Compras NaNo

23 10 2009

nano_orderIsto pode até não ter nada a ver com escrita (se calhar nem tem nada a ver com nada) mas quis deixar aqui uma notinha que hoje chegou, pelo correio, a minha encomenda de apetrechos NaNoWriMo, que incluí:

- A termo NaNoWriMo, que é como quem diz o copinho que mantêm as bebidas quentinhas enquanto teclamos desenfreadamente a nossa novela. Eu cá vou usá-la para chá e …. imaginem lá … CHOCOLATE QUENTE! Yummy!

- 1 autocolante de vidro (ou montra) que diz “Write your novel here” que é como quem diz “Escreve aqui o teu livro”. Possivelmente não terei como usar este autocolante porque vivo num prédio e tal … mas prontos … fica de reserva para o ano ou assim.(achei-o fofo e não resisti a encomendá-lo)

- 3 autocolantes NaNoWriMo (com os logos, incluindo o “NaNo Camp”) e que eu pretendia colar no meu portátil, mas como nem sei quando este vai chegar (maldição) vão ficar aí até o dito cujo chegar cá a casa.

- 10 crachás de mérito, que são para usar (com orgulho) sempe que cumprir um objectivo, se bem que há uns que eu possivelmenet não vou cumprir, mas posso fazer batota certo? Tipo, em vez de abusar na cafeína (que eu não bebo café), posso ganhar o crachá por abusar no chocolate quente. Digam que sim, digam!

E prontos, acho que terminei este … como hei-de chamá-lo … obséquio? É, pode ser. Prontos, vou-me porque já disse parvoíces que cheguem para uma noite de 6ª feira.





Iogurte com Pimenta 02

26 09 2009

Iogurte_com_pimenta_02Era uma vez, num reino distante, um príncipe que ia para a cama com tudo o que era rabo de saia. O príncipe era amado pelo seu povo, especialmente pela casta feminina que sabia melhor do que ninguém os “dotes” do herdeiro ao trono.
O príncipe era afamado, não só por ser um verdadeiro “rei” na cama, como também por nunca dormir com a mesma mulher duas vezes. Elas não se importavam, pois o que queriam era poder gabar-se de ter estado com ele, já que isso era um espécie de estatuto entre os habitantes do reino.
Ao mesmo tempo, havia a rapariga mais ingénua do reino, que de tão ingénua, foi seduzida pelo príncipe e acabou no estaleiro, entre feno e cavalos, a fazer amor com ele, sem sequer perceber muito bem o que é que estava a fazer.
O príncipe,encantado com a ingenuidade dela o facto de ela não dizer que não a nada (mesmo nada), pediu-a em casamento ali mesmo, entre feno e cavalos. Ela, inocente mas contente, aceitou de bom grado a possibilidade de deixar a sua vida medíocre enquanto filha do padeiro.
Quem não ficou nada contente com isto foi a vilã, que era também a única amante do príncipe, aquela que ela visitara frequentemente e que tinha também um irmão no manicómio, se bem que a doida era ela.
Então, doida de ciúmes, a nossa maquiavélica vilã, contrata uns rufias e planeia arruinar a vida da nossa ingénua futura rainha, de forma a ficar ela com o príncipe, que é o seu verdadeiro amor.
A ingénua filha do padeiro, a caminho do casa para dar as boas novas aos pais, é atacada pelos rufias, que lhe queimam o rosto e a tornam irreconhecível, abandonando-a na berma da estrada.
A menina ingénua é encontrada por alguns vizinhos, que a levam de imediato para casa onde ela é cuidada pela sua mãe. O que a vilã não sabe é que a mãe da menina ingénua, é na verdade uma bruxa, que consegue, “Poquilita” aqui e “Duvlatin” ali, retornar o rosto angélico da nossa menina ao normal.
A vilã  regozija-se na vitória de pouca dura, pois no dia seguinte o príncipe anuncia o noivado e a ingénua menina continua bela como sempre. A vilã praticamente espuma pela boca com raiva e maltrata o seu irmão no sanatório. Irmão este que é uma jóia de pessoa e que se limita a levar pancada, contente pela visita inesperada do único membro da sua família, a irmã.
Semanas passam e o casamento tão aguardado acaba por acontecer, contra as expectativas da vilã que fez de tudo um pouco para o tentar impedir, incluindo envenenar todos os cozinheiros e empregados do castelo, mas o rei limitou-se a pedir aos plebeus do reino que trabalhassem em vez dos seus empregados, a troco de um bom salário e muita comida. Claro que ninguém recusou e a festa foi ainda maior do que o esperado.
A cerimónia correu dentro dos conformes e antes das 12h, já a nossa ingénua menina e o príncipe playboy estavam de aliança no dedo, contentes como só visto.
O novo casal foi feliz para sempre … e a vilã continuou como amante do príncipe, tentando a cada novo dia, um novo plano para ficar no lugar da nossa, sempre, ingénua princesa.

