Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Meme de Escrita (Writing Meme)

4 comentários

Vi o Writing Meme no A Novel Idea e não resisti a responder também. Por isso aqui fica, com as perguntas originais e traduzidas, mas as respostas só em Português, porque tenho preguiça XD:

1.) Qual foi a última coisa que escreveste? (What’s the last thing you wrote?)
Uma cena para o Angel Gabriel, onde matei uma personagem e depois as outras personagens ficaram a chorar.

2) Qual foi a primeira coisa que escreveste e que ainda tens? (What’s the first thing you wrote that you still have?)
Deixem-me pensar … Acho que foi uma história conjunta com a Natacha, que era sobre dois grupos de mutantes, um do bem e outro do mal.  Se não me engano chama-se Fénix vs Lagusa ou coisa do género (não tenho aqui para confirmar). Foi uma experiência engraçada e escrevemos, o que julgavamos ser um épico, em vinte capítulo de uma página cada. Já viram? Épico!

3) Escreves poesia? (Write poetry?)
Não. Nunca senti no chamamento da poesia. Cada macaco no seu galho. certo?

4) Poesia deprimente? (Angsty poetry?)
É algo a ponderar … Não. Também não senti esse chamamento.

5) Género literário preferido, para escrita? (Favorite genre of writing?)
Fantasia e Drama, porque eu sou a eterna pessimista e por isso consigo sempre imaginar os piores cenários.😄

6) O personagem mais chato que já criaste? (Most annoying character you’ve ever created?)
Boa pergunta! Talvez um rapaz, cujo nome não me recordo, que apareceu em três ou quatro páginas do Each and their choices (novela gráfica), que tinha a mania que era bom e forte, mas quando apareceu alguém mais forte que ele, abandonou a namorada à fera. Como possivelmente ele também aparecerá na versão literária da obra (Vermelho Sangue), acho que conta.

7) Melhor enredo que já criaste? (Best plot you’ve ever created?)
Esta é difícil, porque eu encontro sempre falhas nos meus trabalhos. Mas talvez o V.I.D.A. como um todo, por poder ser interpretado de várias formas (se eu conseguir transmitir bem as coisas).

8 ) Reviravolta narrativa mais espetacular que já criaste? (Coolest plot twist you’ve ever created?)
Eu não sou grande em reviravoltas e afins, mas talvez o final do primeiro conto de Através do vidro, porque até eu fiquei parva com aquele desenrolar. Ou então o No limiar da vida, que, lá para o meio, tem uma certa revelação que é capaz de apanhar muita gente de surpresa. Estou na dúvida.

9) Com que frequência ficas com writer’s block? (How often do you get writer’s block?)
Mais vezes do que gostaria, mas aprendi que, se me sentar ao computador, a ouvir a música certa, nem o maior dos writers blocks resiste a isso. Pode não sair nada de jeito, mas ao menos sai alguma coisa e contraria a estática literária, o que é sempre bom.

10) Escreves fanfiction? (Write fan fiction?)
Não escrevo, mas já escrevi. Muita! Sempre para animes como The vision of Escaflowne e Naruto. Outros tempos …

11) Escreves à maquina de escrever e/ou computador ou à mão? (Do you type or write by hand?)
Gosto muito de escrever à mão e sempre que posso faço-o, mas agora escrevo quase tudo a computador, embora não negue que gostava de ter uma máquina de escrever. Adoro o som das teclas e nem o Q10 pode substuir isso.

12) Guardas tudo o que escreves? (Do you save everything you write?)
Tudo, mas mesmo tudo! Não há nada que eu deite fora e que tenha sido escrito com o intuito de ser um pedaço literário. Por isso é que o meu quarto parece uma feira.

13) Alguma vez voltas a pegar em ideias que abandonaste? (Do you ever go back to an idea after you’ve abandoned it?)
Eu raramente abandono uma ideia, e nunca na totalidade. Nunca se sabe se, aquela ideia que eu acho ridícula, mais tarde decido reciclar e torná-la numa obra prima. Por isso SIM! Eu voltei e voltarei a pegar em projectos anteriormente abandonados.

14) Qual é a coisa que mais gostaste de escrever até hoje? (What’s your favorite thing you’ve ever written?)
Outra questão pertinente, mas muito difícil de responder. Quase impossível, aliás, porque adoro tudo o que escrevi, por razões diferentes e de formas diferentes. Adoro o Extermínio, porque foi a primeira história em que desenvolvi personagens tão diferentes. Adoro o Surpresa inesperada porque foi a primeira história que terminei, sozinha. Amo o Efeito Dominó, porque foi o culminar da minha evolução narrativa. Idolatro o No limiar da vida porque foi o meu regresso a escrita, depois de anos parada. Venero o Angel Gabriel por ser a primeira história que termino, em anos, e não detesto quando releio. Admiro o V.I.D.A. por ser diferente de tudo o que já escrevi e amo o Através do vidro por ser puro romance e não em causar vómitos.😄
Vêem como é difícil escolher?
Mas prontos, para não ser batoteira, vou dizer que foi o Através do vidro, por me surpreender a cada novo parágrafo.

