Vampire Academy Quarta-feira, Dez 23 2009 

“Vampire Academy #1″ de Richelle Mead
“Academia de vampiros #1″ lançado em Portugal pelas Edições Contraponto

Decidi ler este livro, depois de  Babs o recomendar, pois sinceramente, bastava-me olhar para o nome, que ficava logo com pele de galinha. E lá fui eu, para mais uma aventura vampírica, que esperava ser compensadora.

Rapidamente dei por mim a gostar da história, porque as personagens, embora jovens, tinham personalidade e sendo irritantes, eram também muito verdadeiras.
Algo que me interessou muito neste livro, durante toda a leitura, foi o foco na amizade das duas raparigas, que embora pudesse ter caído na mediocridade, acabou sendo muito refrescante, em comparação com os váriso romances que iam surgindo, e que, diga-se, não foram assim tão maus (o Dimitri, o Christian = Ai, ai … Que dois pedaços de mau caminho).

Custou-me a habituar à hierarqui da história, e aliás, ainda não estou habituada. Não gosto do sexismo ou do facto de uma raça ter de se sacrificar em prole da outra. Tudo isso me parece estremamente estúpido, mas não menos imaginativo. Toda a comunidade “vampírica” está bem estruturada e pensada, só que eu não consigo concordar com ela, mas isso já é uma questão de opinião pessoal, e nada que impessa que desfrute do mundo criado por Richelle Mead.

Gostei: das personagens principais, que eram verdadeiras, embora cheias de falhas; da história, que era simples, directa e não andava com muitos floreados; do mito vampírico, que foi bem exposto; do facto de haver uma razão por trás de tudo e até mesmo os actos vis serem explicados de forma a que não pareçam improvisados, mas sim pensados e premeditados.

Não gostei: Da falta de desenvolvimento das restantes personagens, especialmente os vilões que não foram suficientemente bem expostos, e consequentemente, não tiveram o impacto que seria desejável; da Rose, em certas situações, que se tornava absolutamente insuportável e convencida (mas isso também é bom, no sentido em que não faz dela uma protagonista demasiado perfeita para ser “real”); das conversas iniciais moda e etc. e tal, coisas mesquinhas que a mim não me dizem nada, mas a que os jovens dão tanta importância.

Em suma, foi uma boa leitura, com uma escrita interessantes, diálogos realistas, cenários bem estruturados e personagens independentes. Recomendo a quem queira um livro juvenil sobre vampiros, que não seja um desaontamento total. É uma boa leitura dentro do género, sem grandes aparatos, mas que compensa.
Só tenho a dizer, que este livro funcionaria na perfeição como um stand-alone, e tenho a impressão que essa foi a ideia inicial da autora (ao menos é o que dá a entender) e, embora tenha pretensões de ler o volume seguinte, não vou já partir para a leitura, pois realmente não incita à continuação, embora haja espaço para tal.

Nota final: 6/10 (quase um 7, mas não chega lá)

Dark Lover Domingo, Dez 20 2009 

“Dark Lover (Black Dagger Brotherhood #1)” de J.R. Ward
Na sombra da noite (Irmandade da Adaga Negra #1) publicada em Portugal pela Casa das Letras

Já devem ter reparado que ando numa temporada de romances paranormais e/ou fantasia urbana, que parece querer continuar por uns tempo, por isso aguentem comigo, ok?

Desta vez decidi apostar numa outra autora da qual já me tinham falado e sobre a qual tinha alguma curiosidade. J.R. Ward.
Este livro é o primeiro de uma série sobre os guerreiros da imandade da adaga. Cada livro é dedicada a um destes irmãos vampiros, que dedicam as suas vidas a combater os lessers e a defender a sua raça.

O livro começa de uma forma interessante e consegue cativar, tanto pela escrita, que é simples mas não em demasia, como pela própria história e todas as personagens que vamos conhecendo ao longo do livro.
É escusado dizer que isto está carreguadinho de erotismo, porque basta olhar para a capa e bem, acreditem que está bem servido, sem chegar a ser estranhamente abundante e despropositado. Nesse aspecto é mais moderado, ou antes certeiro, no que expõe (em relação a alguns que tenho lido ultimamente).

