Wicked Pleasure

25 11 2009

Wicked Pleasure (Bound Hearts #9)” de Lora Leigh

Mesmo em Novembro, mês que o NaNoWriMo tomou conta da minha vida, lá arranjei tempo para terminar de ler este livro, porque afinal já estava quase a chegar ao fim da leitura.

Bem, começo por dizer que a capa não podia estar mais perfeita. Tem tudo a ver com uma cena bem específica do livro. Boa escolha! *HOT*

Este livro dá exactamente o que promete. Cenas escaldantes do principio ao fim, e mais não podia pedir … e ainda bem. Não fui com grandes expectativas, embora lá no fundo tivesse uma esperança de que este livro, do qual já tinha ouvido falar um pouco, fosse algo mais que simples romance erótico, mas no fim de contas pouco mais trouxe.
Não vou ser injusta. Existe uma história, bastante interessante e até controversa, com muito drama, que até é explorada de forma inteligente, mas, o interesse termina aí. Todos os segredos são facilmente adivinhados, antes de realmente serem revelados, o twist final não foi bem jogado e pareceu muito forçado. Arriscaria até dizer que só lá estava para plantar a semente da curiosidade quanto ao livro sobre o Chase, o irmão gémeo do Cam. Mas essa é só a minha opinião.

Uma coisa é certa, e volto a repetir, as cenas são muito sexys e bem descritas, mas algumas acontecem em má altura. Quase me faz lembrar o “Halfway to the grave“, cujas melhores cenas aconteciam depois de uma qualquer morte. Aqui não é depois de mortes mas é depois de discussões acessas e em momentos despropositados. Mas não são todas. Algumas estão bem colocadas e fazem sentido, só que depois há aquelas que eu não entendo muito bem o que ali estão a fazer.

Em suma, este é um livro que se lê bem, se o que se quer é um romance picante, com um pouco de drama à mistura e com os níveis de testosterona em alta (coisa que eu não gosto, digo já). Não inova, mas também não aborrece (em momento algum, isso é certo). Acaba até por trazer as lágrimas aos olhos nos momentos mais fortes, o que é sempre um bónus.

Nota final: 6/10

P.S.: Embora este seja o 9º livro da saga “Bound Hearts“, pode ser lido de forma independente e sem qualquer tipo de conhecimento das obras que o antecederam. Afinal, foi o que fiz e não senti a falta dos anteriores, porque são todos autónomos, embora se desenrolem à volta do “Clube”.





O banqueiro anarquista

18 11 2009

banqueiroanarquista“O banqueiro anarquista” de Fernando Pessoa (Guimarães Editores, S.A.)

O “Jornal I” está a publicar uma colecção de obras de Fernando Pessoa, autor Português que, infelizmente, ainda não tinha lido. Como esta foi a primeira obra a que tive acesso, decidi que era um sítio tão bom para começar como qualquer outro.

“O banqueiro anarquista” é um conto do autor português, que se resume basicamente ao monólogo de uma banqueiro que se diz anarquista e que tenta explicar como é um anarquista férreo, que pratica ao invés de se manter na teoria, como os outros fazem (segundo o próprio banqueiro).
O que se segue é um longo e repetitivo diálogo unilateral deste senhor que, por via de lógica e razão, chegou à sua presente situação de banqueiro rico, que se diz anarquista. Se o é ou não, deixo ao critério de cada um.

O conto, embora repetitivo, tem como ponto forte o facto de, mesmo nunca nos sendo descritos quais os gestos do senhor, através dos diálogos conseguirmos “visualizar” este personagem tão peculiar. E, mesmo repetitivo, não se torna nunca chato.

Em suma, é uma boa obra, que não aborrece, mas que também não chega a deslumbrar. Ainda assim deixa-me curiosa de voltar a ler este grande escritor português e sem dúvida que voltarei a fazê-lo.

Nota final: 7,5/10





No Plot? No Problem!

22 10 2009

NoPlotNoProblem“No Plot? No Problem!” de Chris Baty
(o livro oficial do NaNoWriMo)