Nota: Os direitos de adaptação ao cinema já foram vendidos. Mantenham-se atentos a isso porque vai ser um grande sucesso.





Momentos 07

17 09 2009

momentos_01Eu digo já que sou contra.
Contra o quê?
Contra tudo. Eu não gosto destas coisas.
Mas estás a falar chinês?
Querida, —
Querida? Estás com febre?
Como eu estava a dizer … Querida, eu sou contra os que são contra.
Ah?
Oh querida, você hoje está lenta.
Não. Tu é que estás parva e eu não consigo acompanhar o teu raciocínio.
Olha, até o viril está a ficar verde com esta conversa.
É Viridis e eu SOU verde.
Ah! Como é que nunca me dei conta?
Estavas demasiado focada no teu próprio umbigo.
Olha quem fala. Drama queen!
Não estamos a fugir ao tema, ladies?
E havia tema?
Boa pergunta.

Leio artigos e tento estar atenta ao mundo a literatura nacional e mundial e algo que me surpreende no nosso país )para além de muitas outras coisas) é o facto de, possivelmente, sermos dos países que mais publicam “blogs” em livro.
No estrangeiro ouvimos dizer que que escreve em blogs dificilmente verá o conteúdo desse mesmo blog em papel, pelo menos nas editoras (vanity press não conta), mas aqui em Portugal basta ar uma olhada pelas prateleiras ou uma pequena pesquisa na web e vemos que temos vários.
Nem sequer estamos a falar de blogs de contos ou afins, mas mais de blogs de sátira, opinião ou outros géneros mais “estranhos” (no bom ou mau sentido, conforme desejem).
Que figure aqui que não tenho nada contra isso, mas parece-me estranho. Muito estranho.
Outra coisa que recentemente me surpreendeu foi a publicação de uma obra que o próprio autor já tinha publicado independentemente e que agora foi “comprado” por uma “grande” editora, por assim se dizer.
Mais uma vez, não tenho nada contra. Mas andamos a contrariar as tendências. Será isso bom, ou mau?
Eu pessoalmente não sinto vontade de comprar nenhum destes livros que são blogs. Não é porque posso lê-los online, mas é exactamente porque nem online os leio. Não sinto “atracção” por eles e dessa forma não compro. Mas também não opinarei sobre eles. Deixarei ao critério de cada um.
Neste campo só poderei falar de boca cheia sobre uma destas publicações. O “Caderno de Saramago”. Desde o primeiro post que sigo o blog do vencedor do Nobel Português, e se ao principio pensava que valia a pena, à medida que o tempo foi passando fui lendo mais e mais posts sem interesse e que chegavam mesmo a “enervar-me” um pouco, no mau sentido. Neste caso posso dizer que não pagaria para ler, porque parece-me que o livro não seleccionou os textos e limitou-se a imprimir tudo. Se fossem só os de interesse cultural, talvez adquiri-se o volume, mas com as opiniões que em nada enaltecem a minha vida, não o farei. Já para não falar no absurdo do preço do livro. Eram 17 ou 19€? Fosse qual fosse é muito dinheiro para alguns textos curtos sobre coisas dispersas. Isso é tudo para pagar direitos de autor?
E nem vou por aí, se não ficava aqui a falar sobre os preços fora de órbita das edições portuguesas e que põe a minha carteira completamente “drogada”. Será que não se dão conta que se baixassem o preço dos livros vendiam muito mais?
Mas isto já é fugir ao tema.
Voltando ao caso que foi “republicado” por uma editora na sua terceira edição, louvo o acto, mas só poderei deixar uma nota digna de registo quando ler a obra. Desejo sorte ao autor.
Quem tiver lido os outros livros (mencionados acima), que deixe aqui a sua opinião. Vocês acham que as escolhas das editoras para este género de publicação são as mais acertadas?





