Post-it

16_post-itOs números no despertador piscavam freneticamente e o som da estação de rádio sintonizada preencheu o quarto, vagamente iluminado pela luz do amanhecer.
A figura que se encolhia confortavelmente entre lençóis e cobertores, moveu-se graciosamente e sentou-se na cama com um enorme sorriso a preencher-lhe os lábios. Esticou os braços e cruzou-os atrás da cabeça, soltando a frase que iniciava todos os seus dias.
“Bom dia mundo!”
Com leveza saltou do leito e caminhou pelo chão até á casa de banho. Lavou o rosto com água fresca e esfregou os dentes enquanto murmurava uma qualquer canção que tocava ainda no rádio do seu quarto. Regressou ao quarto para vestir umas calças de ganga e uma blusa amarela. Desligou o despertador e foi para a pequena cozinha do seu apartamento, preparando, sem pressas, um batido de frutas e torradas com manteiga. Quando terminou pegou na sua bolsa, pendurada no bengaleiro da entrada, e saiu de casa com o sorriso ainda plantado no rosto.
Entrou no metro subterrâneo e cerca de meia hora depois chegou ao seu destino. As portas abriram-se e uma multidão saiu ao mesmo tempo, quase abalroando-se, mas ela manteve-se calma e esperou que quase todos saíssem e depois pisou a plataforma, antes que a multidão contrária entrasse de rompante com medo que as portas se fechassem e o transporte seguisse viagem.
Subiu para a superfície e atravessou a rua até chegar ao edifício onde passava grande parte dos seus dias. Entrou no elevador, com mais três pessoas que cumprimentou fervorosamente, subiu ao 12º andar e saiu frente a um balcão com as letras “recepção” embebidas na madeira da sua base.
“Bom dia Patrícia, Jorge!”
A mulher de trinta e seis anos, com cabelos ruivos e olhos castanhos, voltou-se para a recém-chegada e sorriu.
“Bom dia, linda!”
O Jorge, um homem de trinta anos, cabelos negros e olhos como azeitonas, continuou a fazer o seu trabalho, limitando-se a erguer os olhos cansados e abanar a cabeça levemente enquanto libertava um leve “Bom dia!”
Ela continuou a sorrir-lhe abertamente, entrando nos escritórios e dirigindo-se à sua secretária, cumprimentando todos por quem passava e mesmo os seus colegas que estavam a trabalhar no outro extremo do salão e que erguiam os braços no ar em jeito de resposta.
Ligou o computador e pendurou a bolsa nas costas da cadeira onde se sentou e que fez girar uma e outra vez, assim como um ritual com que iniciava o trabalho todos os dias.
Colocou os auriculares e ajeitou o pequeno microfone que envolvia a parte esquerda do seu rosto. A sua secretária estava bastante aprumada, com os papéis todos alinhadas e uma ou outra caneta espalhadas pela mesa de vidro. Num dos cantos do seu cubículo, havia uma montanha de post-its das mais variadas cores.
O dia correu dentro da normalidade.
Ela atendia chamadas com toda a simpatia e, por mais furiosas que algumas pessoas estivessem com assistência técnica ou com a qualidade dos produtos, a sua voz enternecedora acabava por ter efeitos relaxantes e a conversa acabava sempre amavelmente. Também ajudava muito a isto, o facto de ela fazer de tudo para resolver os problemas que os clientes lhe apresentavam. Não descansava enquanto não conseguia deixar o cliente satisfeito por inteiro e era por essa razão que continuava na empresa depois de tanto tempo, já que a grande maioria dos seus colegas saia ao fim de seis meses ou um ano.
Ela adorava o seu trabalho, aliás, ela mesma diria que adorava qualquer trabalho. O segredo estava em fazer com gosto e ver o lado bom das coisas, algo que a maioria não estava a habituado a fazer.
O trabalho ali era por turnos e muitos dos seus colegas só trabalhavam em part-time, por isso ela estava sempre a ver entrar e sair pessoas, recebendo-as a todas com uma alegria contagiante.
Quando finalmente o seu turno chegou ao fim, ela desligou o computador e colocou a bolsa no ombro, retirando depois um dos post-its vermelhos da pilha no canto da mesa.
Dirigiu-se novamente à recepção, despedindo-se de todos os que ainda se encontravam no salão, que já não eram muitos graças á hora tardia. Olhou para trás do balcão e não viu ninguém, algo que estranhou. Por norma o Jorge saia sempre depois dela e só nessa altura a recepção ficava vazia.
A perguntava que pairava na sua mente foi rapidamente respondida quando o homem em questão surgiu no corredor da direita, trazendo consigo uma garrafa de água fresca. Tinha ido buscá-la à cantina, com certeza!
“Pensei que já te tinhas ido embora.” – disse com um grande sorriso ainda estampado no rosto.
Ele limitou-se a olhá-la ao de leve e prosseguir para detrás do balcão, bebendo um gole da garrafa que trazia na mão, sem se dignar a responder-lhe e afastando-se dela o mais que podia.
“Não está na hora de saíres? – Ela contornou o balcão e aproximou-se dele.
“Quem te deu autorização para entrares aq-…” – As palavras dele foram interrompidas quando ela elevou a sua mão à testa dele e deixou lá colado o post-it vermelho que transportara até ali.
“Porra! Outra vez?”
Ela soltou uma gargalhada sentida e voltou para a frente do balcão.
“Estiveste muito mal humorado hoje. Vi-te a ralhar com a Célia, a queixares-te ao João e ainda resmungaste por causa do almoço. Achei que precisavas de um pouco de cor na tua vida por isso hoje é o dia do vermelho.”
O rosto dele estava corado e ele retirou o intrusivo papel aderente que decorava a sua testa. – “Ninguém pediu a tua opinião!”
“Estás a ver o que digo? Estás outra vez a falar com quatro pedras na mão. Relaxa!”
Não era a primeira vez, aliás, dir-se-ia que era um hábito aquele joguete do post-it. Todos os dias, no final do turno, ela lhe colava um papel colorido no corpo, conforme o seu comportamento durante o dia. Maioritariamente eram de cores vivas, pois ela achava sempre que ele precisava alegrar-se mais e, na sua mente, aquele oferenda colorida ajudá-lo-ia a isso.
“Se parasses de fazer este jogo dos post-its todos os dias, talvez eu fosse mais benévolo contigo. Aliás … eu não te vejo a colares papéis na cabeça dos outros. E olha que há alguns que bem precisavam de uma cor.”
“Andas muito observador …”
O rosto dele ficou ainda mais vermelho. – “Não penses que presto especial atenção a ti!”
“Não?”
“NÃO!”
“Tens a certeza?”
“Absoluta!”
“Vais descer?”
“Contigo?”
Ele não tinha pensado antes de responder em forma de pergunta, mas arrependeu-se rapidamente ao ver o sorriso, agora matreiro, que cobria os lábios dela.
“É sexta-feira, lembras-te?”
“E o que quer isso dizer?”
“Que amanhã não temos hora para nos levantar…”