Uma das coisas que, ao princípio, me irritou bastante, foi a constante utilização de siglas tipo SOB, SOP, FUBAR, BVD. Eu percebo muito de inglês mas até ficava confusa e cheguei mesmo a ficar irada quando numa página usaram três diferentes. Mas, felizmente, a partir daí deixaram de usar completamente estes termos e eu pude respirar de alívio. Tipo, será que eles dizem mesmo SOB em vez de Son Of a Bitch? É quase o mesmo que dizer LOL, e isso não é nada “kwell“. Se é que me entendem?

Confesso que uma das coisas que mais gostei no livro, foi o mito dos vampiros e dos seus inimigos, os lessers. Toda a história está bem explicada, é extremamente original e convence. Adorei todos os pequenos pormenores sobre os vampiros, as lellans, os hellans, os lesseres, os próprios vampiros, que não são todos fortes ou invencíveis, que têm imensas fraquesas e que  estão perto da extinção. Está tudo muito bem criado, e mesmo sem ler o glossário, consegue-se saber todos os pormenores deste mundo.
O ritual do casamento foi bem intenso, interessante, mas algo sádico. Arrepiei-me toda!

As personagens foram surpreendentes, e, se ao princípio achava tanto a Beth como o Wrath, dois insípidos, ao longo da narrativa o amor deles foi crescendo e crescendo, até que nem eu (que sou muito céptica nestas coisas), consegui negar o que os unia. Mas eles, ainda assim, foram das personagens menos interessantes, pois a autora consegue dar vida própria a cada um, mesmo os mais insignificantes, ficando-nos na memória cada personagem, cada gesto, cada tique.

Em suma, gostei muito, mas custou-me um pouco a entranhar na história. Se bem que assim que passei do meio, já não consegui largar até terminar. Excelente construção da história, desenvolvimento narrativo e personagens interessantes, que me deixam com vontade de ler os restantes livros.

Algumas partes que eu gostei:

“Of course you did,” she said gently. “You wanted to live.”
“No,” he shot back. “I was afraid of dying”

E outra que me fez rir:

But come on, could you actually imagine some lethal bloodsucker named Howard? Eugene?
Oh, no, Wallie, please don’t bite my—

Holy Christ, he was totally losing it.


Nota final: 7/10 (quase, quase 8 )

Marcada Sexta-feira, Dez 18 2009 

“Marcada (Casa da Noite #1)” de P.C. Cast e Kristin Cast (Saída de Emergência)

Só li as primeiras 20 páginas, mas deu para perceber que não gosto. Nada mesmo!
A escrita é enfadonha, o diálogo, que tenta ser juvenil, soa falso, forçado e monótono. Do tipo: qual é a jovem, de hoje em dia, que trata quem quer que seja por “você”? Especialmente quando a pessoa em questão é um rapaz com quem ela curte à mais de um ano. Não faz sentido!
A personagem principal não é interessante e está rodeada de gente ainda menos interessante.
A acção acontece no compasso errado, sem genica, sem um “quê” de interesse e adrenalina.
Não gostei e não pretendo ler o resto.

Nota final: 1/10 (não terminei)

Orbias – As guerreiras da Deusa Quarta-feira, Dez 16 2009 

Orbias – as guerreiras da Deusa“, de Fábio Ventura (Casa das Letras)

Como já mencionei, começei a ler este livro na Leitura conjunta do My imaginarium, que se deveria estender até ao princípio de Janeiro, mas eu acabei o livro mais cedo do que o esperado, e por isso aqui fica a minha opinião:

A narrativa começa de forma interessante e no compasso certo. Ao princípio, achei que a Noemi era (estranhamente) parecida comigo, uma ideia que se foi dissipando rapidamente. Começamos com duas raparigas a serem atacadas, praticamente em simultâneo, por duas figuras misteriosas. No meio desse ataque, elas transformam-se, uma em Anjo e outra em Sereia, e é isto que dá início às aventuras das guerreiras. E os problemas começam aqui. As lutas parecem estranhas e pouco “urgentes” e depois de ouvirem as explicações sobre “Orbias”, elas aceitam tudo demasiado bem, demasiado depresa. As dúvidas que têm, dissipam-se demasiado rápido e isso pareceu-me falso, especialmente tendo em conta que nenhuma das duas é especialmente corajosa.
E já agora, não é coincidência a mais que, num mundo tão vasto como o nosso, e de entre 6+4 pessoas especiais 3 delas estejam na mesma cidade? Já sem falar da Riddel e do Richart, que segundo me parece também estavam na mesma cidade. Isso significaria que, dos 10, 5 estavam na mesma cidade que a sede dos inimigos. Ah! E já me esquecia da Eva. Já lá vão 6. Muita coincidência. Isto em contraste com as viagens que elas fizeram em Orbias para descobrir os restantes, parece demasiada coincidência.
Outra das coisas que me deixou algo “irritada” foi o facto de os humanos, na lenda, serem descritos como vis, levados pela ganância, enquanto os orbianos eram bons, puros e só queriam “paz”. Não acredito nesse tipo de divisões e ainda bem que no resto do livro vemos que ambos povos são ganânciosos.

Pontos fortes do livro:
- As descrições de “Orbias” e mesmo da Terra. Quase que conseguimos ver o cenário, as paisagens, as pessoas.
- As  personagens secundárias, que as guerreiras encontram nas suas viagens. A Marzanna, a Senhora do Tempo, a Imperatriz dos mares, essas personagens acabam por ficar na memória, mas é estranho que pareçam mais interessantes que as principais.
- Os trocadilhos, os jogos mentais e as reviravoltas que vão ocurrendo são bem aproveitados, especialmente o facto de nunca sabermos ao certo quem são os inimigos e os aliados. Também gostei da ideia da “caixa de ferro”, que foi muito bem aproveitada.
- Toda a invenção do mundo Orbiano, do Deus e da Deusa, da magia e das lendas, foi bem aproveitada e bem exposta aos leitores.

A escrita das primeiras 100 páginas foi mais juvenil, mas a partir daí amadureceu e tornou-se bastante agradável, só que no final do livro, voltou a ficar pior que no início. Sem genica, sem suspense, sem nada que tornasse a batalha final especialmente memorável. Poderia ter sido um momento alto, mas acabou por ser apenas normal.
Gostei muito do “pós-guerra”, que é como quem diz, gostei da forma como amarraram as pontas da história e como a Noemi reagiu. Sofreu, e isso viu-se, mas soube erguer a cabeça e seguir em frente,. algo de louvar na personagem dela, que evoluiu bastante ao longo da narrativa.

E depois vieram aquelas últimas páginas.
Sinceramente, acho que eram totalmente desnecessárias.
Parece que só lá estão, para atiçar a curiosidade quanto ao próximo volume, mas a ideia que me dá é que, o autor escreveu isto como um livro único, e depois chegou ao fim, com tudo prontinho, e alguém lhe disse “Faz uma sequela” e ele, de forma a arranjar forma de justificar outro livro, escreveu aquele capítulo, que é surpreende, verdade!, mas que parece falso e totalmente desnecessário.
Na minha humilde opinião, este livro funcionaria perfeitamente sozinho, e embora até goste da nova Noemi (tenho umas boas teorias sobre o que se passou, mas não vou revelar) ela não está ali a fazer nada.

Em suma, gostei da história, do mundo, das crenças, do uso inteligente de “personalidades” portuguesas na história (muito subtil), das personagens, que agiam todas de forma infantil (não posso olhar para elas como adultas), das reviravoltas narrativas e da escrita (na maioria do tempo), mas, não gostei do facto de as personagens, supostamente adultas, serem imaturas; das lutas que, na sua maioria, não tem adrenalina, dos relacionamentos amorosos que pareceram algo forçados (embora no final já estivessem mais coesos), e do final, que era desnecessário.

É uma leitura interessante e compulsiva, mas que peca por falta de maturidade, tanto nas persoangens, como nos relacionamentos. Nem os vilões se salvaram.