Selos

11 09 2009

voar

selo_glamourselinho_yarablogueirasamigas

adonaA Babs recebeu uma montanha de selos e decidiu “oferece-los” aos restantes mortais da blogosfera.

Como não sou de recusar estas coisas, aqui vou eu.

O selo “A dona deste blog eh um show”, vem com questionário:
1 – És casada? Solteirona.blogmagico
2 – Tens quantos filhos? Da última vez que verifiquei, nenhum. Os cães contam?
3 – Fumas? Não.
4 – Bebes? Nem sequer champanhe.
5- Tens compulsão por algum tipo de comida? CHOCOLATE, o meu vício.
6 – Preferes calor ou frio? Frio, por causa do chocolate quente. XD
7 – Preferes doce ou salgado? Doce … chocolate.
8 – Qual é a tua profissão? Administrativa.
9 – Qual foi o ultimo filme que viste? Acho que foi o “Cabin Fever” e não valeu o tempo que demorou a vê-lo.
10 – Qual foi o dia mais feliz da tua vida? Não sei ao certo. Para mim não há dias felizes, mas antes momentos de felicidade.

Assim como o fofinho selo “Seu blog é mágico”
1-Música mágica? “Moonlight” de Beethoven
2-Filme mágico? Mononoke Hime
3-Viagem mágica? Uma viagem pelo mundo, podendo desfrutar de todas as culturas e locais.
4-Maquilhagem mágica? Não sou de grandes maquilhagens.

P.S.: Se receber mais selos vou colocá-los todos neste post, em vez de criar um novo para cada vez.





Este é um blog bom para ler

5 09 2009
Este é um blog bom para ler

Este é um blog bom para ler

Este é um daqueles selos que anda por todo o lado. A diferença é que com este basta-nos responder a umas questões.
Recomendado pelo Read to grow Europe.

-> Qual o livro que está lendo ou qual o último que leu?
Estou a ler “Luz” de Stephen King. E estou a gostar bastantes, especialmente do Danny.

-> Qual livro preferido?
Não tenho um favorito, mas gostei muito do “Onze minutos” de Paulo Coelho e do “A loja dos suicídios” de Jean Teulé.

-> Autor, capa, recomendação ou sinopse?
Eu presto muita atenção às sinopse e às recomendações, mas também admito que às vezes pego em livros pela capa, mas não os compro só por isso. Se já tiver ouvido boas coisas sobre o livro, ou se a sinopse me cativar, aí compro, mas não me baseado só no grafismo. Comprar pelo autor, só me aconteceu uma vez e arrependi-me (António Lobo Antunes).

-> Um livro que não consegue terminar de ler.
Bem, ainda não terminei “O Senhor dos anéis” de J.R.R. Tolkien nem “O perfume” de Patrick Süskind, mas porque os livros não eram meus e eu não estava com intenções de ficar com eles muito tempo (a escrita não me cativou em ambos), então devolvi-os sem os terminar. “Como me tornei estúpido” de Martin Page também é outro livro que ainda não acabei, mas hei-de voltar a tentar.