Submetido ao desafio “A cor dos meus dias” da Fábrica de Histórias

P.S.: Ando a treinar os romances já que pretendo escrever uma colectânea de contos deste género (já cá falei do “Através do vidro”). Confesso! Não é o meu forte … mas com treino hei-de chegar lá!

Moldagem

17_moldagemTu pensas que sou uma boneca de barro, não … um pedaço de barro bruto que tu podes, deves e tens o poder de moldar a teu belo prazer, da forma que mais te convém, com as arestas limadas a teu jeito e com o recheio que escolhes de uma montra selecta que tens dentro de ti. Queres retirar-me todos os excessos e pintar-me das cores que mais te satisfazem para que assim possa ser perfeita.

Pelo menos até que te canses e voltes amassar-me mais um pouco, entre os teus dedos calejados e gordurosos que mais não fazem do que enojar-me e dar-me as voltas. Fico com marcas dos teus dedos em todo o meu corpo, sinto a tua pele de encontro a mim e sinto asco. Quero fugir, quero gritar, quero voltar a ser como era no início, antes de tu teres acesso à minha fábrica, à minha roda de oleira e teres começado a girá-la e a contornar-me, pondo-me zonza, dando-me vómitos.
Se tento sair um pouco dos teus parâmetros, acabo castigada. Se sequer penso em soltar-me das amarras que colocaste a prender-me, tu trazes mais um cadeado. Por mais que tente não tenho forças para sair desta prisão, deste caixão enterrado em cimento que tu mesmo derramaste.
Odeio-te!
Dizes que se te amasse, faria o que tu me pedes, mas tu, que dizes sentir tanto por mim, és incapaz de me respeitar e de ouvir um pedido que seja meu.
Estrangulas-me com as tuas regras, os teus ciúmes despropositados, as tuas paranóias constantes. Sufocas-me com o teu amor desmedido e as tuas dúvidas, sempre à tona da água, sempre presentes, sempre cruéis.
Odeio-te!
Quero que desapareças para sempre! Que me deixes respirar, que me permitas mover com as minhas próprias pernas, que me possibilites a experiência de ser livre e de viver!
Quero viver, mesmo que isso signifique que um de nós terá de morrer…