Com o NaNoWriMo aí à porta, decidi mandar vir o livro oficial do evento, por mera curiosidade.
Fiz um bocado de batota a ler o livro porque, supostamente, os últimos cinco capítulos deveriam ser lidos durante o NaNoWriMo. Mas eu, como gosto de ler tudo seguido, e afinal também já tinha participado no ano anterior, não achei que houvesse mal em “ignorar” esse aviso e ler tudo de uma vez. E assim fiz.
Este livro não é bem um livro sobre como escrever, mas mais um livro sobre como se preparar e “sobreviver” para o mês de Novembro (para os que se aventuram nestas andanças).
Tem uma escrita divertida, descontraída, mas não banal, por isso foi fácil seguir a leitura e ri-me várias vezes com as sugestões e descrições de situações que o autor lá mencionava. E para mim, este foi o ponto forte do livro, e vou já passar a explicar porque os outros pontos não foram fortes para mim. É que eu, contrariamente a muitos outros que participam no NaNoWriMo (e participam muito bem), não entro nisto sem um plano. Eu vou com uma ideia definida e não escrevo só por escrever. Tudo o que eu escrevo durante Novembro, escrevo com convicção e de cabeça fria.
Este livro foi mais direccionado para àquelas pessoas que entram em Novembro, quase sem saberem muito bem sobre o que vão escrever e que quando não têm “ideias frescas” escrevem coisas um pouco como “enchente” para acumular as 50 00 palavras.
Não me interpretem mal! Não acho que esse método tenha menos valor que o meu, mas como não me integro nesse contexto, senti que o livro não se apropriava muito a mim.
Ainda assim, li umas coisas muito interessantes, ri-me bastante (inclusive quando estava na biblioteca e algumas pessoas devem ter pensado que eu tinha uma panca qualquer) e achei o livro interessante, especialmente os “jogos” interactivos que o Chris Baty inseriu por lá e os testemunhos de outros participantes.
Por estas razões a minha avaliação final do livro é boa, mas não muito boa porque acho que o livro tem um público alvo muito limitado, o que é compreensível, mas ainda assim o faz descer na minha qualificação.
Numa nota um pouco negativa está o facto de algumas coisas estarem um pouco datadas, já que este livro foi escrito há mais de cinco anos. Mas não são muitas as situações (duas ou três) e não incomoda nada à leitura e divertimento que este livro traz.

Nota final: 6/10





Guilty pleasures

7 10 2009

40998922Guilty Pleasures (Anita Blake, Vampire Hunter 01)” de Laurell K. Hamilton

Com todo o vampirismo que por aí anda (e quem sou eu para falar quando escrevi o “Angel Gabriel”), achei por bem alargar os meus horizontes no género literário em questão. Mas das duas uma, ou eu tenho gostos muito diferentes dos outros, ou então os outros precisam ler mais.
Twilight” foi um decepção total. “Night Huntress” continua assim-assim, não cansa mas também não dá o seu melhor, e agora “Anita Blake” é uma chacha (na minha humilde opinião). Vou mas é virar-me para os clássicos e ver se fico mais satisfeita (se calhar devia ter começado por aí, mas eu sou assim …)

E agora vamos à minha opinião sobre a primeira metade (que significa que é uma opinião parcial) do livro em questão … Anita Blake 1.
Começo por dizer que as descrições das personagens são demasiado exaustivas e consequentemente cansativas. Em contrapartida as descrições dos locais são vagas e nem se dá por elas, o que não é mau de todo porque ficamos com uma imagem dos locais, mas não ficamos a pensar no raio da roupa de cabedal, como acontece com as personagens, e que não serve qualquer tipo de propósito. Ah … esperem … isto foi antes de chegar à parte do gabinete dos Animators, Inc. Aquela descrição foi a gota de água. CHATA! Que horror! Descreve tudo até ao mais ínfimo pormenor. Coisas sem importância. ARGH!
STOP!
Já não posso mais com isto. Que me desculpem todos os que dizem que depois de se passar o primeiro livro as coisas melhoram, mas eu nem paciência tenho para passar do meio para a frente.

Outra coisa que me deixou muito frustrada foi a Anita, a personagem principal. Ela é uma medrosa que se esconde por detrás de uma máscara mal encarada, de mal com a vida e irritantemente desafiadora. Se eu fosse os vampiros também a queria degolada, só para não ter de a ouvir mais. Ela é insuportável e aos seus olhos todos são maus, mesmo os humanos. Alguém lhe dê um estalo.
Mas as restantes personagens também não são melhores. Todas são estereótipos chatos e sem vida. Os vampiros parecem todos saídos do filme Drácula. Vivem num mundo moderno mas vestem-se como uns antiquados e agem como uma medievais. Podia até ser giro, se não fosse tão irritantemente chato e repetitivo.
Depois temos a cenas de sedução (sensuais), que muito sinceramente a mim não me dizem nada. Os humanos devem ser todos burros para acharem sexy um vampiro a atacar um humano no palco de um clube de striptease onde eles não tiram mais do que a parte de cima. E já agora … se a Anita é tão esperta e sabe tanto sobre os vampiros, porque é que ela foi estúpida o suficiente para, não só deixar a amiga entrar no clube de vampiros, como deixá-la lá sozinha como uma fanática de vampiros, sabendo de ante-mão que eles podiam “escravizá-la”? Se isto não é a decisão mais estúpida que eu já vi para fazer andar a história, então está lá muito perto.
Verdade, verdade é que tudo neste livro me irrita desde o primeiro capítulo. Não vi nada que me cativasse. As personagens são insípidas e irritantes. A acção é descoordenada e muito confusa (no mau sentido), a história parece não ter nexo quase nenhum (no mau sentido, uma vez mais) e a escrita não cativa. Em suma, tudo me levou a abandonar este livro antes de chegar a meio da narrativa, porque já estou cansada de perder tempo com livros que não me cativam.

