Polémico? Eu não quero cá coisas dessas!
Quantas vezes já te disse para não me interromperes?
Já perdi a conta …
Pois então cala-te!
Mas essas coisas dão sempre barraco. As polémicas, claro está …
Exactamente!
Queres problemas?
O que é a vida sem um problema ou dois?
Uma maravilha … talvez …
Bah! Isso é para covardes.
Tu não tens emenda …
E tu és uma insuportável do cara&%$
Mal educada!
Antes isso que uma insossa que tem medo de dizer palavrões.
Eu não tenho medo! Só não gosto … é porco!
Porca és tu!
Eu não estava a falar de ti!
Vai dar no mesmo, sua …
«Programa interrompido por problemas técnicos. Regressamos assim que tudo voltar à normalidade.»
Recentemente vi-me confrontada com um dilema estranhamente polémico (não muito, mas prontos).
Acho que já aqui referi que no Angel Gabriel escrevi não uma, mas duas cenas de sexo. E o meu dilema reside exactamente aí!
Depois de pensar um pouco no assunto dei-me conta que nunca li, num livro, uma cena de sexo pormenorizada. Deixem-me explicar … nunca li nada que fosse muito além do “ele possuiu-a com ardência“. Para meu espanto, nem naqueles pequenos romances que vinham junto com a “Maria” e a “Ana“, que podem ser chamados de romances eróticos, eu vi cenas descritas ao pormenor.
O que quero então saber é: Até que ponto posso descrever uma cena destas sem correr o risco de o romance ser etiquetado de “erótico” ou “pornográfico?
Será que nos tempos em que vivemos os leitores ainda são tão púdicos que não aguentam ler uma ou outra cena sexual realisticamente descrita, sem pensarem demasiado no assunto e a cataloguarem como “pornográfica”?
Andei a pesquisar na web, porque pode ser pura coincidência que a literatura que consumo não tenha esse tipo de situações, mas sinceramente fiquei a saber o mesmo.
Por isso, correndo o risco de ouvir o que não quero, pergunto a vocês … conhecedores da literatura (sim tu aí que nem lês muito, mas percebes alguma coisa) até onde pode ir a descrição de uma cena sexual num livro para jovens/adultos? É que sinceramente se tiver de cortar no que escrevi vou chorar (ou pelo menos bater com a cabeça na parede).
Eu quero acreditar que vivemos numa sociedade que não rejeita um livro por causa disto, mas vá-se lá saber o que vai na cabeçoados outros.
E é este o tema polémico (nem tanto) … deixei-vos tão intrigados e no fim sai-vos isto, hem?
Não me batam!
P.S.: Aquelas duas vozes que aparecem no início destes “Momentos” são as minhas duas musas e o “comentador” é o terceiro muso (o único macho) que só se mete quando a coisa fica mesmo preta. Um dia fala-vos um pouco mais deste trio maravilha de arruaceiros.