-> Aquele que não sai de sua cabeceira.
Não tenho nenhum. Aliás … tecnicamente eles estão todos na minha cabeceira, porque as minhas estantes de livros está literalmente ao lado da cama.

-> Escritor preferido.
Não tenho nenhum, sinceramente, mas gosto da J.K.Rowling, embora não a possa considerar favorita.

-> Eu recomendo:
A saga Harry Potter de J.K.Rowling, os dois livros que mencionei lá em cima (nos favoritos), “O senhor das moscas” de William Golding, e o adorável “Quero um abraço” de John Rowe, uma carinhosa história infantil. Ah! E muito manga (banda desenhada japonesa, para quem não sabe).

-> Não recomendo:
Como disse a autora do outro blog, seria presunçoso eu estar a dizer o que os outros não deviam ler. O que posso é dizer do que não gostei: Saga “Eclipse” de Stephenie Meyer (suportei o primeiro, gostei do segundo e detestei o terceiro) e “Memória de Elefante” de António Lobo Antunes (não gostei nem um pouco).

-> E eu passo este selo para:
Quem tiver vontade de responder a este breve questionário. Não há necessidade de andar a nomear ninguém.





Post 101

21 08 2009

Pois este bem que devia ser o post 100, mas acreditem ou não, eu só me dei conta que ele passara depois de colocar o semanário online. Lá se foi o número 100 e ficamos nós com o 101 (que até é mais bonito e tudo).

Para comemorar a data (só eu é que me lembro destas coisas), aqui ficam umas nuvens de palavras, tipo algodão doce, só que sem doce e usando palavras.
E nada melhor do que usar excertos do “Angel Gabriel“, com 100 palavras cada. Divertam-se:

_1
Adora a parte do “bocadinho” que por acaso foi usado (propositadamente) duas vezes no excerto em questão:

_3

E por último algo mais … picante …

_2

Para quem não sabe estas coisas todas catitas foram feitas no Wordle. Muito fixe!





Iogurte com Pimenta 01

9 08 2009

Iogurte_com_pimenta_03Uma bela anja/anjo cujas asas nunca estão visíveis, tem um grupo de seis amigos próximos que a acompanham para todo o lado. Três são homens e três mulheres. A anja/anjo está interessada em dois dos homens, mas nunca o demonstra porque nem sequer se apercebe disso.
Esta anja/anjo é burra!
Ela é também dona de uma enorme fábrica de chocolates, que está situada perto de uma ravina. O edifício tinha sido anteriormente um manicómio e isso é bem visível tanto na localização como na edificação que mantêm o ar assustador. Até há trovoada e tudo.
Então, esta anja/anjo, dona da fábrica de chocolates, tem uma arqui-inimiga que faz de tudo para arruinar o negócio dela, por uma qualquer razão desconhecida e que não faz falta nenhuma sabermos. Aliás, ela nem sequer chega a mostrar a cara. Ouvimos falar dela, vemos os seus planos maquiavélico, mas ela nunca aparece em carne e osso.
Não interessa. Imaginem-na como uma vilã sedutora e com um riso extremamente maquiavélico (assim como os planos dela).
Adiante …
Então o mais recente plano da vilã inclui envenenar todas as caixas de chocolates em forma de coração que a fábrica produz. Todas menos UMA. E a nossa anja/anjo que faz?
Pois claro.
Ela vai mover mundos e fundos para encontrar a única caixa que não está envenenada.
Enquanto isso a fábrica continua a produzir chocolates envenenados, mas isso não é sequer importante. O que interessa mesmo é ÚNICO chocolate bom.
O grupo todo (6 humanos e uma anja/anjo) juntam-se e correm por todo o lado à procura dessa caixinha miraculosa. Mesmo todo o lado, inclusive os caixotes do lixo.
E é depois de vasculharem os caixotes do lixo (a anja/anjo obriga o homem loiro e musculado do grupo a enfiar-se dentro do contentor) que a anja/anjo tem uma ideia mirabolante. Se calhar o chocolate bom é o que ela tinha consigo e que enviou pelo correio a si mesma (ela tem manias destas).
Vão ao marco dos correios e desfazem-no todo para chegarem à dita caixa. E é mesmo a ÚNICA. A tal. O miraculoso chocolate não envenenado.
Voltam todos à fábrica, com a trovoada a rugir no horizonte. Sim porque uma fábrica de chocolate, implantada num velho asilo colocado ao pé de um precipício, tem de ter uma tempestade por perto.
No andar mais fundo da fábrica, a vilã põe em marcha um outro plano maquiavélico. Plano esse que a gente desconhece mas que aterroriza todos na fábrica e os faz correrem escadas acima (os elevadores funcionam, mas impressionantemente ninguém os usa). O pandemónio está instalado e a nossa anja/anjo não consegue chegar lá acima pelos seus próprios pés, porque as escadas começam a cair aos pedaço (escadas de pedra). Ela e os amigos tentam encontrar outro caminho mas sem sorte (elevadores, alguém?). Ela acaba por se fartar e decide voar até lá acima (já não era sem tempo), mas de alguma forma nós nunca chegamos a ver as asas dela. Devem ser invisíveis. E é quando ela começa a voar que os amigos conseguem finalmente subir pelos elevadores (se calhar ela era muito pesada para andar naquilo).
Chegam todos ao cimo ao mesmo tempo e vêem que todos os trabalhadores estão a salvo e a fábrica continua intacta, à excepção das escadas que estão destruídas. Para dar mais drama à cena, a tempestade ruge furiosa e começa a chover.