Estejam à vontade para ignorar a minha opinião, que se baseia simplesmente nas primeiras 75 páginas do ebook. Mas sinceramente, já estou cansada de me forçar a ler livros que não me cativam no primeiro terço da narrativa e odiei as personagens. Não havendo razões para continuar a ler, e como não tenho veia masoquista, dispenso a tortura de ler isto até ao fim.

P.S.: Li em Inglês, já que, ao que me parece, não há ainda tradução para Português (nem eu dava dinheiro por isto, mas prontos …)





One foot in the grave

30 09 2009

one foot on the grave“One foot in the grave” de Jeaniene Frost
Sequela de “Halfway to the grave

Depois de ler o primeiro livro, e tendo lido várias críticas que diziam que a sequela era ainda melhor, lá fui eu ler o número dois da saga. E digamos que fiquei desapontada. Bem … desapontada não é bem o termo porque o livro é agradável a leitura é boa, mas não traz praticamente nada de novo e era isso que eu esperava deste livro.
Mas comecemos pelo princípio sim.
Quatro anos passaram desde que Cat e Bones foram separados e o livro começa de uma forma muito semelhante ao seu antecessor. Aliás, estes livros têm uma espécie de “estrutura” muito semelhante, o que não é de todo mau. Dá-nos uma sensação de continuidade e coerência que não chega a ser aborrecida e é até bem vinda. Logo nos primeiros capítulos, um dos “subordinados” da Cat morre, mas eu não senti nada com a morte dele, porque não o conhecíamos assim tão bem, e ao fim de uns tempos nem me lembrava de quem era. Em frente …
É mais ou menos neste momento que somos levados a pensar que o Bones traiu a Cat, mas convenhamos que depois do livro anterior, isso era muito difícil de crer e por isso o suspense perdeu-se.
A Cat envolve-se com um “humano” mas ela própria acha o relacionamento uma perda de tempo. Depois seguem-se uma série de coincidências que terminam no encontro entre Cat e Bones no casamento de amigos mútuos. É aqui que volta aquela velha “chama” da paixão entre ambos, e que, convenhamos, nunca esmoreceu ao longo dos quatro anos e meio em que estiveram separados. É também aqui que começam os problemas …
Todo o sexo parecia estar ali como “serviço” porque em nenhum momento eu senti o “amor” ou sequer o desejo da Cat pelo Bones e vice-versa. Já não havia aquela “faísca”, se é que me entendem. E o pior foram as várias cenas de ciúmes entre os dois, ou melhor, a forma descontraída com que essas cenas de ciume eram resolvidas. Ele perdoava tudo, ela perdoava tudo, depois vinha mais uma personagem fazer ciúmes, mas tudo acabava esquecido. Ou seja, o que poderia ter sido um grande entrave, e consequentemente uma enorme alavanca para o relacionamento dos dois, tornou-se algo monótono, previsível e dispensável. Este foi sem dúvida um dos maiores pontos fracos do livro.
Mas para além disto tivemos ainda outra coisa que me deixou muito desapontada, e que já mencionei acima. O sexo!
Não foi só o facto de não ter a “paixão” desejada, mas pior do que isso foram as “circunstâncias” que levaram aos actos em questão.
Lembram-se de eu dizer que no primeiro livro eles tinham sexo tórrido sempre que alguém morria? Pois, no segundo livro a coisa muda de figura, mas não fica melhor. A primeira vez que voltam à acção é mesmo ao lado de um cadáver, e melhor ainda, em pleno céu aberto, num parque automóvel onde todos os podiam ver (se quisessem). As seguintes ocasiões propensas não são melhore e a Cat e o Bone demonstraram uma enorme aptidão para o exibicionismo, fazendo sexo, propositadamente, onde os amigos e colegas de trabalho os pudessem ouvir.
Isto, para mim, foi um enorme balde de água fria (se é que me entendem). Não gostei, prontos. Aquele comportamento infantil irritou-me e não achei nenhuma das cenas satisfatória, ao contrário de algumas do livro anterior, que acabaram por ser bem conseguidas.
E agora dizem vocês … “Mas estás-te a queixar do sexo? Isso lá é importante?”. E eu respondo “É! Porque é das coisas que mais acontece no livro. Ou seja, supostamente é para terem impacto, digo eu …”
Mas passemos a outros temas.
Gostei muito de algumas das novas personagens, especialmente do Juan, e gostava de ver mais dele. Foi também bom rever algumas outras que já tinham surgido anteriormente, se bem que só em algumas escassas linhas. Quanto ás personagens principais, a Cat permaneceu igual a si mesma, uma heroína forte e destemida, mas desta vez com uma dose extra de confiança e amizade, que foi bem vinda.
Quanto ao Bones … Bones … não sei bem que dizer. Ouve ali uma altura, a meio do livro, que pensei que ele ia virar um controlador como um certo outro vampiro de uma saga começada por “Twi”, mas fiel a si mesmo, o Bones redimiu-se e deixou a Cat tomar as rédeas da situação. Que alívio!
Mais uma coisa que não gostei muito … o novo “condicionamento” na relação dos dois (no fim do livro). É pá! Se calhar sou só eu que acho estúpido um voto de “amor eterno” que grite “Quando tu morreres eu morro também”. Dá-me arrepios (dos maus). Acho isso demasiado lamechas e muito restritivo, mas se calhar sou só. Em frente!
Gostei bastante do processo de nascimento de um “Ghoul” (como se diz isto em PT?). Muito criativo e interessante. Gostei! … mas (e há sempre um mas) não gostei foi da reacção do novo “ghoul” que levou aquilo um pouco bem de mais. Será que sou só eu que não ponderaria sequer uma vida de imortalidade? Não a esse preço, pelo menos.