Noutro ponto, só depois de ler as primeiras 100 páginas é que percebi quão certeiro está o book trailer do livro. Excelente interpretação!

Nota final: 6/10

Wicked Pleasure Quarta-feira, Nov 25 2009 

Wicked Pleasure (Bound Hearts #9)” de Lora Leigh

Mesmo em Novembro, mês que o NaNoWriMo tomou conta da minha vida, lá arranjei tempo para terminar de ler este livro, porque afinal já estava quase a chegar ao fim da leitura.

Bem, começo por dizer que a capa não podia estar mais perfeita. Tem tudo a ver com uma cena bem específica do livro. Boa escolha! *HOT*

Este livro dá exactamente o que promete. Cenas escaldantes do principio ao fim, e mais não podia pedir … e ainda bem. Não fui com grandes expectativas, embora lá no fundo tivesse uma esperança de que este livro, do qual já tinha ouvido falar um pouco, fosse algo mais que simples romance erótico, mas no fim de contas pouco mais trouxe.
Não vou ser injusta. Existe uma história, bastante interessante e até controversa, com muito drama, que até é explorada de forma inteligente, mas, o interesse termina aí. Todos os segredos são facilmente adivinhados, antes de realmente serem revelados, o twist final não foi bem jogado e pareceu muito forçado. Arriscaria até dizer que só lá estava para plantar a semente da curiosidade quanto ao livro sobre o Chase, o irmão gémeo do Cam. Mas essa é só a minha opinião.

Uma coisa é certa, e volto a repetir, as cenas são muito sexys e bem descritas, mas algumas acontecem em má altura. Quase me faz lembrar o “Halfway to the grave“, cujas melhores cenas aconteciam depois de uma qualquer morte. Aqui não é depois de mortes mas é depois de discussões acessas e em momentos despropositados. Mas não são todas. Algumas estão bem colocadas e fazem sentido, só que depois há aquelas que eu não entendo muito bem o que ali estão a fazer.

Em suma, este é um livro que se lê bem, se o que se quer é um romance picante, com um pouco de drama à mistura e com os níveis de testosterona em alta (coisa que eu não gosto, digo já). Não inova, mas também não aborrece (em momento algum, isso é certo). Acaba até por trazer as lágrimas aos olhos nos momentos mais fortes, o que é sempre um bónus.

Nota final: 6/10

P.S.: Embora este seja o 9º livro da saga “Bound Hearts“, pode ser lido de forma independente e sem qualquer tipo de conhecimento das obras que o antecederam. Afinal, foi o que fiz e não senti a falta dos anteriores, porque são todos autónomos, embora se desenrolem à volta do “Clube”.

O banqueiro anarquista Quarta-feira, Nov 18 2009 

banqueiroanarquista“O banqueiro anarquista” de Fernando Pessoa (Guimarães Editores, S.A.)

O “Jornal I” está a publicar uma colecção de obras de Fernando Pessoa, autor Português que, infelizmente, ainda não tinha lido. Como esta foi a primeira obra a que tive acesso, decidi que era um sítio tão bom para começar como qualquer outro.

“O banqueiro anarquista” é um conto do autor português, que se resume basicamente ao monólogo de uma banqueiro que se diz anarquista e que tenta explicar como é um anarquista férreo, que pratica ao invés de se manter na teoria, como os outros fazem (segundo o próprio banqueiro).
O que se segue é um longo e repetitivo diálogo unilateral deste senhor que, por via de lógica e razão, chegou à sua presente situação de banqueiro rico, que se diz anarquista. Se o é ou não, deixo ao critério de cada um.

O conto, embora repetitivo, tem como ponto forte o facto de, mesmo nunca nos sendo descritos quais os gestos do senhor, através dos diálogos conseguirmos “visualizar” este personagem tão peculiar. E, mesmo repetitivo, não se torna nunca chato.

Em suma, é uma boa obra, que não aborrece, mas que também não chega a deslumbrar. Ainda assim deixa-me curiosa de voltar a ler este grande escritor português e sem dúvida que voltarei a fazê-lo.

