Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

NaNoWriMo 2009 – Fim

2 comentários

Este é o post pós-NaNoWriMo 2009, para avaliar o que correu bem, o que correu mais ou menos e o que podia (ou devia) ter corrido melhor.
Antes de tudo isto, convém dizer, para a posteridade, que no final fiquei com 52 408 palavras.

Para os que seguiram a Dose diária, pouco do que aqui vou dizer é novidade, mas estejam à vontade para ler, mesmo assim.

Quando Novembro começou, eu tinha o objectivo de, em 30 dias, escrever 100 000 palavras. Isto porque eu pensava que precisaria de 50 000 para o V.I.D.A. e mais 50 000 para o Através do vidro, mas ao fim de um ou dois dias dei-me conta que não iria necessitar de tanta contagem, pois estimei que o V.I.D.A. não fosse durar mais que 25 000 palavras. Tinha razão.
V.I.D.A.

Este conto, que já tinha tentado escrever em 2007, mas que, chegada ao quinto capítulo, decidi que queria mudar metade das especificidades da história e o projecto ficou em stand-by (como muitos outros … eu não tenho emenda!).
Durante 2009 senti-me impelida a tentar escrever esta história novamente e ao longo do ano fui limando algumas arestas da história, para depois poder escrever tudo com mais naturaliadde em Novembro. O problema foi que não escrevi assim com tanta naturalidade.
Conhecia as personagens, conhecia o cenário, sabia todos os acontecimentos fulcrais da estória, e mesmo assim, quando comecei a escrever, dei por mim perdida no deserto inóspito da minha narrativa.
O principal problema foi a voz do narrador, que eu até gostei no início, mas que depois começou a perder a sua jovialidade e dinamismo. Isto contribuiu em muito para que eu chegasse ao fim com um sentimento de culpa e derrota, do qual ainda não recuperei totalmente.
Está tudo lá, mas sinto que não transmiti a história da forma mais indicada e isso é mau, muito mau! Porque esta é uma história que tem de ser dita da forma certa, para assim poder ser interpretada da maneira mais correcta.
Quando for rever esta escrita, vou ter de lutar para encontrar a voz narrativa mais acertada, pois sei que a que foi usada foi um falhanço.
Apesar disto nem tudo está perdido. As personagens surpreenderam-me, como já vem sendo hábito, a história desenvolveu-se ao compasso certo e eu até cheguei mesmo a chorar quando tive de matar algumas personagans.
nem tudo está perdido e ao menos já tenho a história completamente estruturada e conheço melhor ainda as seis personagens que povoam as páginas desta noveleta.

Através do vidro

Depois de ter deixado passar a loucura inical que senti quando esta ideia primeiro surgiu na minha cabeça, receei que ao escrevê-la já não conseguisse dar-lhe todo o sentimento e todas as emoções que desejava transmitir com esta colectânea de contos românticos, sobre uma pandemia que ameaça destruir a raça humana.
Com a euforia inicial, deixei também de lado aquela ideia de que isto era algo de totalmente original. Não conheço nenhuma obra assim, mas hoje em dia o que é que é original?
Apesar disso, ainda nutria por este enredo um amor incondicional e uma vontade enorme de o tornar algo de incrível. Foi esta vontade que eu redescobri quando comecei a escrever o Através do vidro.
Como confessei na altura, as personagens tomaram vida própria e levaram-me por caminhos inusitados, de tal forma que no fim do primeiro conto eu não quis dar o fim predestinado à personagem. Mas não havia volta a dar, afinal aquele era o momento de revolta narrativa e eu tinha de seguir em frente, por mais que isso me cortasse o coração (e acreditem que cortou).
A partir daí tudo flui com uma naturalidade surpreendente e as personagens, embora apenas existam na narrativa durante uma história, tornaram-se únicas e memoráveis à sua maneira.
Devo confessar que este foi um projecto que acabou por me dar muito mais prazer do que eu alguma vez esperara.
Ainda não está terminado, falta-me um último conto, mas por agora fica assim pois tenho outros planos para Dezembro. Só espero, quando voltar a pegar nisto, ainda sentir este borbulhar de excitação pela história e pelos personagens.

E é este o relatório final para o NaNoWriMo deste ano. Para o ano, espero repetir e quem sabe não aumento a fasquia?

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

2 thoughts on “NaNoWriMo 2009 – Fim

  1. Acho, se me permites, que exiges demasiado de ti mesma numa actividade que deve ser tudo menos exigente. Isto é a escrita, minha, a revisão e a censura só vêm depois!

    E dica: tudo te parece muito melhor se começares ficheiros novos por cada capítulo e nunca releres o que escreveste. Não falha!😀

  2. É claro que permito. E deixa que te diga que não és a primeira a dizer isso.😄
    Mas posso confirmar que não reli nada. Juro! (bem, à excessão de meio capítulo do “Aravés do vidro”, mas isso não conta) Mas a verdade é que sinto tudo o que disse, mas como também já disse num post anterior, pode ser que daqui a uns meses, quando voltar a reler isto, ache exactamente o oposto. E era bom que assim fosse, mas entretanto tenho esta sensação, que não é de desapontamento mas também não é de total satisfação.
    Eu sou assim, deixa lá.

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