Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Dose diária 25

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Antes de me deitar consegui escrever até as 617 palavras. Pouco, mas melhor que nada.
Durante o meu intervalo escrevi mais 618 palavras.
À noite, depois do jantar, e acompanhada de um bom chocolate-quente, teclei mais 877 palavras.

Contagem “Através do vidro“: 16 665 palavras.
Contagem total: 40 070 palavras.

E como nunca me lembrei de colocar um excerto do “Através do vidro“, aqui fica:

«Os ovos estavam estragados. Tinha a certeza!
Se calhar as galinhas também andavam doentes e por isso é que os ovos não aguentam tanto tempo. Ou se calhar era facto de o prazo ter acabado à duas semanas atrás.
Era bem capaz de ser isso?
Cuspi fora o que tinha metido à boca. Sabia a esgoto. Se bem que isso era só uma suposição, porque sinceramente nunca tive o desprazer de provar esgoto.
Levantei-me para despejar aquilo no saco do lixo e coloquei o prato na banca. Sem ovos ia ter de comer cereais. Como se isso me alimentasse.
Ainda bem que eles iam fazer as entregas nesse dia. Já não aguentava comer mais batatas com batatas.
Retirei o pacote de cereais crocantes da prateleira de cima, que estava praticamente vazia. O leite no frigorífico estava a chegar ao fim e eu sentei-me na cadeira como se estivesse cansado de morte, o que nem era verdade porque passava os dias sentado, ou a andar de um lado para o outro, pela casa. Que vida mais sedentária.
Comi os cereais com leite num instante e quando terminei o meu estômago queixava-se que aquilo não me ia aguentar até à hora do almoço, que pelos vistos ia consistir numa tachada de arroz acompanhada de batatas e um pouco de couves cozidas, que era o pouco que ainda restava na despensa.
A culpa era daquelas regras idiotas. Não sei como é que eles fazem os cálculos por pessoa, mas devem estar a precisar de novos analistas. Por pouco não passo fome, e, no mês anterior tinha chegado ao cúmulo de não ter papel higiénico para limpar o cu. Cabrões!
Já para não falar que agora tinham entendido que as pessoas durante a noite não precisavam de água para nada, e cortavam o fornecimento a partir das dez horas. Esquecem-se dos autoclismos, das pessoas que acordam com sede. Bem, a sério, estava cada vez pior. Mas essa da água até tinha solução. Eu armazenava em garrafões e quando precisava já sabia onde ir buscar. Era só o que mais faltava ter que andar a morrer de sede durante a noite. E logo eu que me levanto pelo menos três vezes para beber um trago.
Com uma vagueza característica de quem não tem mais nada que fazer, lavei o prato, as colheres e a malga que tinha usado para o pequeno-almoço. Deixei-os a escorrer, porque, sinceramente, não tinha pachorra para lhe passar o pano. Mesmo quando o tempo é tanto.»

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

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