E é esta a aventura da anja/anjo que é também dona de uma fábrica de chocolates.
Épico, não é?

Nota: Eu sei que “anja” não é uma palavra (bem, no brasil diz-se, mas aqui em Portugal não), mas foi para não confundir. É que embora os anjos, supostamente, não tenham sexo, a desta história era bem feminina.

Se não sabem do que isto se trata, vejam o post anterior.





Iogurte de Pimenta 00

9 08 2009

Iogurte_com_pimenta_01Já alguma vez tiveram uma ideia tão descabida, mas tão descabida, que acabava por ser genial?

Pois …. eu de vez em quando sofro desse flagelo.

Cansada de ser a única que as acha engraçadas e disparatadas, vou então partilhar alguns destes segredos com vocês.

As ideias mais originais dos últimos tempos.

Não vos garanto é que façam muito sentido.

Ficam avisados.

Nota: Esta rubrica não é semanal. Vai aparecendo em conformidade com o meu estado de espírito e especialmente quando surgir algo digno de registo.





Momentos 06

8 08 2009

momentos_01Hey! Este post não é sobre a escrita.
É mais sobre a literatura.
Batoteira!
De vez em quando também é bom mudar um pouco.
Não gosto é do nome …. sem tacto.
Realmente. Quem foi que teve a brilhante ideia?
Eu não fui.
Muito menos eu.
Mas as musas são sempre as culpadas.
Essa é uma lógica muito duvidosa.
Se pensasses o contrário é que eu estranhava.
Bem, podemos prosseguir.
Podemos prosseguir? Bah! És tão snob.
Desculpa?
Meninas, comportem-se.