Uma coisa muito engraçada (ou não) é que me consigo lembrar do nome de quase (mesmo quase) todas as personagens. E isso é muito estranho porque normalmente esqueço-me logo.

Em suma, este foi um livro que seguiu bem as pisadas do seu antecessor, mas que não conseguiu ser mais e isso condicionou-o enquanto sequela com potencial. As personagens principais não pareceram evoluir muito nos quatro anos que se passaram e o que poderia ter feito a relação progredir, acabou apenas por se mostrar infrutífero. Mesmo assim, é um bom livro, que se lê de uma assentada e que não nos deixa gorados. Mas poderia ter sido muito mais.

Nota: 5,5/10





Lord of the flies

26 08 2009

lord_of_the_flies“Lord of the flies” de William Golding

Este e um daqueles clássicos, do qual já tanto tinha ouvido falar que não resisti a lê-lo.
Fiz-lo em Inglês, mas talvez no futuro, caso tenha oportunidade, o volte a ler, em Português. Não tive grandes dificuldades a ler, mas aquelas falas mais rústicas deixaram-me de sobrancelha erguida algumas vezes.

Em frente.
Lord of the flies” (O Senhor das moscas) é uma história realisticamente assustadora. Dá que pensar pois nós sempre queremos acreditar que as crianças são inocentes e por isso incapazes das mesmas crueldades que os adultos. Bem, pelo menos é nisso que queremos acreditar, mas a realidade tem tendência a esbofetear-nos com força nestes campos.
Este livro começa com um grupo de crianças, desde os muito pequeninos aos mais crescidos, que se vêem sós numa ilha deserta, sem meios de contactarem com o exterior, sem comida, bebida, ou outra qualquer coisa que lhes recorde a civilização. Adultos, não existem, e por isso Ralph é nomeado chefe e decide que o mais importante é manter uma fogueira acesa, para poderem ser salvos, e construir cabanas, para estarem protegidos do frio e dos animais da ilha.
As coisas não começam bem porque a maior fasquia dos “big-luns” (as crianças mais velhas) passam os dias a caçar. Um deles, Jack, fica completamente obcecado por cortar a garganta a um porco. Só fala nisso e é graças a ele e ao seu claro ódio por Ralph, que os problemas começam a surgir e as desavenças no grupo começam a ocorrer.
Tudo piora quando eles não mantêm o fogo a arder e por causa disso eles não são avistados por um navio que passava ali perto.
Acidentes, mal entendidos, medos do desconhecido, histórias criadas pelos pesadelos e pura loucura, conduzirão grande parte das crianças a um estado de selvajaria e malícia,, sem retorno possível.

E devem reparar que não é comum eu fazer um resumo da história, mas neste caso acho que não há nada melhor.
Lord of the flies” é assustadoramente realista e deixa-nos com um nó no estômago porque sabemos que em condições assim, com personagens assim, o desfecho não poderia ser outro.
Tudo flui de forma assustadoramente real e embora a principio seja um pouco … lenta, a partir do meio o livro não dá descanso.