Como nas últimas semanas tenho falhado bastante com os “Contos de sexta-feira”, esta semana trago dois. Espero que gostem!
P.S.: A boneca de barro ali na foto fui eu que fiz. Claro que está mais linda de frente, mas achei que esta foto representava melhor esta história.

Semanário 24

semanário_18Bem, para já fica o meu pedido de desculpas (a vocês e especialmente e mim própria) pela falta do conto de sexta-feira. Não foi por falta de ideias, mas sim porque fui apoderada pelo que posso apenas intitular de “fobia às teclas”. Sim porque nã há outro nome para um caso em que estou cheia de ideias e não pouso um só dedo no teclado. Deve haver um nome qualquer para isso … afinal há *fobias para tudo e mais alguma coisa (lembro-me de uma vez consultar uma lista de fobias e partir o côco a rir).

Quanto ao Angel Gabriel (ainda tema central) as coisas correm mas eu já me apercebi (e sinceramente nunca entendi como pude pensar de outra forma. Estava a tentar enganar quem?) que nunca na minha vida vou conseguir terminar a revisão disto nos próximos tempos (uns meses). Posso terminar a primeira revisão, mas depois vem a segunda, seguida de uma terceira e possivelmente (sim adivinharam) de uma quarta e por aí adiante. A verdade é que esta semana fui assolada por uma imensa vontade de reescrever tudo, mas, convenientemente, estava com a dita “fobia” e tinha aversão a teclar o que quer que fosse porque ssabia que ia sair disparate. E convenhamos, para fazer pior do que já está feito mais vale não mexer em nada.
Mas voltando ao tópico, continuarei a aplicar-me à revisão deste trabalho, tentando torná-lo cada vez melhor, mas no início de Junho acho que vou fazer uma pausa de dois ou três. Porquê? Porque sinto que se continuar agora vou começar a odiar isto e eu não quero e acho que este trabalho não merece isso.
Certo é que precisa de umas mudanças e a maioria delas eu apontei mesmo antes de acabar de escrever a 1ª versão. Mas da maneira que eu estou agora tenho vontade de chacinar por completo a obra e isso não me levará a lado nenhum e sei que não é necessário. Automaticamente, sei que o melhor é fazer uma pausa, respirar, deixar a poeira assentar e depois voltar à carga, com força, garra e muitas boas ideias que não incluam reescrever tudo de primeira linha à última.

Por isso até ao final deste mês terminarei as mudanças primárias, depois ponho o trabalho na gaveta, começo a trabalhar em algo novo (possivelmente V.I.D.A. ou Através do vidro) e daqui a uns meses volto a pegar no meu “anjo” (Gabriel vou sentir a tua falta).

Semanário 23

semanário_17O que posso eu dizer sobre a semana passada que não inclua as palavras “desgraça” “falhanço” e “”monumental”?
As escolhas são poucas …

Sim, meus amigos (e leitores, se existirem) foi mais uma semana em que tive vontade de beijar a parede com a minha testa (se é que me faço entender …).

Não só as minhas musas (e muso. Nada de exclusões!) decidiram fazer férias como eu me armei em pesquisadora e passei um tempo infinito a ver filmes e series que tinha negligenciado nos meses anteriores.

Resultado?
Fiquei muito satisfeita e vi coisas muito boas, mas depois veio aquele sentimento de culpa, sabem … as picadas no peito, as lagartas (porque as borboletas são para o amor) no estômago e coisas afins.
Mal de mim!

Bem, a meta mantêm-se. Se quero a minha cópia grátis do livro impresso, então tenho de terminar isto até ao fim deste mês. E como eu quero muito, mas mesmo muito isto impresso para depois me poder babar, vou matar-me até chegar à linha final. Dê lá por onde der!

Angel Gabriel, é desta!