Nota final: 7/10

No Plot? No Problem! Quinta-feira, Out 22 2009 

NoPlotNoProblem“No Plot? No Problem!” de Chris Baty
(o livro oficial do NaNoWriMo)

Com o NaNoWriMo aí à porta, decidi mandar vir o livro oficial do evento, por mera curiosidade.
Fiz um bocado de batota a ler o livro porque, supostamente, os últimos cinco capítulos deveriam ser lidos durante o NaNoWriMo. Mas eu, como gosto de ler tudo seguido, e afinal também já tinha participado no ano anterior, não achei que houvesse mal em “ignorar” esse aviso e ler tudo de uma vez. E assim fiz.
Este livro não é bem um livro sobre como escrever, mas mais um livro sobre como se preparar e “sobreviver” para o mês de Novembro (para os que se aventuram nestas andanças).
Tem uma escrita divertida, descontraída, mas não banal, por isso foi fácil seguir a leitura e ri-me várias vezes com as sugestões e descrições de situações que o autor lá mencionava. E para mim, este foi o ponto forte do livro, e vou já passar a explicar porque os outros pontos não foram fortes para mim. É que eu, contrariamente a muitos outros que participam no NaNoWriMo (e participam muito bem), não entro nisto sem um plano. Eu vou com uma ideia definida e não escrevo só por escrever. Tudo o que eu escrevo durante Novembro, escrevo com convicção e de cabeça fria.
Este livro foi mais direccionado para àquelas pessoas que entram em Novembro, quase sem saberem muito bem sobre o que vão escrever e que quando não têm “ideias frescas” escrevem coisas um pouco como “enchente” para acumular as 50 00 palavras.
Não me interpretem mal! Não acho que esse método tenha menos valor que o meu, mas como não me integro nesse contexto, senti que o livro não se apropriava muito a mim.
Ainda assim, li umas coisas muito interessantes, ri-me bastante (inclusive quando estava na biblioteca e algumas pessoas devem ter pensado que eu tinha uma panca qualquer) e achei o livro interessante, especialmente os “jogos” interactivos que o Chris Baty inseriu por lá e os testemunhos de outros participantes.
Por estas razões a minha avaliação final do livro é boa, mas não muito boa porque acho que o livro tem um público alvo muito limitado, o que é compreensível, mas ainda assim o faz descer na minha qualificação.
Numa nota um pouco negativa está o facto de algumas coisas estarem um pouco datadas, já que este livro foi escrito há mais de cinco anos. Mas não são muitas as situações (duas ou três) e não incomoda nada à leitura e divertimento que este livro traz.

Nota final: 6/10

Guilty pleasures Quarta-feira, Out 7 2009 

40998922Guilty Pleasures (Anita Blake, Vampire Hunter 01)” de Laurell K. Hamilton

Com todo o vampirismo que por aí anda (e quem sou eu para falar quando escrevi o “Angel Gabriel”), achei por bem alargar os meus horizontes no género literário em questão. Mas das duas uma, ou eu tenho gostos muito diferentes dos outros, ou então os outros precisam ler mais.
Twilight” foi um decepção total. “Night Huntress” continua assim-assim, não cansa mas também não dá o seu melhor, e agora “Anita Blake” é uma chacha (na minha humilde opinião). Vou mas é virar-me para os clássicos e ver se fico mais satisfeita (se calhar devia ter começado por aí, mas eu sou assim …)

E agora vamos à minha opinião sobre a primeira metade (que significa que é uma opinião parcial) do livro em questão … Anita Blake 1.
Começo por dizer que as descrições das personagens são demasiado exaustivas e consequentemente cansativas. Em contrapartida as descrições dos locais são vagas e nem se dá por elas, o que não é mau de todo porque ficamos com uma imagem dos locais, mas não ficamos a pensar no raio da roupa de cabedal, como acontece com as personagens, e que não serve qualquer tipo de propósito. Ah … esperem … isto foi antes de chegar à parte do gabinete dos Animators, Inc. Aquela descrição foi a gota de água. CHATA! Que horror! Descreve tudo até ao mais ínfimo pormenor. Coisas sem importância. ARGH!
STOP!
Já não posso mais com isto. Que me desculpem todos os que dizem que depois de se passar o primeiro livro as coisas melhoram, mas eu nem paciência tenho para passar do meio para a frente.

