Caneta, Papel e Lápis

Um blog sobre escrita criativa, de Ana C. Nunes (A blog about writing fiction, by Ana C. Nunes)

Momentos 04

2 comentários

momentos_01Isto tem andado tão calmo.
O Virilha foi de férias.
É Viridis! E não fui de férias.
Mas não tens trabalhado como deve de ser.
Eu até já aumentei o número de “tea times” diários.
Há alturas assim. Até as musas precisam de pausas…
Kit-kat!
Para colocar as ideias em ordem. Dizia eu.
Quero ver isso.

E cá estamos nós, de volta a mais  um interlúdio. Desta feita o tema é a Invasão da mente. E não. Não me refiro a invasões extra-terrestres.

Algo que me acontece muitas vezes (e que imagino ser característico de grande parte dos escritores (amadores incluídos)) é o estar naquela fase do quase sono e ter uma ideia fantástica para uma cena fenomenal num novo projecto que me surgiu do nada.
O que acontece?

Levanto-me. Tropeço no baú e guincho porque sei que vou ter o joelho pisado no dia seguinte. Corro a alcançar um caderno e vasculho por uma caneta que está no seu sítio de sempre mas que eu falho em encontrar. Lembro-me finalmente de ligar a luz (visão iluminada esta, não).
Escrevinho no papel pautado ou liso (depende de qual me cair nas mãos primeiro), em letra ridiculamente ilegível e que provavelmente não entenderei na manhã seguinte.
Recordo-me que me esqueci de colocar os óculos quando dou por mim a colar o rosto à folha ao mesmo tempo que escrevo. Não me dou ao trabalho de os colocar, mas resmungo porque me doem as vistas. Termino.
Deixo o caderno aberto à frente do computador e a caneta a balouçar em cima dela, prestes a cair a qualquer instante.
Apago a luz e volto para a cama. Aconchego os lençóis. Fecho os olhos numa tentativa fútil de voltar ao estado pré-sono.
Passam-se minutos e eu finalmente consigo voltar ao ciclo que me permitirá dormir até de manhã.

Mais uma ideia!

Ergo-me com um salto. Quem sabe a ideia não foge antes de eu alcançar o papel?
Tropeço novamente no baú. Saltito até à mesa do computador, massajando o meu tornozelo. Desta vez lembro-me de ligar a luz e rapidamente escrevo o que está a ocupar-me a mente.
Sinto-me pronta para tudo. A vontade de ligar o computador e começar a teclar é enorme e nem as dores de cabeça, fruto da falta de óculos, me demove dessa ideia.
Olho para o relógio. São 2,30h da manhã. Acabo de expor as sequências no papel e volto para a cama. Esqueci-me de apagar a luz. Prontos! É desta que durmo!
Deitada de papo para cima, não tenho vontade de fechar os olhos e as imagens da minha história começam a passar à frente dos meus olhos, como uma autêntico filme numa sala de cinema, com sistema 3D incorporado e tudo.
Viro-me para a esquerda.
Rebolo para a direita.
Ajeito as calças do pijama que entretanto já estavam quase na parte contrária do meu corpo e a meio das pernas, sem que eu percebesse muito bem como isso se tinha passado.
Dou voltas e mais voltas até que, sem me dar conta, acabo por adormecer.

No dia seguinte olho para os papéis em que apontei as minha sonolentas novas ideias. Não entendo metade do que lá está escrito, mas felizmente ainda tudo está fresco na minha memória. Decido apontá-las digitalmente. E lá vou eu toda contente escrever no documento “Ideias”, a juntar à enorme pilha que lá se acumula de dia para dia.

Será que algum dia poderei escrever tudo aquilo de forma satisfatória?
Talvez!
Mas é provável que não. Quando chegar a altura de isso acontecer, é fácil de imaginar que ache as ideias já caducadas ou que tenha outras mais recentes, mas aliciantes, mais imediatas.
Devo então ter pena das pobres ideias que nunca sairão da gaveta (hardrive)?
Não!
Devo limitar-me a fazer o melhor que posso e dedicar-me ao que me parece mais promissor, ou que simplesmente me puxa mais naquele momento. Haverá um tempo em que abrirei esses velhos ficheiros, esboçarei um sorriso e direi “Lá ideias nunca me faltaram!”.

Por isso armazeno, na esperança de poder desenvolver todos esses pensamentos, todos esses conceitos, todas essas cenas, personagens, situações, sentimentos, essas histórias que me invadem na calada da noite e perduram por muitos anos.
Quando não mais delas me lembrar, abro os ficheiros ou as capas e releio. É como se estivesse a ser invadida novamente.
Porque a musa nunca esquece. E o Viridis é nocturno e gosta de me manter acordada a noite toda.

Viríl, que andas a fazer com a nossa Ana?
Senhor Virilha. Como pôde.
Pude o quê?
Sabes muito bem o quê. Nunca pensei…
Estou chocadíssima.
Nós não estamos todos em sintonia, pois não?

Deixa lá Viridis. Só se é jovem uma vez! E eu não me importo de ter um muso que só trabalha à noite.

Autor: Ana C. Nunes

I love to write, read and draw. I write novels, draw characters and, sometimes, graphic novels or comics.

2 thoughts on “Momentos 04

  1. OH MY, é tipo o Neji Lee Jonas, que trabalha no fuso horário de Tóquio!😀

    E compreendo exactamente o que sentes em relação a essas invasões. Tive duas recentemente, uma quando estava a ver Supernatural, e outra a arrumar o quarto.

    A primeira justificou-me completamente o Kyros enquanto vilão, algo que ainda não batia muito bem.

    A segunda criou uma base completamente nova e extraordinária par Ivybrook.

    Não posso esperar para começar a escrever.😉

  2. Estás tu que nem eu. E ainda bem que os musos continuam a trabalhar. Embora fosse mais simpático da parte deles se o fizessem durante as horas do dia. Dava menos dores de cabeça (e joelhos pisados).

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