Em suma, uma excelente leitura, que descreve o que de pior há em nós, mas também o melhor e como a amizade pode surgir nos mesmos instantes em que surge uma rivalidade que consome até chegar a extremos.

Ah! E numa nota. O Piggy foi a melhor personagem de todas. Mesmo sendo rebaixado por todos, insultado e posto de parte. Ele era quem tinha mais juízo, mais racionalidade e foi quem manteve a sanidade de algumas personagens intacta até ao fim. E para além disto ele foi um excelente amigo e companheiro.
O Ralph também foi uma excelente personagem. Parecia forte desde o início, mas mostrou que também não passava de uma criança e que tinha muitos receios. Ele teve um desenvolvimento soberbo e embora no início o detestasse um pouco, ao longo da narrativa fui compreendendo melhor e melhor.
Aliás, as personagens são mesmo o ponto forte da história, e menos não seria de esperar.

Só como um à parte … Quando surgiu pela primeira vez aquela dança do “Kill the pig! Spill his blood! Cut his throat!”, eu já sabia o que aí vinha. Pobrezinho …

Nota final: 8/10

P.S.: A primeira coisa que eu pensei quando no texto surgiu a “pintura no rosto” foi “Dragon Head”, um excelente manga. Aposto que essa parte do manga foi baseado (ou em homenagem) no livro.





Halfway to the Grave

26 08 2009

halfway_to_the_grave“Halfway to the grave” de Jeaniene Frost
Sugestão para leitura do mês (Agosto) no grupo “Who’s your author”.

Este é um daqueles livros que se lê muito bem nas tardes de Verão, embora eu estivesse longe de estar na praia a apanhar banhos de sol enquanto lia isto.
Um romance de fantasia urbana, um dos géneros com o qual não estou muito familiarizada, mas que tem chamado a minha atenção nos últimos meses, muito graças à sua popularidade nos EUA. Cá em Portugal a fantasia urbana não tem muita expressão, ainda. Esperemos que este cenário mude (pode ser um dos benefícios da febre do “Crepúsculo”). Com sorte não teremos só “vampiros” e poderemos ver as outras vertentes deste género tão vasto.

Mas voltemos ao assunto principal, porque na verdade este é um desses livros sobre vampiros e seria depreciativo estar a falar mal do género nesta altura.

A leitura, como já disse, é fácil. Não demasiado fácil (como uma certa saga que anda na boca de todos), mas o suficiente para eu não me perder (li em Inglês). A narrativa não se arrasta e a acção é rápida, fluída e compassa o leitor na sua velocidade frenética.
As personagens são interessantes, cada qual tendo o seu passado, as suas origens, os seus trauma e os seus objectivos. Não é segredo que gostei do Bones (ele é muito sexy), mas isso não é para aqui chamado.
A história é interessante, se bem que algo previsível. Gostei do tema central, sobre o tráfico humano, se bem com um twist no campo vampírico.

E há que adorar o primeiro encontro entre a Cat e o Bones (não estou a falar da primeira “date” mas essa também foi memorável). Ele não a poupou e deu-lhe tareia até ela cair inconsciente. Por isso é que o Bones me chamou a atenção (e eu sou contra a violência).

Tendo dito isto posso afirmar que é um bom livro. Não aborrece, mas ao mesmo tempo fiquei com a sensação que poderia ter sido um pouco mais.
O relacionamento entre a Cat e o Bones pareceu-me mais uma espécie de “tensão sexual” do que amor puro (não que isto seja mau). Simplesmente não senti aquela faísca. Havia muito desejo, muita química, mas não ao ponto de chegar a ser arrebatador (a menos que partir mobília conte para a equação).
De resto a história foi bem aproveitada.
Havia uns diálogos clichés e uns momentos que pareciam saídos de um filme de Hollywwod, mas eu achei essas ocasiões mais divertidas do que aborrecidas.
Houveram no entanto umas coisas que me deixaram de ‘cabelos em pé‘, e não no sentido de me meterem medo.
Não gostei do facto de a Cat e o Bones terem sexo sempre depois de alguém próximo deles morrer. É pá! Parecia que o faziam como “serviço funerário” ou coisa do género. É que foi sempre! Não uma, não duas, mas três vezes.
Percebem porque digo que havia muita tensão sexual entre os dois?
É claro que eles não tiveram sexo só essas três vezes, mas eu ficava parva sempre que alguém morria e lá iam eles, consolarem-se. Posso ser só eu, mas acho uma falta de respeito pelos defuntos.
Outra coisa que me deixou um pouco de pé trás foi o comportamento da Cat no fim do livro. Esqueçam o modo Kamikaze, mas a forma como ela tratou a mãe, depois de andar o livro todo a dizer que a amava e que a compreendia, soou falso e forçado. Ela, melhor do que ninguém, devia perceber porque a mãe reagiu daquela forma. Digo-vos. Eu se estivesse na pele da mãe dela, fazia o mesmo, ou pior.