Rotina

15_rotinaEle olhou para o relógio no monitor e reparou que já passavam cinco minutos das treze horas. Pressionou o botão Power, agarrou o seu casaco que estava pendurado na cadeira que ocupava e levantou-se para sair o escritório.
“Vou almoçar.”
Não aguardou a resposta do seu chefe que estava concentrado no trabalho à sua frente e que se limitou a acenar com a cabeça.
Saiu para o corredor e desceu pelo elevador, juntamente com outras cinco ou seis pessoas que ele não reconhecia mas que imaginou trabalharem no mesmo andar que ele.
Como era já costume, atravessou o parque a pé e dirigiu-se a um pequeno restaurante com um placard reluzente com as palavras “Restaurante Sabor Tradicional”. Entrou silencioso e dirigiu-se ao fundo do salão. A sua mesa estava vaga, como aliás sempre acontecia, encostada à parede bege e sobrevoada por uma grande pintura a óleo que retratava a cidade no século anterior.
Sentou-se de forma a ficar de frente para a entrada e abriu o menu na primeira página. As diárias, escritas num chamativo post-it amarelo eram “Pescada cozida com ervilhas”, “Carne de Porco à Alentejana” e “Crepe vegetariano”.
Voltou a fechar o menu, mesmo a tempo de ser recebido com um sorriso pela empregada de mesa que vinha recolher o seu pedido.
“O que vai ser hoje, senhor?”
“Peixe, por favor!”
“E para beber?”
“Vinho tinto.”
“Vai desejar sopa? Antes ou depois?”
“Antes.”
“Com certeza! Eu trago já de seguida.”
Já há uns meses que visitava de segunda a sexta feira aquele restaurante, mas nunca chegara a saber qual o nome de nenhum dos funcionários, assim como tinha a certeza que eles não sabiam o seu.
Reparou que um dos homens que descera consigo no elevador estava sentado numa das mesas perto da entrada, conversando animadamente com mais dois homens e três mulheres. Não sabia ao certo se os outros também tinham descido consigo, mas também não quis pensar demasiado nisso.
A empregada de mesa trouxe–lhe um prato de sopa de legumes e pousou-o delicadamente na mesa, desejando-lhe um bom apetite.
Enquanto elevava a primeira colherada à boca, reparou por momentos que uma outra jovem se sentava na mesa em frente à sua, de costas viradas para a coluna, o que fazia com que estivesse de frente para ele. Ela, assim como ele, tinha já quase que um lugar reservado. Sentava-se sempre no mesmo local, da mesma forma, à mesma hora.
A sua pescada foi rapidamente servida assim que terminou a sopa e às catorze e vinte horas saiu do restaurante e regressou ao escritório.

No dia seguinte, à mesma hora, voltou a sair para almoçar. Mais uma vez não reparou quem seguia no elevador consigo e ao chegar ao restaurante deu por si, novamente, a pensar se os outros cinco elementos da mesa mais vivaz trabalhavam no mesmo prédio que ele. Pensamento esse que rapidamente esvaneceu, como sempre, para o canto das insignificâncias do seu cérebro.
A sopa foi servida com o sorriso de sempre e ele saboreou lentamente cada colherada. Quando, minutos depois, a empregada levantou o prato vazio e lhe serviu os Panados com Arroz de Tomate, ele deu por si a sentir a falta de algo, sem saber exactamente o que era.
Terminou a refeição e olhou para a mesa à sua frente … vazia …
Ergueu um sobrolho, sem se dar conta disso, e questionou-se interiormente o que teria sucedido à ocupante habitual.
O relógio apontava as catorze e vinte horas e ele saiu religiosamente pela porta, depois de deixar o dinheiro na mesa.

Nos dias seguintes, estranhou a ausência da jovem que desde sempre se sentara à sua frente, mas com quem raramente cruzara olhares e nunca trocara mais do que um simples “Boa tarde”. Era-lhe bastante incomodativo sentar-se só no canto mais recôndito do restaurante, como se isso não lhe parecesse normal ou mesmo desejável.

O fim de semana chegou e consigo os dias em que ele não ia para o escritório, e, consequentemente não almoçava no “Restaurante Sabor Tradicional”.