15) Qual é a história que escreveste e que os outros mais gostam? (What’s everyone else’s favorite story you’ve written?)
Como não costumo dar muito a ler, vou fazer um pouco de batota e dizer que é o Angel Gabriel, porque foi o que mais pessoas leram. Mas esta pergunta terá de ser respondida, de forma mais imparcial, daqui a um ou dois anos.

16) Alguma vez escreveste romance ou dramas juvenis deprimentes? (Ever written romance or angsty teen drama?)
Sim ambos. Que querem? Também já fui uma adolescente.
Romance, escrevi um ainda há pouco mais de um mês atrás. Através do vidro é romance até à ponta dos cabelos.
Já os dramas juvenis, continuei um pouco no Angel Gabriel, mas onde mais se nota é mesmo no Efeito Dominó, já para não falar de todas as histórias que escrevi antes desse, porque … bem … aquilo era só dramas juvenis deprimentes, atrás uns dos outros.

17) Qual é o cenário favorito para as tuas personagens? (What’s your favorite setting for your characters?)
E com esta pergunta dei-me conta que a maioria dos cenários que crio são extremamente deprimentres e que nunca lá quereria viver. É triste!
Mas de belos cenários, posso sugerir o mundo de Alma, que se passa numa pequena vila à beira mar plantada, cheio de ar a maresia e de gente simpática e uma comunidade unida.

18) Em quantos projectos literários estás a trabalhar neste momento? (How many writing projects are you working on right now?)
Já lhes perdi a conta! Bem, na realidade é só 1, o Angel Gabriel, porque não costumo trabalhar em vários ao mesmo tempo, mas o V.I.D.A. e o Através do vidro, estão em fila de espera, quase a arrombar a porta, porque querem a sua merecida atenção. Já para não falar de todos os outros que, a cada passo, vem bater-me à porta, implorando-me por um tempinho de antena e algum carinho e atenção. Se ao menos eu me pudesse dividir em dez …

19) Alguma vez ganhaste um prémio pela tua escrita? (Have you ever won an award for your writing?)
Não, até porque nunca participei em nenhum. Sou demasiado desconfiada das regras da maior parte desses concursos. Quem perde sou eu, não é?😦

20) Quais são as tuas cinco palavras favoritas? (What are your five favorite words?)
Silêncio, dor, corpo, olhos, intensidade, mutação (e derivados) (QUE BATOTEIRA! Só depois é que reparei que tinha escolhido seis palavras em vez de cinco)

21) Das personagens que criaste, qual é a que mais gostas? (What character have you created that is most like yourself?)
Estas perguntas deixam-me K.O., porque gosto de todas as minhas personagens, mesmo as mais chatas. Mas prontos, ao ter de escolher uma, diria a Naru, do Vermelho Sangue.

22) Onde vais buscar as ideias para as tuas personagens? (Where do you get your ideas for your characters?)
À gaveta!
Agora a sério. As personagens vem de toda a parte. Tudo e todos à minha volta me inspiram. As personagens surgem do nada, mas  que elas são é uma mutação de várias coisas que vejo, oiço e sinto.

23) Alguma vez escreves baseado nos teus sonhos? (Do you ever write based on your dreams?)
Nunca escrevi uma história comprida baseada num sonho, mas já escrevi curtas e tenho algumas ideias, ainda não desenvolvidas, que começaram como sonhos. Normalmente a minha mente é um local inóspito e populado de coisas sem sentido, mas quando algo de interessante aparece, eu estou com o papel e caneta a centímetros de distância, para poder apontar tudo. Nunca se sabe!

24) Preferes finais felizes? (Do you favor happy endings?)
Esta questão deixa-me confusa, porque, em toda a verdade, a maioria dos finais que eu imagino são maus, ou muito maus, o que então diria que não gosto de finais felizes, mas a verdade é que gosto, simplesmente, na minha escrita, tendo a dar finais merecedores, o que por norma significa a infelicidade de muitas das minhas personagens. Isto deve ter uma explicação qualquer que eu ainda não compreendi. Certo?

25) Preocupas-te com a gramática e os erros enquanto escreves? (Are you concerned with spelling and grammar as you write?)
Sempre! Nem durante o NaNoWriMo eu me conseguia abster de voltar atrás e corrigir aqueles irritantes palavras que ficavam sublinhadas a vermelho e nunca conseguiria desligar o corrector ortográfico. Entrava em parafuso.