Bem, mas para além disto foi uma leitura satisfatória e trouxe umas novidades inteligentes e diferentes ao mito vampírico. Não saio daqui defraudada. Foi o que esperava que fosse e isso é bom, para variar.

Nota final: 6,5/10 (não dou mais porque o final não foi tão satisfatório quanto poderia ser, mas veremos se compensa no segundo livro da saga)

P.S.: No site da autora há, para leitura online, uma espécie de prólogo do livro (o capítulo 1 original) que explica como a Cat se iniciou nestas andanças. É um bom complemento à leitura deste livro.





Eclipse

29 07 2009

Eclipse“Eclipse” de Stephenie Meyer (Edições Gailivro)

Este livro foi despontante e isso é bastante evidente se tivermos em conta que demorei cerca de cinco meses a lê-lo, enquanto o anterior volume li em 3 dias.
O que mais me desapontou? Bem, comecemos pelo facto de eu gostar muito mais do par Bella&Jacob. Isso já é um senão, mas eu já sabia desde o início que ela ia escolher o Edward e por isso nem foi essa a razão que me fez desgostar mais deste volume que do segundo.
Comecemos pela Bella, que a cada novo volume fica mais insuportável, irritante e lamechas. Tudo é culpa dela. O mundo gira à volta dela e ELA é o mais importante de tudo para todos. Por isso é que ela se deve sentir culpada por TUDO, mesmo TUDO.
Argh!
Quase que arranquei os cabelos quando ela começou com os seus joguinho psicológicos de “Ai eu merecia morrer por vos fazer sofrer. Eu não te/vos mereço. Isto é tudo culpa minha. Eu tenho de fazer alguma coisa.” Yada, Yada, Yada!
Pior foi quando o Jacob lhe explicou que não envelhecia e ela, em vez de ficar chocada por ele foi do tipo: “OMG! Porque é que sou a única que envelhece de dia para dia?” – Pois …. O resto da humanidade não conta e o maior dilema dela é mesmo o envelhecer. Bleh!
E mais. Ela nem se mostrou minimamente preocupada com o facto de, depois de ser transformada, poder vir a matar inocentes. Ah! Isso não é nada. Afinal ela vai ficar para toda a eternidade com o seu amado Edward sem o qual ela não consegue viver. Que se lixem os pais e os pobres inocentes que irão possivelmente morrer às mãos dela quando se tornar a nova vampira. Um pequeno preço a pagar pelo seu eterno e verdadeiro amor.
sinto vontade de regurgitar (estou a usar palavras caras)
Já todos sabemos que tu és a maior Bella, podes parar de ser irritantemente chata agora?
Outra coisa que começou mal foi o Edward. Ao principio ele era irritantemente ciumento (nenhuma novidade), ao ponto de eu ter vontade de lhe dar um murro ficcional. Depois, de repente e sem explicação alguma ganhou juízo e começou a deixar de ser ciumento (como por milagre) e decidiu deixar a Bella fazer o que bem lhe apetecesse e até foi “cavalheiro” (pois sim … *sarcasmo intencional*) o suficiente para dizer à Bella que ela podia escolher entre ele e o Jacob que ele aceitaria a decisão dela. QUE REMÉDIO, NÃO? Ou tu agora és o dono dela?
Ai Ups! És mesmo, não és? Ou pelo menos sempre agiste como um controlador de primeira.
Ao longo do resto do livro ele foi ficando mais e mais mansinho, menos stalker, menos ofensivo, mas nunca menos manipulador (mais dissumulado). Cá para mim a autora estava a tentar que nós gostássemos cada vez mais dele. Falhou!
E uma das outras personagens que acabou arruinada neste livro foi a minha preferida. O Jacob Black.
Stephenie Meyer, espero que estejas contente por teres conseguido arruinar a saga toda neste livro. Pois se havia uma razão para eu ler isto, essa razão era o Jacob Black.
Neste livro o Jacob passou de um adorável rapaz simpático, sorridente e bem … caloroso, para uma besta controlada pelas hormonas e tão ou mais controlador que o Edward (isto é mau, muito mau).
Eu não devia dizer isto porque afinal as personagens foram criadas pela autora e ninguém melhor que ela para as conhecer, mas o Jacob não agiu em conformidade com o que dele conhecíamos até aí. Tenho dito.
Tivemos um pouco mais de informação sobre a Rosalie e sobre o Jasper. Foi interessante, mas nada de especial. E uma coisa que fez comichão durante estas revelações foi o facto de eles estarem a contar aquilo num diálogo e no texto aparecer coisas do tipo: “A personagem X disse isto e a Y disse aquilo; Ela com os seus lindos cabelos ao vento, cavalgando com uma beleza ímpar, etc.” Tipo, quem é que descreve a cena da sua (quase) morte assim? Eu não descreveria de certeza.
Mas em frente.
Outra das coisas que me fez a dita comichão foi o facto de todos serem burros. Deixem-me explicar melhor. Então primeiro tínhamos a Victoria que não desistia de matar a Bella e que é a vilã mais ausente que eu alguma vez tive o desprazer de conhecer/ler, depois um vampiro misteriosos entrou no quarto da Bella quando ela não estava em casa e roubou peças de roupa. E ainda tivemos o grupo de novos vampiros que surgiram do nada numa cidade vizinha.
Mas será que eu fui a única que se deu logo conta que isto tudo estava interligado? Não acredito que assim seja e nesse caso a autora falhou redondamente ao tentar suspense. Falha descomunal aliás.
E o melhor é que ninguém, mesmo ninguém foi capaz de somar 1+1+1=3. Só a Bella, quase no fim do livro é que se lembrou disso.
E já que estamos neste tema. Um dos (muitos) pontos fracos desta saga é a falta de carisma dos vilões e a falta de ACÇÃO. Gah! Finalmente tivemos um pouco de acção mas foi tão … básica que mais valia não ter tido nada como nos outros livros.
Ah! E depois a Bella ainda me sai com algo semelhante a: “Mas porque que é que eu havia de ter medo de ti quando tu acabaste de decapitar e desmembrar uma vampira à minha frente, como se ela não passasse de um coelho nas mãos de um talhante?”
Sim Bella, nenhuma pessoa normal ficaria assustada. Acham mesmo? Pfft … (sarcasmo altamente intencional)
E mais … ai esperem … eu estou-me a queixar de tudo … bem … o que é que isso diz sobre o grau de divertimento que este livro me proporcionou?
Acho então que será mais fácil enumerar o que gostei neste livro.
Bem … gostei, até um certo ponto …
- A cena em que a Bella foi ter com o Jacob e ficaram ambos esclarecidos sobre quem ela escolhia. Foi uma cena bonita e quase (quase) me levou às lágrimas.
- As histórias dos Quilluettes (nem sei se é assim que se escreve).
- A cena da chacina daquela pequena vampira que se tinha rendido, mas que acabou por sucumbir sob as mãos impiedosas (ou nem tanto) dos Volturi.