Outra coisa que me deixou muito frustrada foi a Anita, a personagem principal. Ela é uma medrosa que se esconde por detrás de uma máscara mal encarada, de mal com a vida e irritantemente desafiadora. Se eu fosse os vampiros também a queria degolada, só para não ter de a ouvir mais. Ela é insuportável e aos seus olhos todos são maus, mesmo os humanos. Alguém lhe dê um estalo.
Mas as restantes personagens também não são melhores. Todas são estereótipos chatos e sem vida. Os vampiros parecem todos saídos do filme Drácula. Vivem num mundo moderno mas vestem-se como uns antiquados e agem como uma medievais. Podia até ser giro, se não fosse tão irritantemente chato e repetitivo.
Depois temos a cenas de sedução (sensuais), que muito sinceramente a mim não me dizem nada. Os humanos devem ser todos burros para acharem sexy um vampiro a atacar um humano no palco de um clube de striptease onde eles não tiram mais do que a parte de cima. E já agora … se a Anita é tão esperta e sabe tanto sobre os vampiros, porque é que ela foi estúpida o suficiente para, não só deixar a amiga entrar no clube de vampiros, como deixá-la lá sozinha como uma fanática de vampiros, sabendo de ante-mão que eles podiam “escravizá-la”? Se isto não é a decisão mais estúpida que eu já vi para fazer andar a história, então está lá muito perto.
Verdade, verdade é que tudo neste livro me irrita desde o primeiro capítulo. Não vi nada que me cativasse. As personagens são insípidas e irritantes. A acção é descoordenada e muito confusa (no mau sentido), a história parece não ter nexo quase nenhum (no mau sentido, uma vez mais) e a escrita não cativa. Em suma, tudo me levou a abandonar este livro antes de chegar a meio da narrativa, porque já estou cansada de perder tempo com livros que não me cativam.

Estejam à vontade para ignorar a minha opinião, que se baseia simplesmente nas primeiras 75 páginas do ebook. Mas sinceramente, já estou cansada de me forçar a ler livros que não me cativam no primeiro terço da narrativa e odiei as personagens. Não havendo razões para continuar a ler, e como não tenho veia masoquista, dispenso a tortura de ler isto até ao fim.

P.S.: Li em Inglês, já que, ao que me parece, não há ainda tradução para Português (nem eu dava dinheiro por isto, mas prontos …)

Nota final: 1/10 (não terminei)

One foot in the grave Quarta-feira, Set 30 2009 

one foot on the grave“One foot in the grave (Night Huntress #2)” de Jeaniene Frost
Sequela de “Halfway to the grave