Quando a segunda feira chegou, ele deu por si a ansiar pela hora do almoço.
Já dentro do elevador, falhou em perceber, uma vez mais, quem lá circulava, embora as suas vozes enchessem o pequeno cubículo descendente.
Entrou no restaurante, mais apressado do que habitualmente, sentou-se e deu uma olhada rápida no menu. Não tinha vontade de comer nada do exposto no cardápio e o seu estômago dava voltas e voltas, deixando-o com uma sensação estranha.
“Boa tarde! O que vai desejar hoje?”
A simpática empregada loira, usava hoje um batom vermelho que fazia sobressair os seus lábios finos.
“Hoje vai ser só sopa. Não estou muito bem disposto!”
“Mas o que o aflige? Precisa que lhe traga algo especial?”
“Não obrigada! A sopa deve fazer-me sentir melhor.”
Ela pareceu genuinamente preocupada enquanto virava costas e pedia ao cozinheiro uma sopa “super-caprichada”.
Cinco minutos depois tinha o prato à sua frente, mas não conseguiu sequer pegar na colher. O seu olhar estava fixo na mesa da frente, ansiosamente aguardando a chegada da sua mais fiel ocupante.
Ele não entendia o que se passava consigo. Não era como se eles fossem amigos, colegas ou sequer conhecidos. Não sabia o nome dela, a sua idade, onde trabalhava, o que fazia, do que gostava – à excepção de ler, porque trazia sempre um livro consigo – mas sabia que se não a visse rapidamente a sua vida não voltaria a ser a mesma. Ela tinha quebrado o ciclo. A rotina. A mecânica da sua vida. A sua roda tinha parado de girar, para depois começar a rodar no sentido contrário. Ele precisava desesperadamente que essa roda girasse na direcção certa novamente e isso só aconteceria quando ela voltasse a sentar-se ali!

O seu coração pareceu saltar dentro do peito quando o vulto reconhecível da jovem se aproximou e ocupou o seu lugar. Ela parecia fraca e doente mas olhou-o e carinhosamente sorriu na sua direcção.
“Boa tarde!”
Senti a sua falta … Era o que ele queria dizer, mas ao invés continuou a olhá-la e depois convidou-a a sentar-se na sua mesa.
Ela olhou-o curiosa e depois de uns segundos algo constrangedores, pegou na sua bolsa branca e ocupou permanentemente um dos muitos lugares vazios no coração dele.

Submetido ao desafio “Encontros e Desencontros” da Fábrica de Histórias

Semanário 22

semanário_16A semana passada foi rica em ideias novas, o que por um lado é bom porque significa que o meu cérebro voltou a funcionar como deve de ser, e por outro lado é mau porque me sinto novamente invadida pelo desejo de largar tudo e escrever estes novos conceitos.

Vou-vos confessar que tive uma semana muito em baixo. Estava constantemente deprimida e não tinha vontade de fazer nada! Nada mesmo! Mas depois lá me recuperei, de uma forma ou de outra, já que eu não sou pessoa de entrar em depressões e coisas assim. Sei que isso não resolveria nada!

O resultado da minha (pequena) mudança de atitude foi uma ideia simples mas diferente de tudo o que até aqui imaginei. Acho-a bastante original (algo que eu não digo de ânimo leve, porque sei que hoje em dia pouco ou nada é original) e que, se for escrito da forma correcta, pode tornar-se mais uma das coisas que me orgulho de fazer na vida. Tem tudo para sair bem, só que, sendo um romance do principio ao fim, vai ser um autêntico desafio.
Não sei se já repararam que eu não sou muito virada para os romances …
Bem, no fundo este romance é uma colectânea de contos, todos passados no futuro. Vai ter o nome “Através do vidro” ou então “A doença“, a menos que me lembre de algo mais apelativo. Não me digam que “A doença” é muito bleh, porque na verdade faz todo o sentido neste caso, embora só percebam depois de ler pelo menos uma história.
Quando começar a escrever isto vou publicar aqui pelo menos um desses contos, já que embora estejam todos interligados, acabam por ser todos autónomos.
Não posso entrar em mais detalhes senão estrago tudo.

O “PFA” esta semana esteve em repouso … nada de nada me surgiu de novo.

O “Angel Gabriel” … ai! Não me falem nisso! Não tive coragem para pegar nele esta semana. Sou tão estúpida! Eu que quero acabar isto rapidamente … mas sempre que pegava na caneta para escrever (porque estive sempre longe do computador) não me saía nada. NADA! Foi horrível! Tive vontade de bater em mim própria.

Fica aqui a nota que esta semana pretendo regressar aos contos da sexta-feira. Se falhar, estejam à vontade para me dar um sermão virtual. Eu mereço!

Como água para chocolate

comoaguaparachocolate“Como água para chocolate” de Laura Esquivel (Biblioteca Sábado, Edições Asa

Esta opinião está agora hospedada na Floresta de Livros.

Classificação: 6/10