E sim, é isto só. E isto não foi o suficiente para salvar um livro de +600 páginas da desgraça. Longe disso.
Em suma, este livro foi uma decepção. O relacionamento entre a Bella e o Jacob, que supostamente desabrochou neste livro, pareceu falso e forçado. Sinceramente os sentimentos da Bella pareceram-me tudo menos reais. As mudanças de comportamento do Edward foram bem vindas, mas estranhas e pouco credíveis. O Jacob ficou reduzido a um manipulador abusivo. Coisa que não lhe assenta nada bem.

Ainda não sei ao certo se me vou martirizar ainda mais com a leitura do quarto livro, mas é provável que sim, porque afinal é só mais um livro e já que comecei a saga mais me vale terminar e poder ter uma opinião definitiva. Mas antes disso ainda vou deixar passar uns tempos. Não tenho pressa em pegar num livro que sei que vai-me irritar muito (porque já sei de umas coisas …). Veremos…

Nota final: 4/10 valores


P.S.: Que “opinião” mais comprida … Alguém teve paciência para ler isto até ao fim?





A fórmula de Deus

15 07 2009

formula“A fórmula de Deus” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva)

Este livro foi-me sugerido pelo meu Pai.
Já tinha ouvido falar bastante do autor e da sua obra, mas confesso que nunca me senti inclinada a ler nada dele (sem prejuízo por quem é).

Iniciei a leitura muito céptica, pois por alguma razão quando olhava para a capa e para o resumo da história, a primeira coisa que me vinha a mente era “O Código Da Vinci” de Dan Brown (livro que me desapontou bastante).
Posso agora dizer que este meu receio tinha algum fundamento, mas nada de muito comprometedor. Para além da conspiração internacional, temos também as cifras (ou mensagens escondidas), a bela mulher por que o protagonista se apaixona mas que no início estava contra si, entre outros.
Claro que não estou a comparar os dois, mas é só para desanuviar a minha tensão.