Depois de ler o primeiro livro, e tendo lido várias críticas que diziam que a sequela era ainda melhor, lá fui eu ler o número dois da saga. E digamos que fiquei desapontada. Bem … desapontada não é bem o termo porque o livro é agradável a leitura é boa, mas não traz praticamente nada de novo e era isso que eu esperava deste livro.
Mas comecemos pelo princípio sim.
Quatro anos passaram desde que Cat e Bones foram separados e o livro começa de uma forma muito semelhante ao seu antecessor. Aliás, estes livros têm uma espécie de “estrutura” muito semelhante, o que não é de todo mau. Dá-nos uma sensação de continuidade e coerência que não chega a ser aborrecida e é até bem vinda. Logo nos primeiros capítulos, um dos “subordinados” da Cat morre, mas eu não senti nada com a morte dele, porque não o conhecíamos assim tão bem, e ao fim de uns tempos nem me lembrava de quem era. Em frente …
É mais ou menos neste momento que somos levados a pensar que o Bones traiu a Cat, mas convenhamos que depois do livro anterior, isso era muito difícil de crer e por isso o suspense perdeu-se.
A Cat envolve-se com um “humano” mas ela própria acha o relacionamento uma perda de tempo. Depois seguem-se uma série de coincidências que terminam no encontro entre Cat e Bones no casamento de amigos mútuos. É aqui que volta aquela velha “chama” da paixão entre ambos, e que, convenhamos, nunca esmoreceu ao longo dos quatro anos e meio em que estiveram separados. É também aqui que começam os problemas …
Todo o sexo parecia estar ali como “serviço” porque em nenhum momento eu senti o “amor” ou sequer o desejo da Cat pelo Bones e vice-versa. Já não havia aquela “faísca”, se é que me entendem. E o pior foram as várias cenas de ciúmes entre os dois, ou melhor, a forma descontraída com que essas cenas de ciume eram resolvidas. Ele perdoava tudo, ela perdoava tudo, depois vinha mais uma personagem fazer ciúmes, mas tudo acabava esquecido. Ou seja, o que poderia ter sido um grande entrave, e consequentemente uma enorme alavanca para o relacionamento dos dois, tornou-se algo monótono, previsível e dispensável. Este foi sem dúvida um dos maiores pontos fracos do livro.
Mas para além disto tivemos ainda outra coisa que me deixou muito desapontada, e que já mencionei acima. O sexo!
Não foi só o facto de não ter a “paixão” desejada, mas pior do que isso foram as “circunstâncias” que levaram aos actos em questão.
Lembram-se de eu dizer que no primeiro livro eles tinham sexo tórrido sempre que alguém morria? Pois, no segundo livro a coisa muda de figura, mas não fica melhor. A primeira vez que voltam à acção é mesmo ao lado de um cadáver, e melhor ainda, em pleno céu aberto, num parque automóvel onde todos os podiam ver (se quisessem). As seguintes ocasiões propensas não são melhore e a Cat e o Bone demonstraram uma enorme aptidão para o exibicionismo, fazendo sexo, propositadamente, onde os amigos e colegas de trabalho os pudessem ouvir.
Isto, para mim, foi um enorme balde de água fria (se é que me entendem). Não gostei, prontos. Aquele comportamento infantil irritou-me e não achei nenhuma das cenas satisfatória, ao contrário de algumas do livro anterior, que acabaram por ser bem conseguidas.
E agora dizem vocês … “Mas estás-te a queixar do sexo? Isso lá é importante?”. E eu respondo “É! Porque é das coisas que mais acontece no livro. Ou seja, supostamente é para terem impacto, digo eu …”
Mas passemos a outros temas.
Gostei muito de algumas das novas personagens, especialmente do Juan, e gostava de ver mais dele. Foi também bom rever algumas outras que já tinham surgido anteriormente, se bem que só em algumas escassas linhas. Quanto ás personagens principais, a Cat permaneceu igual a si mesma, uma heroína forte e destemida, mas desta vez com uma dose extra de confiança e amizade, que foi bem vinda.
Quanto ao Bones … Bones … não sei bem que dizer. Ouve ali uma altura, a meio do livro, que pensei que ele ia virar um controlador como um certo outro vampiro de uma saga começada por “Twi”, mas fiel a si mesmo, o Bones redimiu-se e deixou a Cat tomar as rédeas da situação. Que alívio!
Mais uma coisa que não gostei muito … o novo “condicionamento” na relação dos dois (no fim do livro). É pá! Se calhar sou só eu que acho estúpido um voto de “amor eterno” que grite “Quando tu morreres eu morro também”. Dá-me arrepios (dos maus). Acho isso demasiado lamechas e muito restritivo, mas se calhar sou só. Em frente!
Gostei bastante do processo de nascimento de um “Ghoul” (como se diz isto em PT?). Muito criativo e interessante. Gostei! … mas (e há sempre um mas) não gostei foi da reacção do novo “ghoul” que levou aquilo um pouco bem de mais. Será que sou só eu que não ponderaria sequer uma vida de imortalidade? Não a esse preço, pelo menos.

Uma coisa muito engraçada (ou não) é que me consigo lembrar do nome de quase (mesmo quase) todas as personagens. E isso é muito estranho porque normalmente esqueço-me logo.