No outro dia estava a vasculhar este artigo e o/a blog da Meg Cabot (Diário da Princessa, Mediadora) e num qualquer post ela mencionava o fenómeno da “trauma porn”.
E que raio é isto?
Pois “trauma porn” (não me perguntem porque é que tem o “porn” no meio) é o nome dado a livros para jovens e adolescentes, cujos temas são tudo menos alegres. Estamos a falar de suicídio, drogas, acidentes com resultados fatais e/ou permanentes, violência doméstica. e demais traumas. Ou seja, livros em que a personagem principal tem uma vida já de si horrível, ou que passa a ser horrível devido a algum acontecimento marcante.
Esse artigo fez-me logo lembrar do “Pérola nas Brumas”. O livro da V.C. Andrews que eu ando a ler já há mais de cinco meses e para no qual estou a fazer um esforço descomunal para tentar chegar ao fim.
Aparentemente o “trauma porn” não é um fenómeno recente (basta ver que a V.C. Andrews já morreu há uns bons anos) e sempre houve este tipo de literatura para quem dela gostasse. Só que parece que recentemente a procura por estes títulos aumentou.
Uns acham o fenómeno preocupante, enquanto outros acham normal.
Eu sou parte do segundo grupo. Senão vejamos:
- Todas as pessoas têm gostos diferente de leitura.
- Em certas alturas da vida eu gosto de ler coisas mais alegres, mas leves. Noutras coisas com mais acção. E noutras ainda gosto de coisas com mais drama, que me façam chorar.
Num mundo que parece tudo menos sorridente e em que a cada dia que passa surge uma nova ameaça, é normal que os jovens (e não só) sintam mais interesse nestas temáticas.

Eu confesso que nesta fase da minha vida não estou com pachorra para as tragédias da “Ruby” (V.C. Andrews), mas também sei que o primeiro livro da saga foi um dos meus predilectos, quando eu tinha para aí uns 14 anos. Ou seja, é de fases.
Será que nos devemos preocupar por os jovens (eu ainda sou jovem) lerem cada vez mais este tipo de literatura?
Eu acho que não.
De uma certa forma é bom que eles saibam. Afinal, normalmente estes livros tem uma certa lógica de eventos. Por exemplo: Um jovem conduz bêbedo, envolve-se num acidente e fica paraplégico para o resto da vida. Uma jovem que é vitima de bullying corta os pulsos por causa da pressão. Uma jovem inicia uma viagem pela anorexia depois de fazer uma aposta com uma amiga para ver quem conseguia ser mais magra.
Isto são tudo realidades e por isso acho até bom que os jovens leiam este tipos de coisas. Pode ser que tomem consciência.
Acho que desde que o propósito do livro seja mostrar que a vida segue sempre o seu caminho e que depois da tempestade vem a bonança (e não só que as tragédias acontecem umas atrás das outras sem cessar), então este parece-me um género com promessa.

Aqui fica uma lista de alguns dos best-sellers mais recentes do género:
- “Wintergirls” de Laurie Halse Anderson
- “Veronika decide morrer” de Paulo Coelho
- “Before I die” de Jenny Downham
- “If I stay” by Gayle Forman





Momentos 05

18 07 2009

momentos_01E o que temos cá hoje?
Parece que é um tema algo sensível.
Racismo na Literatura.
Credo!
E Também há o facto de os escritores mostrarem mais do que querem.
Sr. Virilha. A culpa é sua.
Nós os musos não temos culpa. E é Viridis, por favor.
Se calhar fazem de propósito.
Não fazemos nada.
Então de quem é a culpa?
Dos autores, claro!
*Ahem*
-silêncio-
Acho que ouvi uma voz do além.
Não é do além. É ela! A lenda … A autora.
Aquela que não faz nada o dia todo?
*Ahem*
-silêncio-
É melhor ficarmos por aqui.
Sim é melhor.

Depois de ler esta entrevista ao autor China Miéville (cujo livro The City & The City eu tenho muita vontade de ler), lembrei-me de algo que sempre me intrigou na escrita fantástica (e não só). A questão do racismo e o facto de, muitas vezes sem nos darmos contas, transmitirmos para o papel as nossas crenças, dúvidas e pontos de vista (quer sejam bons ou maus).

