Pela manhã

As coisas que dizíamos, as coisas que fazíamos, não tinham sentido, nem lógica, nem razão. Estávamos ambos envoltos numa loucura cega, que nos levava a agir por instinto e não nos deixava parar para pensar.
Se ao menos tudo fosse mais simples, se não tivesse de olhar para trás e tentar justificar tudo o que fiz, então tudo seria menos penoso e eu poderia desfrutar daqueles momentos, daquela insanidade. Mas a nossa embriaguez não alcoolicamente induzida, cedo chegaria ao fim, e com ela a culpa, o desprezo, a revolta e a repulsa.
Não queria acordar no dia seguinte, com nojo de mim mesma, e acima de tudo, não queria ver o asco nos olhos dele, quando me visse pelo que realmente sou e eu olhasse para o mais fundo da sua alma.
Estávamos presos numa infinita encruzilhada, num labirinto sem fim e cujo porta de entrada se havia fechado assim que entráramos nele.
Queria perder-me com ele. Ai se queria!
Deixá-lo tocar-me, amar-me, seduzir-me, fazer-me derreter debaixo dele, perder-me na loucura, mas nenhum dos dois tinha a força para dar o primeiro passo. O passo decisivo! Pois ambos receávamos o final.
Abraça-me!
Beija-me!
Mais não me odeias pela manhã.
Só que um não vem sem o outro, pois não?

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