Em suma, este foi um livro que seguiu bem as pisadas do seu antecessor, mas que não conseguiu ser mais e isso condicionou-o enquanto sequela com potencial. As personagens principais não pareceram evoluir muito nos quatro anos que se passaram e o que poderia ter feito a relação progredir, acabou apenas por se mostrar infrutífero. Mesmo assim, é um bom livro, que se lê de uma assentada e que não nos deixa gorados. Mas poderia ter sido muito mais.

Nota: 6/10

Lord of the flies Quarta-feira, Ago 26 2009 

lord_of_the_flies“Lord of the flies” de William Golding

Este e um daqueles clássicos, do qual já tanto tinha ouvido falar que não resisti a lê-lo.
Fiz-lo em Inglês, mas talvez no futuro, caso tenha oportunidade, o volte a ler, em Português. Não tive grandes dificuldades a ler, mas aquelas falas mais rústicas deixaram-me de sobrancelha erguida algumas vezes.

Em frente.
Lord of the flies” (O Senhor das moscas) é uma história realisticamente assustadora. Dá que pensar pois nós sempre queremos acreditar que as crianças são inocentes e por isso incapazes das mesmas crueldades que os adultos. Bem, pelo menos é nisso que queremos acreditar, mas a realidade tem tendência a esbofetear-nos com força nestes campos.
Este livro começa com um grupo de crianças, desde os muito pequeninos aos mais crescidos, que se vêem sós numa ilha deserta, sem meios de contactarem com o exterior, sem comida, bebida, ou outra qualquer coisa que lhes recorde a civilização. Adultos, não existem, e por isso Ralph é nomeado chefe e decide que o mais importante é manter uma fogueira acesa, para poderem ser salvos, e construir cabanas, para estarem protegidos do frio e dos animais da ilha.
As coisas não começam bem porque a maior fasquia dos “big-luns” (as crianças mais velhas) passam os dias a caçar. Um deles, Jack, fica completamente obcecado por cortar a garganta a um porco. Só fala nisso e é graças a ele e ao seu claro ódio por Ralph, que os problemas começam a surgir e as desavenças no grupo começam a ocorrer.
Tudo piora quando eles não mantêm o fogo a arder e por causa disso eles não são avistados por um navio que passava ali perto.
Acidentes, mal entendidos, medos do desconhecido, histórias criadas pelos pesadelos e pura loucura, conduzirão grande parte das crianças a um estado de selvajaria e malícia,, sem retorno possível.

E devem reparar que não é comum eu fazer um resumo da história, mas neste caso acho que não há nada melhor.
Lord of the flies” é assustadoramente realista e deixa-nos com um nó no estômago porque sabemos que em condições assim, com personagens assim, o desfecho não poderia ser outro.
Tudo flui de forma assustadoramente real e embora a principio seja um pouco … lenta, a partir do meio o livro não dá descanso.

Em suma, uma excelente leitura, que descreve o que de pior há em nós, mas também o melhor e como a amizade pode surgir nos mesmos instantes em que surge uma rivalidade que consome até chegar a extremos.

Ah! E numa nota. O Piggy foi a melhor personagem de todas. Mesmo sendo rebaixado por todos, insultado e posto de parte. Ele era quem tinha mais juízo, mais racionalidade e foi quem manteve a sanidade de algumas personagens intacta até ao fim. E para além disto ele foi um excelente amigo e companheiro.
O Ralph também foi uma excelente personagem. Parecia forte desde o início, mas mostrou que também não passava de uma criança e que tinha muitos receios. Ele teve um desenvolvimento soberbo e embora no início o detestasse um pouco, ao longo da narrativa fui compreendendo melhor e melhor.
Aliás, as personagens são mesmo o ponto forte da história, e menos não seria de esperar.

Só como um à parte … Quando surgiu pela primeira vez aquela dança do “Kill the pig! Spill his blood! Cut his throat!”, eu já sabia o que aí vinha. Pobrezinho …

Nota final: 8/10

P.S.: A primeira coisa que eu pensei quando no texto surgiu a “pintura no rosto” foi “Dragon Head”, um excelente manga. Aposto que essa parte do manga foi baseado (ou em homenagem) no livro.

Página Seguinte »