Agora voltemos ao que interessa e vou ser o mais directa possível. A minha opinião poder-se-ia resumir a isto:

Como livro académico daria a esta obra um 10/10, pois conseguiu incutir-me todos os conhecimentos científicos, teológicos e religiosos nele contidos, transmitindo-os de forma simples e acessível. Como romance dar-lhe-ia um 2/10 pois falha a todos os níveis. Quer no desenvolvimento da história, na dinâmica da narração ou na profundidade das personagens

Ou seja, gostei e consegui assimilar toda a informação académica nele contida, mas quanto à história, que deveria ter sido o foco central do livro (já que este é um romance e não um ensaio académico), não consegui ficar satisfeita. A química era quase inexistente entre o Tomás e a Ariana. A acção pareceu forçada, falsa e ao mesmo tempo penosamente lenta e sem atractivo de qualquer espécie. Nenhuma das personagens era interessante, pareciam todas clones umas das outras. A mãe era a típica mãe galinha, mas mais chata do que o costume e tem ares de ser cusca como tudo (foi essa a impressão com que fiquei) e ainda para mais parece não saber fechar a matraca. Irritante!
O Pai e a sua morte (que não é por nada, mas foi demasiado repentina) até poderiam ter sido o ponto forte do livro, mas quando ele, às portas da morte, se pôs a falar que nem uma gralha, bem … perdi-me e esqueci-me de chorar como devia de ser. Aliás, tenho a certeza que a única razão porque até me emocinei um pouco com esta cena foi por causa de, neste preciso momento, o meu Pai estar hospitalizado (Força PAI!).
Já para não falar nos diálogos, meio ingleses, totalmente arábicos, ou noutra qualquer lingua que não o Português e que não fazia mais que irritar-me imensamente. Como já alguém disse: “Fucking genius não soa assim tão mais cool que Um caralho de um nio (Perdoem a linguagem)” OK?

Outra coisa que me deixou algo O.o (à falta de palavra certa para descrever o que sinto) foi mesmo a parte final do livro, como toda aquela FICÇÂO CIENTÍFICA à mistura. A sério! Não estava nada a contar com aquilo.
Convenhamos. Como ser humano orgulhoso e egocêntrico que todos nós no fundo somos (estou a generalizar, mas prontos, perdoem-me), não há forma de me convencerem que a única razão porque existimos é para criar super-computadores que mais tarde, no fim do universo, se vão transformar no “Deus” e pressionar o botão “reset” do universo.
O.o

Nota final: 5/10





On Writing

17 06 2009

stephen_king_on_writing“On Writing” (Escrever) de Stephen King

Já tinha ouvido falar bastante deste livro, por isso, mesmo não tendo por hábito ler livros sobre “como escrever”, decidi mergulhar neste.

Stephen King começa com uma pequena biografia, que segundo o próprio, relata os momentos que mais o influenciaram enquanto escritor e enquanto homem.
Temos de tudo um pouco e a forma descontraída com o autor expõe as situações é bastante apelativa.
Uma cena em particular arrepiou-me bastante. Refiro-me à visita ao otorrinolaringologista. Só espero nunca precisar ir a um destes especialistas. Pelo menos não pelo mesmo motivo que o pequeno Stephen King (na altura criança).

O autor cometeu muitas falhas na vida e a sua sinceridade é refrescante. Bebeu e drogou-se mas conseguiu recuperar-se, grande parte graças à família. Muitos não poderão dizer o mesmo.

Mas já na parte sobre “como escrever” não concordo muito com ele em certas coisas. Especialmente na sua categorização de “bons” e “maus” escritores.  Sou da opinião que o talento não nasce connosco. Ele tem de ser regado e nutrido para poder chegar a mostrar todo o seu potencial. Existem génios! Mas estes são a minoria. Os restantes, se se esforçarem, podem chegar muito longe. É preciso é dedicação. Sem esta e uma boa dose de ambição, penso que qualquer escritor ficará para trás. Por mais potencial que tenha.

O escritor do livro fala de muita coisa. Desde a gramática, às musas e até à forma mais comercial do livro. Consegui reconhecer-me em muito do que ele dizia e senti umas pontadas no peito quando ele falou em dedicação (algo que tenho falhado em dispensar).

Em suma foi um bom livro. Com uma escrita suave, directa e ao mesmo tempo rica. Mas por alguma razão senti que podia ter sido mais e que lhe faltava algo … algo de novo.
Aconselho porque nunca é demais ouvir (ler) conselhos e porque se lê muito bem.

Classificação: 7,5/10