelo seu próprio país e onde os seus escritores não se sentem reconhecidos.

Nota: Mais posts virão, com os dias que se seguiram da Feira do Livro de Barcelos.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

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