O excerto seguinte foi o que despoletou esta questão:

«Yes, I heard about RaceFail ‘09 some time after the event, and rather regret not having been there while it was going on. The category of Political Correctness is so nebulous that it’s rarely very helpful, particularly because it is often used disgracefully as a stick with which to beat anti-racists or progressives. In the broader sense, I absolutely do think that the implicit politics of our narratives, whether we are consciously “meaning” them or not, matter, and that therefore we should be as thoughtful about them as possible. That doesn’t mean we’ll always succeed in political perspicacity—which doesn’t mean the same thing as tiptoeing —but we should try. So for example: If you have a world in which Orcs are evil, and you depict them as evil, I don’t know how that maps onto the question of “political correctness.” However, the point is not that you’re misrepresenting Orcs (if you invented this world, that’s how Orcs are), but that you have replicated the logic of racism, which is that large groups of people are “defined” by an abstract supposedly essential element called “race,” whatever else you were doing or intended. And that’s not an innocent thing to do. Maybe you have a race of female vampires who destroy men’s strength. They really do operate like that in your world. But I think you’re kidding yourself if you think that that idea just appeared ex nihilo in your head and has nothing to do with the incredibly strong, and incredibly patriarchal, anxiety about the destructive power of women’s sexuality in our very real world. These things are not reducible to our “intent”—we all inherit all kinds of bits and pieces of cultural bumf, plenty of them racist and sexist and homophobic, because that’s how our world works, so how could you avoid it?»

Lembro-me de quando surgiu o filme do “Senhor dos anéis” eu ter dado por mim a pensar: Mas será que todos os Orcs são maus? Não tem lógica catalogarem uma espécie inteira como sendo maldosa.
Isto para mim nunca fez sentido pois não acho que a maldade, bondade ou espírito violento estejam de algum modo relacionados com a nossa cor de pele, lugar de nascença, ascendência, estatuto social, crença, ou outro factor semelhante.
Acontece o mesmo em algumas histórias de ficção científica, onde uma raça inteira alienígena não fazem mais do tentar exterminar a raça humana por razão nenhuma (ou porque querem tomar posse do nosso planeta).
O problema é o mesmo.
São todos os extraterrestres maus? Não há nem sequer uma pequena parte que se rebele e tente seguir outro caminho?
Claro está que também existem muitos livros (e filmes e outros) que exploram essa mesma vertente. O lado do bom versus maus dentro de uma outra raça/espécie que não a nossa. E esses livros podem chegar a ser muito bons. Mas os outros, fazem-me impressão.
Não há lógica! Não é realista dizer que uma espécie, uma comunidade, ou mesmo um grupo, tem pessoas que pensam todas exactamente da mesma forma, como autómatos programados só para aquilo e nada mais (a menos que a própria história estipule isto como sendo a realidade dos factos).
Como escritora (amadora), desde sempre, e inconscientemente, tentei evitar este caminho de generalização.
Porque não há só pessoas más ou boas. Há meios termos. Há pessoas que são boas mas também são capazes de cometer actos atrozes, assim como há gente de má índole capaz de um pouco de gentileza e até compaixão. Claro que também há extremos. Mas estes não estão delimitados numa cor de pele, numa espécie, num planeta, numa crença ou num ambiente.
Se duas pessoas nascerem e crescerem em ambientes exactamente idênticos, até ao mais ínfimo pormenor, elas ainda assim não pensarão da mesma forma, agirão da mesma maneira ou terão as mesmas reacções a situações semelhantes. Porque todos somos diferentes e porque todos temos a capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias, absorvermos informações de formas e modos diferentes de todos os que nos rodeiam.
Claro que neste ponto todos teremos ideais diferentes, porque todos somos diferentes, mas a mim parece-me algo inverosímil uma história (livro, filme) onde um grupo de pessoas, adjectivados pela sua raça, ideologia ou origem, sejam catalogadas como idênticas, sem algo que as torne únicas e capazes de pensamentos individuais e possivelmente conflituosos com os restantes, sem que isso pareça pouco natural.

O que pensam vocês?