26) A música ajuda-te a escrever? (Does music help you write?)
Não consigo escrever em silêncio, salvo raras excepções. procuro sempre a melhor banda sonora para as cenas que estou a escrever, nem que isso signifique ouvir a mesma música trinta vezes seguidas, ou vasculhar uma infinidade de músicas para encontrar a certa.

27) Mostra um excerto de algo que tenhas escrito. A primeira coisa que te vier à mão. (Quote something you’ve written. Whatever pops in your head.)
Despertei num estado letárgico. Sentia os olhos pesados e tive dificuldade em abri-los.
Soltei um gemido de dor inconsciente, enquanto me erguia a custo. Podia sentir o cimento frio debaixo dos meus dedos e ouvia conversas azáfamas à minha volta, sem conseguir entender uma palavra do que diziam.
“Calem-se.” – Tentei gritar mas a minha voz estava fraca e distante, quase inaudível. Tossi e senti o sangue preencher-me a boca. Estava mais ferido do que pensara e isso irritava-me.
Finalmente consegui distinguir, por entre o enublado dos meus olhos, várias figuras à minha volta. Senti uma dor aguda no peito e fui relembrado da razão porque ali estava. A maldita da Ishvar tinha conseguido completar o feitiço, algo que eu julgava impossível. Nunca tinha ouvido falar de um encantamento que dispensasse as palavras faladas. Será que ela estava tão à frente dos outros que até tinha encontrado uma forma de realizar magia sem a sua peça fulcral?
Mas mais intrigante que isso era o porquê de ainda estava vivo.
Alguém como ela tinha poder suficiente para me matar, então porque é que ainda ali estava? Será que me queriam extorquir informações? Não iam ter muita sorte com isso. Eu podia não ser nenhum cordeiro do Cornivar, mas certamente não o ia trair. Nem sequer acreditava que a Ishvar tivesse alguma hipótese de o matar.
Tentei erguer-me, penosamente, mal dizendo todos os santos que conhecia pelo nome. Todos os ossos e músculos do meu corpo ardiam e negavam-se a funcionar normalmente.
Os gritos à minha volta intensificaram-se e eu tentei gritar uma vez mais. Em qualquer outra altura o som e o cheiro do medo seriam como uma droga, mas depois daquele dia, eu queria era silêncio, não um coro de malucos amedrontados, à minha volta.
Apoiei-me nas barras da jaula e tentei focar a minha atenção no outro lado do meu encarceramento, um homem de idade, vestido como um mendigo, aproximou-se de mim e proferiu umas palavras que eu não entendi, depois retirou uma das muitas pulseiras de nylon colorido que tinha no pulso e estendeu-a na minha direcção. Num impulso, saltei para trás e afastei-me dele. Os gritos de medo tinham-se transformado em gritos de incentivo e eu conseguia distinguir vários feiticeiros em volta da jaula, todos tentando tocar-me com uma daquelas pulseira, que eu sabia estarem impregnadas com magia.
Zonzo e sem poder movimentar-me naquela prisão, tentei vergar as barras, mas estas eram feitas de titânio e não se curvavam nem um milímetro. Dei voltas e mais voltas, tentando descobrir uma forma de sair dali.
Olhei para cima e o meu coração acelerou, estava mesmo por baixo de uma clarabóia! No céu já começava a mudar de cor e eu percebi que o nascer do sol estava muito próximo. Se ficasse ali ia ser esturricado.
Quando o quente nylon fez contacto com a minha pele, senti electricidade correr-me pelas veias e a minha visão voltou a ficar difusa. Era tudo muito menos potente que o feitiço da Ishvar, mas, para o meu corpo debilitado, aquilo era demasiado abusivo e eu caí num sono com laivos de morte.

[Excerto de Angel Gabriel]

Quem mais quer fazer isto? Alguém se oferece? Estejam à vontade e digam que eu gostava de ler as vossas resposta.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

4 thoughts on “Meme de Escrita (Writing Meme)

  1. Adoro como falas de tantas histórias de que nunca sequer ouvimos falar aqui no blog. Minha, és um poço de talento!😀

    E vou roubar este meme, porque estava a precisar de uma desculpa para voltar ao FYF.

    xx

  2. Também te vou roubar isto. Não tenho propriamente um blog sobre escrita mas é sempre bom ter coisas para lá pôr.

  3. Força meninas, estou mortinha por ver as vossas respostas.
    E sim, Rafaela, coisa que não me falta são histórias para contar.😄

  4. Pingback: Meme de Escrita (Writing Meme) 2 « Caneta, Papel e Lápis

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